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A Escala Desejo de Ter Filhos avalia o desejo subjetivo de ter filhos, definido como a avaliação da intensidade da intenção de ter filhos e das consequências afetivas associadas ao ato de tê-los. O construto integra componentes cognitivos (intenção, planejamento, recorrência de pensamentos) e afetivos (valência emocional, realização pessoal, satisfação antecipada), alinhando-se a modelos contemporâneos que compreendem a parentalidade como uma escolha deliberada, influenciada por fatores individuais e contextuais.
Tempo médio de aplicação:
Aproximadamente entre 3 e 5 minutos
População-alvo:
Adultos (≥18 anos), com ou sem filhos, em relacionamento ou não
Usos recomendados:
Triagem clínica do desejo reprodutivo atual em adultos, de forma dimensional (intensidade).
Apoio ao psicodiagnóstico, especialmente em casos de ambivalência, conflito decisional ou sofrimento associado à parentalidade.
Formulação de caso em psicoterapia individual, integrando projetos de vida, identidade adulta e expectativas futuras.
Psicoterapia de casal, para identificar assimetrias no desejo de ter filhos e orientar intervenções focadas em comunicação e negociação.
Aconselhamento reprodutivo (planejamento familiar), auxiliando na compreensão do momento psicológico para a parentalidade.
Contextos de reprodução assistida, como apoio à avaliação psicológica prévia e acompanhamento emocional do processo.
Aconselhamento genético, quando decisões reprodutivas envolvem riscos médicos ou hereditários.
Monitoramento terapêutico, acompanhando mudanças no desejo ao longo do processo clínico (uso longitudinal com cautela).
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 10 itens
Tipo de resposta: Escala Likert de seis pontos (1 = "Discordo totalmente" a 6 = "Concordo totalmente")
Organização: Unidimensional
2. Descrição das subescalas, dimensões ou fatores:
O fator único representa o Desejo de Ter Filhos, integrando intenção, prontidão subjetiva, saliência cognitiva e avaliação afetiva positiva da parentalidade.
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
Escore final calculado pela média aritmética dos 10 itens
O estudo não apresenta pontos de corte validados.
Recomenda-se interpretação dimensional e contextual, comparando:
Histórico do paciente
Relato verbal
Dados do parceiro(a), quando aplicável
Escores mais altos:
Desejo intenso e ativo de ter filhos;
Maior prontidão psicológica percebida;
Valência afetiva positiva associada à parentalidade;
Menor intenção de postergar a decisão.
Escores mais baixos:
Desejo reduzido ou ausente;
Distanciamento afetivo e cognitivo da parentalidade;
Possível priorização de outros projetos de vida.
4. Mudança clínica e sensibilidade:
O estudo não apresenta dados de teste–reteste, RCI ou MCID.
Contudo, pela natureza dimensional, escala curta e alta precisão em níveis médios do traço, o instrumento pode ser utilizado para monitoramento longitudinal, especialmente em processos terapêuticos focados em:
- Ambivalência reprodutiva;
- Conflitos conjugais;
-
Decisões sobre parentalidade
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
O instrumento não deve ser utilizado isoladamente para decisões clínicas ou aconselhamento reprodutivo.
Não substitui entrevista clínica, avaliação do contexto relacional, condições de saúde, fertilidade ou fatores socioeconômicos.
A amostra apresenta predominância de adultos jovens, escolarizados e sem filhos, o que limita generalizações.
6. Sugestões para análise clínica:
Escores elevados podem orientar intervenções voltadas a:
Planejamento de vida;
Comunicação conjugal;
Avaliação de prontidão emocional e prática.
Escores baixos ou ambivalentes podem sinalizar:
Conflitos identitários;
Pressões sociais internalizadas;
Divergências no casal.
A escala pode ser combinada com:
Entrevistas clínicas estruturadas;
Medidas de satisfação conjugal;
Avaliação de valores, projetos de vida e estressores atuais.
A seguir você vai encontrar uma série de afirmativas. Indique o quanto você concorda com cada uma delas, sendo que quanto MAIS PRÓXIMO do 1, MENOS você CONCORDA com a afirmativa; e quanto MAIS PRÓXIMO do 6, MAIS você CONCORDA com a afirmativa.
Natividade, J. C., Londero-Santos, A., Carvalho, N. M., Mello, R. M., Machado, R. N., & FéresCarneiro, T. (2020). Desire to have children: validity evidence of an instrument. Psicologia Clínica, 32(2), 273-294. http://dx.doi.org/10.33208/PC1980-5438v0032n02A04.
Natividade, J. C., Londero-Santos, A., Carvalho, N. M., Mello, R. M., Machado, R. N., & FéresCarneiro, T. (2020). Desire to have children: validity evidence of an instrument. Psicologia Clínica, 32(2), 273-294. http://dx.doi.org/10.33208/PC1980-5438v0032n02A04.