Como corrigir e interpretar a PBI
Metodologia de correção, faixas de pontuação e interpretação da Parental Bonding Instrument - versão paterna (PBI) — conteúdo educativo e de referência para profissionais de saúde mental.
Última atualização:
Sobre a PBI
O Parental Bonding Instrument (PBI), versão paterna, avalia a percepção retrospectiva da qualidade do vínculo estabelecido entre o respondente e seu pai até os 16 anos de idade. O instrumento é fundamentado em modelos teóricos do apego, desenvolvimento da personalidade e saúde mental, com foco nos construtos de afeto/cuidado e controle/superproteção. Seu principal objetivo é mensurar como características do comportamento paterno na infância influenciam o desenvolvimento emocional, a vulnerabilidade a transtornos mentais e fatores de resiliência.
Tempo médio de aplicação
5 a 10 minutos
População-alvo
Adultos e adolescentes a partir de 16 anos
Usos recomendados
Triagem clínica e investigação da qualidade da relação pai-filho(a), apoio ao diagnóstico em transtornos internalizantes e de personalidade, formulação de caso com foco em padrões relacionais, monitoramento de intervenções em contextos familiares, resiliência e adversidade na infância
Como pontuar a PBI
- 1
Some os itens
Some os pesos das respostas de cada item, respeitando os itens de pontuação reversa quando houver.
- 2
Aplique o método de cálculo
Aplique o método de cálculo do instrumento e de cada subescala, quando existirem.
- 3
Localize a pontuação na faixa
Localize a pontuação total na faixa de interpretação correspondente — validada para a população brasileira.
- Número de itens
- 25 itens
- Faixa teórica de pontuação
- 0 – 75 pontos
Método de cálculo por subescala
Afeto/Cuidado
12 itens · faixa teórica 0 – 36
Método de cálculo: Soma dos itens
Superproteção/Controle
13 itens · faixa teórica 0 – 39
Método de cálculo: Soma dos itens
Faixas de pontuação e o que indicam
As faixas seguem a validação para a população brasileira — consulte as referências.
1. Estrutura do instrumento:
Total de itens: 25 (versão paterna)
Formato de resposta: escala Likert de 4 pontos
2. Organização em subescalas:
Afeto/Cuidado paterno
Superproteção/Controle paterno
OBS: A divisão dos itens por fator não é informada no artigo, mas segue a estrutura original de Parker et al. (1979).
3. Descrição das subescalas:
3.1. Afeto/Cuidado paterno (care)
Avalia comportamentos paternos afetivos, de suporte, empatia e compreensão. Altos escores indicam percepção de vínculo caloroso e responsivo; escores baixos sugerem frieza, rejeição ou negligência emocional.
Itens: 1, 2, 4, 5, 6, 11, 12, 14, 16, 17, 18, 24
3.2. Superproteção/Controle materno (overprotection)
Mede atitudes paternas intrusivas, de vigilância excessiva, rigidez e limitação da autonomia. Altos escores indicam padrão controlador e superprotetor; escores baixos refletem encorajamento da independência.
Itens: 3, 7, 8, 9, 10, 13, 15, 19, 20, 21, 22, 23, 25
Nota: A variância explicada por fator e cargas fatoriais não são apresentadas no estudo brasileiro.
4. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
Método de cálculo: soma dos escores por subescala
Valores totais por subescala:
Afeto/Cuidado: 0 a 36
Superproteção/Controle: 0 a 39
4.1. Pontos de corte clínico:
O artigo não apresenta pontos de corte validados para a versão brasileira. Sugestão baseada na literatura internacional (Parker et al., 1979; Qadir et al., 2005):
4.1.1. Afeto/Cuidado:
0-20: baixo afeto
21-26: afeto moderado
27-36: alto afeto
Justificativa: Estudos com amostras não clínicas demonstram que o percentil 25 da distribuição do fator “Care” geralmente se localiza em torno de 20, e o percentil 75 em torno de 27. Abaixo de 20 é indicativo de afeto insuficiente na infância.
4.1.2. Superproteção/Controle:
0-8: baixo controle/superproteção
9-13: controle moderado
14-39: alto controle/superproteção
Justificativa: O ponto de corte de 13/14 tem sido usado em diversos estudos como delimitador entre estilos protetores funcionais e disfuncionais. Valores ≤ 8 foram associados a ausência de supervisão ou negligência, especialmente em estudos australianos e japoneses com o PBI original.
4.2. Perfis clínicos combinados (versão pai):
Alto Afeto + Baixo Controle: Pai percebido como afetuoso e encorajador da autonomia. Relação segura.
Alto Afeto + Alto Controle: Pai protetor e envolvido, mas possivelmente intrusivo ou controlador (affectionate constraint).
Baixo Afeto + Alto Controle: Perfil de “affectionless control”, associado a maior risco de psicopatologia (affectionless control).
Baixo Afeto + Baixo Controle: Frieza e ausência de envolvimento. Indica vínculos inseguros ou negligência.
Moderado em ambos: vínculo ambivalente ou inconsistente
OBS: O perfil 3 (baixa afetividade e alta superproteção) é o mais consistentemente associado a desfechos negativos em saúde mental (depressão, transtornos ansiosos, transtornos de personalidade).
5. Mudança clínica e sensibilidade:
Não há evidência formal de uso para monitoramento longitudinal, embora a estabilidade da medida em estudos internacionais (20 anos) sugira possível reaplicação com intervalos semestrais ou anuais em contextos de psicoterapia.
6. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
O instrumento não deve ser utilizado isoladamente para inferências diagnósticas.
Deve sempre ser complementado por entrevista clínica, anamnese e análise contextual.
Há risco de interpretação enviesada por memória retrospectiva e estado emocional atual.
7. Sugestões para análise clínica:
Escores baixos em afeto/cuidado e altos em controle sugerem padrão de “afeto ausente com controle” (affectionless control), associado a maior risco de depressão, ansiedade e transtornos de personalidade.
Pode ser integrado a entrevistas de apego, escalas de estilo parental, inventários de adversidade na infância (ex.: ACE) ou medidas de personalidade.
Útil na formulação de hipóteses sobre padrões de relacionamento atuais, esquemas cognitivos centrais e vínculos transferenciais em psicoterapia.
Orienta intervenções familiares, psicoeducação parental ou reconstrução da narrativa de desenvolvimento.
Afeto/Cuidado
| Faixa / interpretação | Pontuação |
|---|---|
Baixo | 0 – 20 |
Moderado | 21 – 26 |
Alto | 27 – 36 |
Superproteção/Controle
| Faixa / interpretação | Pontuação |
|---|---|
Baixo | 0 – 8 |
Moderado | 9 – 13 |
Alto | 14 – 39 |
Referências
Teodoro, M. L. M., Benetti, S. P. C., Schwartz, C. B., & Mônego, B. G. (2010). Propriedades psicométricas do Parental Bonding Instrument e associação com funcionamento familiar. Avaliação Psicológica, 9(2), 243-251. https://www.redalyc.org/pdf/3350/335027283009.pdf
Hauck, S., Schestatsky, S., Terra, L., Knijnik, L., Sanchez, P., & Ceitlin, L. H. F. (2006). Adaptação transcultural para o português brasileiro do Parental Bonding Instrument (PBI). Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul, 28(2), 162–168. https://doi.org/10.1590/S0101-81082006000200008
Desenvolvedores
Parker, G., Tupling, H., & Brown, L. B. (1979). A parental bonding instrument. British Journal of Medical Psychology, 52(1), 1-10. https://doi.org/10.1111/j.2044-8341.1979.tb02487.x
Perguntas frequentes
- Quantos itens tem a PBI?
- A Parental Bonding Instrument - versão paterna (PBI) é composta por 25 itens.
- Qual é a pontuação total da PBI?
- A pontuação total da PBI varia de 0 a 75 pontos.
- Como interpretar a pontuação da PBI?
- A pontuação é interpretada nas seguintes faixas, validadas para a população brasileira: Baixo (0–20); Moderado (21–26); Alto (27–36). A interpretação é educativa e não substitui o julgamento clínico.
- É possível aplicar e corrigir a PBI online?
- Sim. Na HumanTrack você aplica a Parental Bonding Instrument - versão paterna (PBI) — e outros instrumentos validados de domínio público — com correção normatizada automática e acompanhamento da evolução do paciente ao longo do tempo, em conformidade com CFP e LGPD. As faixas de interpretação seguem a literatura de validação para a população brasileira.
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