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A Entrevista para Transtorno de Personalidade Paranóide tem como objetivo clínico avaliar a presença de traços compatíveis com o Transtorno de Personalidade Paranóide (TPP), conforme critérios amplamente reconhecidos pela literatura diagnóstica em psicopatologia. O instrumento investiga padrões persistentes de desconfiança injustificada, hipervigilância, interpretações maliciosas de comportamentos alheios e dificuldade em estabelecer vínculos interpessoais por medo de traição ou exposição. Seu foco é identificar características compatíveis com a estrutura diagnóstica do TPP no contexto de triagens clínicas, avaliações psicodiagnósticas e formulações de caso.
Tempo médio de aplicação
Aproximadamente 10 a 15 minutos
População-alvo
Adultos
Situações recomendadas para uso
Triagem clínica inicial de traços paranoides, apoio à formulação de caso psicodinâmico ou cognitivo-comportamental, subsídio em avaliações diagnósticas complexas (transdiagnóstico ou diagnóstico diferencial), planejamento de intervenções clínicas com foco em relações interpessoais, crenças persecutórias ou vulnerabilidade a experiências de crítica
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 20
Tipo de resposta: dicotômica (presença/ausência da experiência descrita; inferido pela redação das perguntas)
Descrição de domínios (inferência técnica com base no conteúdo dos itens):
Desconfiança generalizada (itens 1, 2, 4, 5, 10): avalia crenças persistentes de que os outros agem com más intenções, mesmo sem evidências concretas
Interpretação enviesada de intenções (itens 3, 6, 7, 11, 17, 18, 19): foca na tendência a interpretar comportamentos neutros como hostis ou críticos
Evitação e fechamento emocional (itens 8, 13, 14, 15, 16): investiga dificuldades em estabelecer vínculos por medo de ser prejudicado
Sensibilidade à crítica e reatividade (itens 9, 12, 17, 18, 20): mede a suscetibilidade a sentir-se atacado, humilhado ou injustiçado
2. Pontuação e faixas de interpretação:
Em contextos clínicos, sugere-se que a presença consistente de respostas afirmativas em múltiplos domínios seja considerada como um indicador de hipótese diagnóstica, devendo ser sempre complementada por entrevista clínica e outros instrumentos padronizados.
Atenção: Esta sugestão é baseada apenas na estrutura qualitativa do instrumento, não havendo validação empírica para classificação quantitativa.
3. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
Não deve ser utilizado isoladamente.
Não se trata de instrumento diagnóstico, e sim de uma ferramenta exploratória para apoiar entrevistas clínicas.
Risco de superinterpretação patológica se usado sem contextualização psicossocial.
Deve sempre ser complementado por anamnese clínica, observação comportamental e outros instrumentos validados.
4. Sugestões para análise clínica:
Escores altos (presença de múltiplas respostas afirmativas) em temas de desconfiança e hipervigilância podem orientar hipóteses sobre esquemas de desvalorização, traição ou vulnerabilidade.
Itens relacionados à reatividade emocional e sensibilidade à crítica podem indicar vulnerabilidade a rupturas relacionais, exigindo intervenções voltadas à regulação emocional e reestruturação cognitiva.
Útil para embasar intervenções clínicas focadas em crenças centrais persecutórias, comportamentos de evitação interpessoal e padrões defensivos relacionais.
Construída e desenvolvida por Júlio Cézar Gonçalves do Pinho (CRP-12/17614).
American Psychiatric Association. (2023). Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM-5-TR (5ª ed. texto revisado). Artmed Editora