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O Índice de Função Sexual Masculina (Male Sexual Function Index- MSFI) é um instrumento de autorrelato criado para avaliar de forma breve e estruturada a função sexual masculina em diferentes etapas da resposta sexual. Ele serve, essencialmente, para ajudar o clínico a mapear onde está a dificuldade sexual (se no desejo, na excitação, na ereção, no orgasmo ou na satisfação global) e qual o impacto subjetivo e relacional dessa experiência para o paciente.
Tempo médio de aplicação:
7 minutos
População-alvo:
Homens Adultos (≥18 anos) de diferentes orientações sexuais
Usos recomendados:
Triagem inicial de queixas de função sexual masculina;
Identificação de domínios específicos da resposta sexual com maior prejuízo;
Apoio à formulação de caso clínico em sexualidade masculina;
Diferenciação entre dificuldades funcionais, subjetivas e relacionais;
Orientação de focos de intervenção terapêutica (psicoeducação, intervenção relacional, manejo de ansiedade de desempenho);
Monitoramento clínico descritivo de mudanças ao longo do processo terapêutico (com cautela, sem indicadores formais de RCI/MCID);
Uso em avaliações psicológicas e pesquisas clínicas, especialmente em contextos não heteronormativos, dada a evidência de invariância de medida.
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 16 itens
Tipo de resposta: Escala de resposta principal de 1 a 5 (de “quase nunca ou nunca” a “quase sempre ou sempre”, conforme item), com opção adicional “Nenhuma atividade sexual nas últimas 4 semanas” em 13 itens
Organização: 5 subescalas (Desejo, Excitação, Ereção, Orgasmo e Satisfação)
2. Descrição das subescalas:
Desejo: avalia o nível e a frequência do interesse sexual e da motivação para a atividade sexual nas últimas semanas.
Excitação: avalia a capacidade subjetiva de sentir-se sexualmente excitado, incluindo intensidade da excitação, confiança em se excitar e satisfação com esse estado durante a atividade sexual.
Ereção: avalia a função erétil, especificamente a frequência de ereções, a facilidade para obtê-las e a capacidade de mantê-las durante a atividade sexual.
Orgasmo: avalia a capacidade de atingir o orgasmo, incluindo sua frequência, a presença de dificuldade e a satisfação com essa capacidade.
Satisfação: avalia a avaliação global da vida sexual, integrando satisfação pessoal, satisfação com o relacionamento sexual e sensação de proximidade emocional com o(a) parceiro(a).
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
- O estudo não apresenta pontos de corte validados.
- Os escores podem ser obtidos a partir da soma
Desejo: Escores baixos sugerem redução de interesse sexual e podem ser compatíveis com fatores depressivos, estresse, conflitos relacionais, baixa responsividade a estímulos, efeitos de substâncias/medicações (avaliar diferencial clínico).
Excitação: Queda aqui pode apontar para dificuldades de engajamento psicofisiológico, ansiedade de desempenho, distração, crenças disfuncionais e/ou baixa responsividade ao estímulo. Excitação se relaciona negativamente com inibição sexual por desempenho.
Ereção: Baixos escores podem sinalizar dificuldade de iniciar/manter ereção; clinicamente, é o domínio que mais demanda triagem médica/uroandrológica e avaliação de hábitos de saúde.
Orgasmo: Escores baixos podem podem refletir fatores psicogênicos (ansiedade, scripts sexuais, dificuldades de entrega), farmacológicos, ou padrões específicos de estimulação.
Satisfação: Integra qualidade subjetiva e relacional. Baixos escores apontam mais para o impacto emocional e relacional da sexualidade do que para a função sexual isolada, devendo orientar investigação clínica do significado do sexo, qualidade do vínculo e comunicação sexual.
Implicação clínica prática: Em amostras/atendimentos com baixa atividade sexual, é recomendável interpretar “0/sem atividade” como informação clínica em si (p.ex., evitação, ausência de oportunidade, decisão/valores, conflito) e não como equivalente direto a “pior função”, a menos que isso esteja alinhado à sua hipótese clínica.
4. Mudança clínica e sensibilidade:
Os estudos, original e brasileiro, não apresentam dados de teste–reteste, RCI ou MCID, nem de responsividade à mudança clínica.
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
O MSFI não deve ser usado isoladamente para “diagnosticar” disfunções sexuais; ele é mais apropriado como medida de rastreio por domínios e como organizador da entrevista clínica (história sexual, contexto relacional, saúde física, uso de substâncias/medicações, sofrimento subjetivo, prejuízo funcional).
O instrumento não avalia ejaculação, e o próprio artigo sugere que essa lacuna pode ser suprida por medidas complementares .
Na amostra brasileira, foram excluídos participantes com condições/uso de medicação associadas a prejuízos de função sexual (p.ex., HIV+, ansiolíticos/antidepressivos, diabetes, incontinência) ; portanto, generalizações para contextos clínicos com comorbidades exigem cautela.
6. Sugestões para análise clínica integrada:
Perfil “Desejo baixo + Excitação/Ereção preservadas”: Explorar fatores motivacionais/relacionais, estresse, rotina, discrepância de desejo no casal, scripts e valores.
Perfil “Excitação/Ereção baixas + alta inibição”: Investigar ansiedade de desempenho, monitoramento/evitação, crenças de performance e experiências de falha.
Perfil “Orgasmo baixo com excitação preservada”: Rastrear efeitos farmacológicos, padrões de estimulação (masturbação vs. parceria), dissociação/distração, dificuldades de entrega e aspectos interpessoais.
Satisfação baixa: Priorizar avaliação de qualidade relacional, comunicação sexual e significado atribuído ao sexo.
Estas perguntas referem-se aos seus sentimentos e comportamentos sexuais durante as últimas 4 semanas. Responda as seguintes perguntas com a maior sinceridade e clareza possível. Suas respostas serão mantidas completamente confidenciais. Para responder a estas perguntas, tenha em mente as seguintes definições:
Atividade sexual: Pode incluir carícias, preliminares, masturbação, relação sexual com penetração vaginal e/ou anal.
Relação sexual: É definida como penetração do pênis na vagina e/ou ânus.
Estimulação sexual: Inclui situações como preliminares com um(a) parceiro(a), autoestimulação (masturbação), ou fantasia sexual.
Desejo ou interesse sexual: É um sentimento que inclui a vontade de ter uma experiência sexual; sentir-se receptivo à iniciativa sexual de um(a) parceiro(a); imaginar ou fantasiar sobre ter relações sexuais.
Excitação sexual: É um sentimento de entusiasmo que inclui tanto aspectos físicos e mentais. Pode incluir sensação de calor ou formigamento nos órgãos genitais ou ereção peniana (pênis ereto).
Kalmbach, D. A., Ciesla, J. A., Janata, J. W., & Kingsberg, S. A. (2015). The validation of the female sexual function index, male sexual function index, and profile of female sexual function for use in healthy young adults. Archives of Sexual Behavior, 44(6), 1651-1662. https://doi.org/10.1007/s10508-014-0334-y
Júnior, M. D. S., de Araújo Silva, A. J., Natividade, J. C., Goulart, P. R. K., & Luiz, M. F. (2023). Evidências de validade do Male Sexual Function Index (MSFI) para o Contexto Brasileiro. Avaliaçao Psicologica: Interamerican Journal of Psychological Assessment, 22(1), 103-110. https://doi.org/10.15689/ap.2023.2201.23399.11