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A Escala de Amor do Marriage and Relationships Questionnaire (MARQ) – Brasil é uma medida breve de vínculo emocional/amor romântico entre parceiros em relacionamento estável. Ela deriva do MARQ original, desenvolvido por Russell e Wells na década de 1980, cujo foco é avaliar múltiplos aspectos de relacionamentos conjugais. A Escala Amor corresponde a um subconjunto de 9 itens do MARQ, especificamente desenhado para captar o nível de apego afetivo, proximidade emocional e satisfação global com o parceiro e com o relacionamento.
Tempo médio de aplicação:
3 a 5 minutos
População-alvo:
Adultos em relacionamento amoroso estável e convivendo com o parceiro
Usos recomendados:
Caracterização do vínculo afetivo conjugal em triagem ou psicodiagnóstico de casais;
Suporte à formulação de caso em terapia de casal ou familiar;
Variável de resultado em pesquisas e avaliações de intervenções voltadas à relação conjugal.
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 9 itens
Tipo de resposta: Escala linear de 1 a 5 (1 = Nem um pouco a 5 = Muito.).
Organização: Unidimensional (vínculo emocional/amor romântico)
2. Descrição das subescalas, dimensões ou fatores:
Fator único – Vínculo emocional/amor romântico
Um contínuo de envolvimento afetivo positivo, proximidade, carinho e valorização do parceiro, integrando:
satisfação global com o relacionamento;
atração física e carinho;
respeito e orgulho;
romantismo;
intensidade do amor declarado.
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
Cálculo do escore:
Soma-se a pontuação dos 9 itens e divide-se por 9 → obtém-se uma média (escore global).
Valores possíveis: 1,00 a 5,00.
Média da amostra normativa do estudo: M = 4,33; DP = 0,46.
O estudo não apresenta pontos de corte validados (cutoffs clínicos). Qualquer categorização (baixo/médio/alto) deve ser considerada heurística e adaptada ao contexto, idealmente usando:
comparação intra-indivíduo (mudança ao longo do tempo);
Interpretação dos escores:
Escores altos: forte apego emocional, satisfação geral com a relação, boa percepção de proximidade e respeito; em pesquisas, associam-se a maior satisfação sexual, maior proximidade e menor intenção de separação.
Escores baixos: indicam fragilidade do vínculo afetivo, satisfação reduzida, possível afastamento emocional ou desinvestimento no relacionamento. Em conjunto com outros dados clínicos, podem sinalizar risco aumentado de conflito persistente, separação ou insatisfação sexual.
4. Mudança clínica e sensibilidade:
O estudo não apresenta dados de:
teste–reteste;
sensibilidade à mudança;
RCI (Reliable Change Index) ou MCID (Minimal Clinically Important Difference).
Tecnicamente, por ser uma escala curta e de um único fator, é possível reaplicá-la para monitorar evolução do vínculo afetivo ao longo da terapia de casal (por exemplo, a cada 4–8 sessões), mas isso ainda é um uso não validado empiricamente.
Em contexto clínico, recomenda-se:
interpretar mudanças de escore sempre em conjunto com:
relato qualitativo do casal;
eventos de vida;
outras medidas (ex.: satisfação conjugal, sintomas depressivos/ansiosos, escalas de conflito).
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
Não utilizar isoladamente para:
diagnosticar “falta de amor”;
justificar decisões de separação, guarda ou questões legais.
Deve ser sempre complementada por:
entrevista clínica com cada membro do casal;
entrevista conjunta, quando aplicável;
análise do contexto (história do relacionamento, violência, dependência química, etc.).
Limitações de amostra:
amostra de conveniência, relativamente pequena;
apenas casais heterossexuais, coabitantes;
escolaridade majoritariamente alta.
→ A extrapolação para outras populações (casais em situação de violência, baixa escolaridade, casais homoafetivos, casais em terapia) deve ser feita com cautela.
Risco de uso indevido:
interpretar o escore como rótulo absoluto (“este casal não se ama”) sem considerar nuances, ambivalências e efeitos momentâneos (brigas recentes, crises específicas).
6. Sugestões para análise clínica:
a) Formulação de caso
Escores mais baixos podem contribuir para hipóteses como:
redução de intimidade e proximidade;
diminuição de carinho e contato físico;
desvalorização do parceiro (baixas respostas em respeito/orgulho);
empobrecimento do componente romântico.
Escores altos, em presença de queixas (por exemplo, conflito intenso pontual), podem indicar:
vínculo afetivo preservado, mas com problemas em habilidades de comunicação, negociação ou manejo de estresse externo.
b) Planejamento de intervenção
A partir da inspeção dos itens individualmente, o clínico pode direcionar alvos de intervenção:
Itens 1, 4: “gostar da companhia” e “fazer coisas juntos” → foco em tempo de qualidade, interesses comuns, atividades compartilhadas.
Itens 3, 5, 8: atração, contato físico, romantismo → foco em sexualidade, intimidade física e expressões de afeto.
Itens 6, 7: respeito e orgulho → intervenções em reconhecimento, validação, comunicação não violenta, reparação de mágoas.
Itens 2 e 9: felicidade com o relacionamento e “quanto você ama” → síntese global de satisfação; podem ser usados como indicadores primários de meta terapêutica.
c) Combinação com outros instrumentos/indicadores
Escalas de satisfação conjugal e conflito (quando disponíveis) → ajudam a diferenciar casais com:
alto vínculo emocional + alto conflito → foco em regulação emocional/comunicação;
baixo vínculo emocional + baixo conflito aparente → possível distanciamento emocional/silenciamento.
Medidas de sintomas individuais (depressão, ansiedade, uso de substâncias) → permitem avaliar quanto o estado emocional de cada parceiro impacta o vínculo.
Por favor, leia as perguntas a seguir e responda de acordo de acordo com a escala. Observe que 1 significa "Nem um pouco" e 5 significa "Muito". Considere seu relacionamento atual para responder.
Russell, R. J. H., & Wells, P. A. (1986). Marriage questionnaire. Unpublished booklet.
Russel, R. J. H., & Wells, P. A. (1993). Marriage and relationships questionnaire: MARQ handbook. Jent, Uk: Hodder and Stoughton.
França, PSD, Natividade, JC, & Lopes, FDA (2016). Evidências de validade da versão brasileira da escala amor do Marriage and Relationships Questionnaire (MARQ). Psico-USF , 21 (2), 233-244. https://doi.org/10.1590/1413-82712016210202