Sobre a SRQ-20
O SRQ-20 (Self-Reporting Questionnaire) é um questionário criado pela OMS nos anos 1970 para rastrear sintomas de depressão, ansiedade e transtornos somáticos. Composto por 20 perguntas, ele se destaca por incluir questões sobre sintomas físicos, um ponto fundamental para a identificação adequada de transtornos mentais comuns, especialmente na atenção primária à saúde (APS), onde esses sintomas são frequentemente subdiagnosticados. O SRQ-20 é autoaplicável e de fácil compreensão, podendo ser utilizado mesmo por pessoas com baixo nível de escolaridade ou analfabetas, desde que auxiliadas por um terceiro. Originalmente desenvolvido para APS, o instrumento provou ser útil em diferentes contextos, incluindo escolas, ambientes de trabalho e pesquisas de larga escala.
Tempo médio de aplicação
5 minutos
População-alvo
Indivíduos ≥ 14 anos
Usos recomendados
Rastreamento de transtornos não-psicóticos; apoio à decisão de encaminhamento/avaliação diagnóstica.
Como pontuar a SRQ-20
- 1
Some os itens
Some os pesos das respostas de cada item, respeitando os itens de pontuação reversa quando houver.
- 2
Aplique o método de cálculo
Aplique o método de cálculo do instrumento e de cada subescala, quando existirem.
- 3
Localize a pontuação na faixa
Localize a pontuação total na faixa de interpretação correspondente — validada para a população brasileira.
- Número de itens
- 20 itens
- Faixa teórica de pontuação
- 0 – 20 pontos
Faixas de pontuação e o que indicam
As faixas seguem a validação para a população brasileira — consulte as referências.
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 20 itens
Tipo de resposta: Respostas dicotômicas (sim/não).
Organização: unidimensional (Transtornos Mentais Comuns)
2. Descrição das subescalas, dimensões ou fatores:
O SRQ-20 avalia sintomas psicossomáticos e emocionais usados para rastrear transtornos mentais “não-psicóticos” (também chamados de casos “não-psicóticos”/“tipo neurótico” em triagem), como insônia, dificuldade de concentração, irritabilidade e dores de cabeça.
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
Quando SRQ-20 ≥ 8: interpretar como aumento relevante de probabilidade de transtorno mental não-psicótico atual
4. Mudança clínica e sensibilidade:
O artigo brasileiro não apresenta dados de sensibilidade à mudança, RCI/MCID, nem teste–reteste. Portanto:
É plausível utilizar o SRQ-20 para monitoramento de sintomas (por ser breve e padronizado), mas a interpretação de melhora/piora deve ser clínica e contextual, sem critérios psicométricos formais de “mudança confiável” derivados deste estudo.
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
Não usar como diagnóstico: ambos são instrumentos de rastreamento e dependem de confirmação por entrevista clínica (no estudo, SCID-IV-TR).
Contexto importa: o ponto de corte pode variar por contexto cultural/temporal; o estudo atualiza evidências para uma comunidade específica.
Atenção a vieses de compreensão: itens com formulações negativas mostraram pior desempenho relativo (menor sensibilidade e/ou menores cargas) e podem gerar confusão em pessoas com baixa escolaridade; aplicação assistida e checagem de compreensão podem ser importantes.
6. Sugestões para análise clínica:
Quando SRQ-20 ≥ 8: interpretar como aumento relevante de probabilidade de transtorno mental não-psicótico atual; recomenda-se:Entrevista clínica estruturada/semi-estruturada ou avaliação diagnóstica completa.
Explorar domínios sintomáticos tipicamente cobertos pelo SRQ-20 (que incluem queixas somáticas, ansiedade/tensão, humor deprimido/anedonia, prejuízo funcional/cognitivo e autoavaliação negativa).
Atenção a possíveis comorbidades: o estudo indica que transtornos por uso de substâncias podem influenciar padrões de erro (falsos-positivos e falsos-negativos) e devem ser investigados ativamente.
| Faixa / interpretação | Pontuação |
|---|---|
Probabilidade baixa | 0 – 7 |
Probabilidade alta | 8 – 20 |
Referências
World Health Organization. (1994). A user's guide to the self-reporting questionnaire (SRQ). World Health Organization.
Mari, J. J., & Williams, P. (1986). A validity study of a psychiatric screening questionnaire (SRQ-20) in primary care in the city of São Paulo. British Journal of Psychiatry, 148(1), 23–26. https://doi.org/10.1192/bjp.148.1.23
Gonçalves, D. M., Stein, A. T., & Kapczinski, F. (2008). Avaliação de desempenho do Self-Reporting Questionnaire como instrumento de rastreamento psiquiátrico: Um estudo comparativo com o Structured Clinical Interview for DSM-IV-TR. Cadernos de Saúde Pública, 24(2), 380–390. https://doi.org/10.1590/S0102-311X2008000200017
Santos, K. O. B., Araújo, T. M., Pinho, P. S., & Silva, A. C. C. (2010). Avaliação de um instrumento de mensuração de morbidade psíquica: Estudo de validação do Self-Reporting Questionnaire (SRQ-20). Revista Baiana de Saúde Pública, 34(3), 544–560.
Desenvolvedores
World Health Organization. Organization of mental health services in developing countries: sixteenth report of the WHO Expert Committee on Mental Health. Geneva: WHO; 1975.
Perguntas frequentes
- Quantos itens tem a SRQ-20?
- A Self-reporting Questionnaire (SRQ-20) é composta por 20 itens.
- Qual é a pontuação total da SRQ-20?
- A pontuação total da SRQ-20 varia de 0 a 20 pontos.
- Como interpretar a pontuação da SRQ-20?
- A pontuação é interpretada nas seguintes faixas, validadas para a população brasileira: Probabilidade baixa (0–7); Probabilidade alta (8–20). A interpretação é educativa e não substitui o julgamento clínico.
- É possível aplicar e corrigir a SRQ-20 online?
- Sim. Na HumanTrack você aplica a Self-reporting Questionnaire (SRQ-20) — e outros instrumentos validados de domínio público — com correção normatizada automática e acompanhamento da evolução do paciente ao longo do tempo, em conformidade com CFP e LGPD. As faixas de interpretação seguem a literatura de validação para a população brasileira.
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