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A Escala de Percepção de Antecedentes do Absenteísmo Laboral (EPAAL) é uma adaptação transcultural brasileira da escala portuguesa de fatores de absenteísmo laboral de Jesus e Murcho (2014). A EPAAL avalia a percepção do trabalhador sobre condições de mal-estar no trabalho que podem atuar como antecedentes do absenteísmo laboral. O instrumento não mede diretamente faltas, afastamentos ou índices objetivos de absenteísmo; ele estima fatores percebidos como associados ao desejo ou tendência de faltar ou se afastar do trabalho. O construto central validado no estudo foi interpretado como mal-estar no trabalho, entendido como dimensão psicológica antecedente ao absenteísmo. Os autores diferenciam essa medida da mensuração objetiva de absenteísmo, que seria feita por registros organizacionais de faltas e afastamentos.
Tempo médio de aplicação
5 minutos
População-alvo
Trabalhadores adultos, com idade mínima de 18 anos
Usos recomendados
A EPAAL pode ser utilizada em contextos de: diagnóstico organizacional; triagem de fatores psicossociais relacionados ao trabalho; avaliação de risco psicossocial ocupacional; planejamento de intervenções em saúde do trabalhador; pesquisas acadêmicas em Psicologia Organizacional e do Trabalho; investigação de antecedentes subjetivos do absenteísmo.
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 18 itens
Tipo de resposta: Escala likert de 6 pontos (1 = pouco a 6 = muito)
Organização: unidimensional (Antecedentes do Absenteísmo Laboral)
2. Descrição das subescalas, dimensões ou fatores:
Fator único – Percepção de antecedentes do absenteísmo laboral / mal-estar no trabalho
O fator avalia a percepção do trabalhador sobre condições subjetivas, relacionais, organizacionais e ocupacionais que podem anteceder o absenteísmo laboral. Inclui indicadores de estresse, ansiedade, cansaço, injustiça percebida, desmotivação, sobrecarga, conflitos interpessoais, baixa remuneração, más condições físicas de trabalho, percepção de estagnação profissional e mau ambiente de trabalho.
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
O estudo não apresenta pontos de corte validados.
A interpretação deve ser feita de forma dimensional. Escores mais altos indicam maior percepção de antecedentes do absenteísmo laboral.
Não há base no artigo para classificar o resultado em “baixo”, “moderado” ou “alto risco” com pontos de corte numéricos.
4. Mudança clínica e sensibilidade:
O estudo não apresenta dados sobre sensibilidade à mudança clínica. Também não apresenta: teste-reteste; RCI (Reliable Change Index); MCID (Minimal Clinically Important Difference); responsividade ao tratamento; frequência recomendada de reaplicação.
A EPAAL pode ser reaplicada em contextos de monitoramento organizacional ou acompanhamento em saúde do trabalhador, mas essa utilização deve ser feita com cautela, pois o artigo não valida formalmente o instrumento como medida de mudança clínica longitudinal.
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
A EPAAL não deve ser usada isoladamente para concluir que um trabalhador irá faltar ao trabalho, está simulando sofrimento, apresenta transtorno mental ou deve ser afastado. O instrumento avalia percepção subjetiva de fatores associados ao mal-estar ocupacional, e não absenteísmo objetivo.
6. Sugestões para análise clínica:
Escores elevados na EPAAL podem orientar hipóteses sobre sofrimento relacionado ao trabalho, especialmente quando associados a queixas de estresse, cansaço, desmotivação, percepção de injustiça, conflitos interpessoais ou insegurança laboral.
A análise item a item pode ajudar na formulação de caso:
itens de estresse, ansiedade e cansaço podem indicar sobrecarga psicofisiológica;
itens de injustiça, reconhecimento e remuneração podem indicar percepção de desequilíbrio entre esforço e recompensa;
itens de relacionamento com colegas e supervisor podem sugerir conflitos interpessoais ou clima organizacional prejudicado;
itens de desmotivação, estagnação e não gostar das funções podem indicar risco de desligamento psicológico do trabalho;
itens sobre ambiente físico e condições inadequadas podem apontar para fatores organizacionais concretos que exigem intervenção institucional.
Para responder a este questionário, leia cada afirmação pensando em sua experiência atual no trabalho. Indique o quanto cada frase descreve o que você percebe ou sente no seu contexto profissional
Jesus, S. N., & Murcho, N. A. (2014). Absenteísmo no trabalho. Em M. M. Siqueira (Ed.), Novas Medidas do Comportamento Organizacional – Ferramentas de Diagnóstico e de Gestão (pp. 15-24). Porto Alegre: Artmed.
Gomide, S., Esteves, M. A. S., & Silva, L. C. O. (2020). Adaptação e validação transcultural de uma medida de fatores de absenteísmo. Psico-USF, 25(2), 357-369. https://doi.org/10.1590/1413-82712020250213