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A Escala de Alexitimia de Toronto (Versão TAS-26, Toronto Alexithymia Scale) avalia a dificuldade para identificar e descrever sentimentos, discriminar sentimentos de sensações corporais, empobrecimento de fantasia/devaneio e estilo cognitivo mais concreto/operatório e externamente orientado. Seu objetivo é a triagem de características alexitímicas em populações clínicas e não clínicas (no estudo original, os autores indicam potencial uso como dispositivo de triagem clínica).
Tempo médio de aplicação
5 a 8 minutos
População-alvo
Adultos da população geral
Usos recomendados
Triagem de traços alexitímicos, com utilidade potencial em contextos psicossomáticos/dor crônica e saúde mental, desde que interpretado junto à entrevista clínica.
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 26 itens
Tipo de resposta: escala Likert de 5 pontos (1= Discordo totalmente a 5 = Concordo totalmente)
Organização: 4 subescala
2. Descrição das subescalas, dimensões ou fatores:
Fator 1 – Dificuldade em identificar/descrever sentimentos e distinguir sentimentos de sensações corporais (DIF/identificação–descrição e diferenciação)
O que mede: núcleo clínico da alexitimia: confusão afetiva, baixa diferenciação emoção–corpo, dificuldade de nomeação verbal do afeto.
Fator 2 – Devaneio/imaginação (daydreaming)
O que mede: tendência a fantasiar/devanear; no modelo alexitímico clássico, empobrecimento de fantasia e recordação de sonhos é um componente teórico.
Fator 3 – Pensamento operatório / orientação externa (externally-oriented thinking; foco no concreto)
O que mede: estilo cognitivo mais concreto, pragmático e voltado a explicações externas, com menor foco em estados internos.
Fator 4 – Comunicação de sentimentos / conformidade social
O que mede: aspecto interpessoal: facilidade/dificuldade para falar sobre sentimentos com outras pessoas.
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
Não há pontos de corte validados para o Brasil. As pontuações do instrumento podem ser avaliadas a partir da média dos itens em cada subescala.
Fator 1 – Dificuldade em identificar/descrever sentimentos e distinguir sentimentos de sensações corporais
Interpretação clínica:
Escores altos: maior probabilidade de (a) confundir estados emocionais com desconfortos corporais; (b) relatar “não sei o que sinto / não sei por quê” (itens 20/25/26); (c) dificuldade para comunicar experiência interna em psicoterapia, com maior risco de somatização/queixas inespecíficas e impasses de mentalização.
Escores baixos: maior clareza afetiva e melhor rotulagem emocional (não exclui sofrimento psíquico; indica maior acesso descritivo a estados internos).
Fator 2 – Devaneio/imaginação (daydreaming)
Interpretação clínica:
Escores altos: maior empobrecimento de devaneio/imaginação, podendo sinalizar menor simbolização e menor elaboração imaginativa.
Escores baixos: maior uso de imaginação/devaneio, o que pode favorecer elaboração simbólica (mas também pode coexistir com ansiedade/ruminação; interpretar no contexto).
Fator 3 – Pensamento operatório / orientação externa (externally-oriented thinking; foco no concreto)
Interpretação clínica:
Escores altos: maior tendência a “resolver”/agir sem explorar significados emocionais, preferência por explicações concretas e menor mentalização.
Escores baixos: maior abertura a refletir sobre motivos/causas e sobre emoções (sem implicar, por si só, insight clínico adequado).
Fator 4 – Comunicação de sentimentos / conformidade social
Interpretação clínica:
Escores altos: maior inibição/dificuldade de comunicação emocional, possível retraimento e baixa assertividade afetiva.
Escores baixos: maior facilidade de verbalizar sentimentos em contexto interpessoal/terapêutico.
4. Mudança clínica e sensibilidade:
TAS-26 original: há evidência de teste–reteste (1 e 5 semanas), o que sustenta estabilidade de curto prazo do traço medido em universitários.
Adaptação brasileira (baixa escolaridade): o estudo não apresenta dados de teste–reteste, sensibilidade à mudança, RCI ou MCID; portanto, monitoramento longitudinal deve ser feito com cautela e preferencialmente focado em tendências e integração clínica, não em “mudança confiável” formal.
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
Na adaptação brasileira para baixa escolaridade, o foco empírico é consistência interna e adequação linguística; não há evidências novas no artigo sobre validade convergente/discriminante/critério, nem teste–reteste, nem CFA.
6. Sugestões para análise clínica:
Não usar isoladamente para diagnóstico: a escala é um indicador dimensional; deve ser integrada à entrevista clínica, exame do estado mental, história de desenvolvimento/trauma, avaliação de somatização e funcionamento interpessoal.
Baixa escolaridade: o artigo mostra que dificuldades de compreensão são frequentes; recomenda-se aplicação por entrevista e verificação ativa de entendimento item a item.
Limitação psicométrica na adaptação de 2017: evidências novas se concentram em consistência interna; sem novas análises fatoriais/validade de critério, interpretações por subfatores (além de DIF) devem ser mais hipotéticas e ancoradas no modelo teórico/original.
Você verá 26 afirmações sobre como você costuma perceber e lidar com sentimentos e experiências internas.
Leia cada frase com atenção e marque a alternativa que melhor descreve como você costuma ser na maior parte do tempo.
Taylor, G. J., Ryan, D., & Bagby, R. M. (1985). Toward the development of a new self-report alexithymia scale. Psychotherapy and Psychosomatics, 44(4), 191–199. https://doi.org/10.1159/000287912
Fortes, T. R., Bordin, I. A. S., & Semer, N. L. (2017). Toronto alexithymia scale: Adaptation of the Brazilian version to low-educated adults. Paidéia (Ribeirão Preto), 27, 100-109. https://doi.org/10.1590/1982-43272767201712