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O Questionário de Relacionamento Conjugal (QRC) é um instrumento brasileiro, de autorreporte, desenvolvido para avaliar múltiplas dimensões da conjugalidade, com foco em percepções positivas e negativas sobre o cônjuge, afetos expressos e recebidos, comunicação e resolução de demandas cotidianas. A fundamentação teórica remete aos pressupostos das terapias comportamentais e à compreensão da conjugalidade como fenômeno multifacetado, relacionado a afeto, comunicação, corresponsabilidade, manejo de conflitos e satisfação conjugal.
Tempo médio de aplicação
20 minutos
População-alvo
Adultos em relacionamentos amorosos (casados, união estável, namoro/noivado; aplicável a diferentes arranjos relacionais).
Usos recomendados
Triagem clínica inicial de indicadores conjugais, apoio à formulação de caso, identificação de áreas críticas e protetivas da relação, monitoramento de intervenção com cautela e pesquisa aplicada em contexto familiar.
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 78 itens
Tipo de resposta: Escala de frequencia de 3 pontos (0 = quase nunca/nunca, 1 = algumas vezes, 2 = frequentemente)
Organização: 6 dimensões
2. Descrição das subescalas, dimensões ou fatores:
Fator 1 : Comunicação e percepções:
O que mede: qualidade geral da comunicação conjugal e percepção global do parceiro, integrando itens de escuta, abertura para diálogo, tomada de decisão conjunta, confiança, companheirismo e alguns indicadores negativos de medo, agressividade e egoísmo.
Fator 2: Ações e corresponsabilidade:
O que mede: comportamentos concretos do parceiro relacionados a ajuda, colaboração, corresponsabilidade doméstica e parental, apoio em momentos difíceis e participação nas rotinas da vida em comum.
Fator 3: Recebe afeto positivo:
O que mede: frequência e qualidade do afeto positivo percebido como vindo do parceiro.
Fator 4: Expressa afeto positivo:
O que mede: frequência com que o próprio respondente expressa carinho e facilita trocas afetivas.
Fator 5: Ações e percepções positivas:
O que mede: trocas positivas menos centrais à comunicação e ao afeto físico, incluindo brincadeiras, conversas, presentes, cuidados práticos e algumas percepções positivas do parceiro.
Fator 6: Ações e percepções negativas:
O que mede: indicadores de negatividade conjugal, rigidez, silenciamento e tensão interpessoal.
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
- O estudo não apresenta pontos de corte validados.
- O estudo descreve a codificação item a item, mas não apresenta pontos de corte validados para classificação clínica. Também não oferece normas percentílicas, T-scores ou faixas interpretativas clínicas para o escore total ou para as subescalas.
- Portanto, a interpretação deve ser relativa e dimensional, comparando perfis intraindividuais entre fatores e, quando pertinente, acompanhando mudanças ao longo do tempo.
4. Mudança clínica e sensibilidade:
O estudo brasileiro sugere potencial de uso no acompanhamento sistemático de intervenções, mas não apresenta dados empíricos de responsividade, RCI, MCID ou estabilidade longitudinal da versão autoaplicada.
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
O QRC não deve ser utilizado isoladamente como base única para conclusão diagnóstica ou decisão clínica de maior impacto. O próprio estudo é limitado por amostra relativamente pequena frente ao número de itens, ausência de casais pareados, restrição sociodemográfica e foco em pessoas cisgêneras, em relações heteroafetivas, com filhos, das classes C e D. Ainda faltam estudos com maior diversidade de classe social, escolaridade, orientação sexual, casais com e sem filhos, além de análises fatoriais e delineamentos longitudinais.
6. Sugestões para análise clínica:
Clinicamente, o QRC é mais útil quando o examinador analisa o perfil entre fatores, e não apenas valores absolutos.
Um padrão com F1/F2/F3/F4/F5 baixos e F6 alto sugere deterioração mais disseminada do funcionamento conjugal.
Já um perfil com F1 preservado, mas F3/F4 baixos, pode indicar comunicação funcional com empobrecimento afetivo.
F2 baixo com queixa de exaustão ou injustiça pode sustentar hipóteses de sobrecarga doméstica/parental e desigualdade de investimento na relação.
F6 alto deve direcionar investigação de controle, ciúme, autoritarismo, silenciamento e medo de expressão, inclusive com avaliação de segurança relacional.
Essas leituras devem ser integradas a entrevista clínica, observação da interação do casal, história do relacionamento, indicadores de saúde mental e, quando pertinente, outros instrumentos de satisfação conjugal, habilidades sociais conjugais, resolução de conflitos, depressão, ansiedade e estresse parental.
A seguir você encontrará frases sobre o seu relacionamento com seu/sua companheiro(a). Ao responder, pense no que mais acontece na sua relação com seu/sua companheiro(a). Responda de acordo com o que é mais comum na vida do casal. Se tiver dúvida, peça esclarecimento antes de marcar sua resposta.
Bolsoni-Silva, A. T. , Pizeta, F. A. , Franco, V. R. , & Loureiro, S. R. (2023) . Questionário de Relacionamento Conjugal: Evidências de validade e consistência interna. Perspectivas em Psicologia , 27(1), 1-25 https://seer.ufu.br/index.php/perspectivasempsicologia/article/view/69314
Bolsoni-Silva, A. T. , Pizeta, F. A. , Franco, V. R. , & Loureiro, S. R. (2023) . Questionário de Relacionamento Conjugal: Evidências de validade e consistência interna. Perspectivas em Psicologia , 27(1), 1-25 https://seer.ufu.br/index.php/perspectivasempsicologia/article/view/69314
Instrumeto autorizado pela Prof. Dra Alessandra Turini Bolsoni-Silva, coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisas em Análise do Comportamento Aplicada e Habilidades Sociais. Mais informações sobre o grupo em: https://linktr.ee/gepeacahs