Sobre a HADS
A Escala Hospitalar de Ansiedade e Depressão (HADS) é um instrumento de triagem psicológica desenvolvido por Zigmond e Snaith (1983), traduzido e adaptado para o Brasil por Botega et al. (1995). Seu objetivo clínico é identificar sintomas de ansiedade e depressão leves, especialmente em contextos hospitalares e não psiquiátricos. A HADS tem sido amplamente utilizada para rastreamento de sofrimento psicológico em diferentes populações, incluindo pacientes clínicos, cirúrgicos, com dor crônica e profissionais da saúde. Teoricamente, baseia-se na distinção entre sintomas psicológicos e somáticos, excluindo itens que possam ser confundidos com manifestações físicas de doenças médicas.
Aplicação
Autoaplicável, duração média de 5 a 10 minutos.
População-alvo
Adultos, incluindo pacientes hospitalares (clínicos, cirúrgicos), pessoas com dor crônica e profissionais da saúde.
Usos recomendados
Triagem psicológica em contextos hospitalares e clínico, avaliação pré-operatória, acompanhamento em dor crônica, avaliação ocupacional e monitoramento em saúde mental.
Como pontuar a HADS
- 1
Some os itens
Some os pesos das respostas de cada item, respeitando os itens de pontuação reversa quando houver.
- 2
Aplique o método de cálculo
Aplique o método de cálculo do instrumento e de cada subescala, quando existirem.
- 3
Localize a pontuação na faixa
Localize a pontuação total na faixa de interpretação correspondente — validada para a população brasileira.
- Número de itens
- 14 itens
- Faixa teórica de pontuação
- 0 – 42 pontos
Método de cálculo por subescala
Ansiedade
7 itens · faixa teórica 0 – 21
Método de cálculo: Soma dos itens
Depressão
7 itens · faixa teórica 0 – 21
Método de cálculo: Soma dos itens
Faixas de pontuação e o que indicam
As faixas seguem a validação para a população brasileira — consulte as referências.
1. Estrutura do instrumento:
Total de 14 itens
Tipo de resposta: escala Likert de 0 a 3 (frequência ou intensidade)
Organização: HADS-A (ansiedade) e HADS-D (depressão)
2. Descrição das subescalas:
HADS-A - Ansiedade (7 itens): avalia sintomas cognitivo-emocionais da ansiedade, como tensão, inquietação, preocupação e pânico.
Itens ímpares: 1, 3, 5, 7, 9, 11, 13
Cargas fatoriais variaram de 0,53 a 0,72
Escores altos indicam maior sintomatologia ansiosa.
HADS-D - Depressão (7 itens): investiga sintomas depressivos como anedonia, lentidão, desesperança e falta de prazer.
Itens pares: 2, 4, 6, 8, 10, 12, 14
Cargas fatoriais variaram de 0,44 a 0,63
Escores altos indicam maior sintomatologia depressiva.
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
Cada subescala varia de 0 a 21 pontos.
Cutoffs recomendados:
Padrão clássico (Zigmond & Snaith, 1983; Botega et al., 1995):
0-7: normal
8-10: limítrofe
11-21: provável caso clínico
Proposta nacional baseada em ROC (Faro, 2015):
HADS-A: ≥7 para triagem (sensibilidade 74,4%, especificidade 23%)
HADS-D: ≥6 para triagem (sensibilidade 68,8%, especificidade 27,1%)
Atenção: valores adaptados para maior sensibilidade em rastreamento, mas com aumento de falsos positivos.
4. Mudança clínica e sensibilidade:
O estudo de Faro (2015) sinaliza utilidade para triagem, mas não apresenta RCI ou MCID.
Pode ser reaplicado para monitoramento, principalmente em contextos ocupacionais ou clínicos com sintomatologia leve.
Não há estudos brasileiros relatando sensibilidade à mudança clínica.
5. Cuidados éticos e limitações:
Não deve ser usado isoladamente para diagnóstico.
Deve ser sempre complementado por entrevista clínica ou instrumentos diagnósticos formais.
Escores altos exigem investigação contextual e clínica, evitando interpretações automáticas.
Especificidade limitada em alguns grupos (ex.: ansiedade: 41,8% em dor crônica).
6. Sugestões para análise clínica:
HADS-A útil para hipóteses clínicas de ansiedade generalizada, fobia social, estresse agudo.
HADS-D pode orientar triagem para anedonia, desesperança, humor deprimido.
Combina bem com: GAD-7, PHQ-9, DASS-21, instrumentos de funcionamento (ex.: WHODAS).
Escores em ambas subescalas podem indicar comorbidade ansioso-depressiva - bastante comum.
Na formulação de caso, pode guiar escolha de estratégias terapêuticas focadas (ex.: ativação comportamental para altos escores em HADS-D; reestruturação cognitiva ou treino de relaxamento para altos escores em HADS-A).
Em contexto ocupacional, pode orientar intervenções organizacionais e encaminhamentos clínicos.
Ansiedade
| Faixa / interpretação | Pontuação |
|---|---|
Não sugestivo de ansiedade | 0 – 6 |
Sugestivo de ansiedade | 7 – 21 |
Depressão
| Faixa / interpretação | Pontuação |
|---|---|
Não sugestivo de depressão | 0 – 5 |
Sugestivo de depressão | 6 – 21 |
Referências
Botega, N. J., Bio, M. R., Zomignani, M. A., Garcia Júnior, C., & Pereira, W. A. (1995). Transtornos do humor em enfermaria de clínica médica e validação de escala de medida (HAD) de ansiedade e depressão. Revista de Saúde Pública, 29(5), 359–363. https://doi.org/10.1590/S0034-89101995000500004
Faro, A. (2015). Análise fatorial confirmatória e normatização da Hospital Anxiety and Depression Scale (HADS). Psicologia: Teoria e Pesquisa, 31(3), 349–353. https://doi.org/10.1590/0102-37722015032072349353
Herrmann C. (1997). International experiences with the Hospital Anxiety and Depression Scale: A review of validation data and clinical results. J Psychosom Res, 42(1), 17-41. https://doi.org/10.1016/S0022-3999(96)00216-4
Norton, S., Cosco, T., Doyle, F., Done, J., & Sacker, A. (2013). The Hospital Anxiety and Depression Scale: a meta confirmatory factor analysis. J Psychosom Res, 74(1), 74-81. https://doi.org/10.1016/j.jpsychores.2012.10.010
Lopes, P. P. S., Schaefer, R., & Scherer, J. N. (2025). Estudo psicométrico da Hospital Anxiety and Depression Scale com profissionais de saúde. Revista de Saúde Pública, 59(9), 1-10. https://doi.org/10.11606/s1518-8787.2025059006420
Marcolino, J. A. M., Mathias, L. A. S. T., Piccinini Filho, L., Guaratini, A. A., Suzuki, F. M., & Alli, L. A. C. (2007). Escala Hospitalar de Ansiedade e Depressão: Estudo da validade de critério e da confiabilidade com pacientes no pré-operatório. Revista Brasileira de Anestesiologia, 57(1), 52–62. https://doi.org/10.1590/S0034-70942007000100006
Castro, M. M. C., Quarantini, L., Batista-Neves, S., Kraychete, D. C., Daltro, C., & Miranda-Scippa, Â. (2006). Validade da Escala Hospitalar de Ansiedade e Depressão em pacientes com dor crônica. Revista Brasileira de Anestesiologia, 56(5), 470–477. https://doi.org/10.1590/S0034-70942006000500005
Desenvolvedores
Zigmond, A. S., & Snaith, R. P. (1983). The hospital anxiety and depression scale. Acta Psychiatrica Scandinavica, 67(6), 361–370. https://doi.org/10.1111/j.1600-0447.1983.tb09716.x
Perguntas frequentes
- Quantos itens tem a HADS?
- A Escala Hospitalar de Ansiedade e Depressão (HADS) é composta por 14 itens.
- Qual é a pontuação total da HADS?
- A pontuação total da HADS varia de 0 a 42 pontos.
- Como interpretar a pontuação da HADS?
- A pontuação é interpretada nas seguintes faixas, validadas para a população brasileira: Não sugestivo de ansiedade (0–6); Sugestivo de ansiedade (7–21). A interpretação é educativa e não substitui o julgamento clínico.
- É possível aplicar e corrigir a HADS online?
- Sim. Na HumanTrack você aplica a Escala Hospitalar de Ansiedade e Depressão (HADS) — e outros instrumentos validados de domínio público — com correção normatizada automática e acompanhamento da evolução do paciente ao longo do tempo, em conformidade com CFP e LGPD. As faixas de interpretação seguem a literatura de validação para a população brasileira.
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