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O Inventário Breve da Função Sexual Masculina (Brief Male Sexual Function Inventory - BSFI) é um instrumento breve de autorrelato para avaliação da função sexual masculina. No estudo original, foi desenvolvido para captar, de forma parcimoniosa, cinco domínios: desejo sexual, função erétil, ejaculação, percepção de problemas nessas áreas e satisfação sexual global. O racional teórico é multidimensional: a função sexual não é reduzida a ereção, mas inclui componentes descritivos e avaliativos da experiência sexual. O instrumento foi concebido para uso clínico e em pesquisa, com ênfase em aplicabilidade prática e linguagem neutra quanto a parceiro/parceria.
Tempo médio de aplicação:
5 minutos
População-alvo:
Homens adultos
Usos recomendados:
Triagem clínica inicial, caracterização multidimensional da função sexual masculina, apoio à formulação clínica, e eventualmente em pesquisa e seguimento, mas com cautela, porque a versão brasileira mostrou limitações importantes de validade estrutural e consistência interna em pelo menos um fator. O próprio artigo recomenda prudência especialmente em contextos clínicos e destaca necessidade de estudos em amostras clínicas e mais diversas.
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 10 itens
Tipo de resposta: escala de resposta de 5 pontos (variando de 0 a 4, a depender do conteúdo semântico dos itens)
2. Descrição das subescalas, dimensões ou fatores:
Escore total: Quanto maior o escore total, melhor a função sexual global autorreferida; quanto menor o escore total, maior o comprometimento da função sexual nos últimos 30 dias. De forma geral, os itens abrangem a função sexual masculina como um construto global e multidimensional, cobrindo principalmente: desejo sexual, função erétil, ejaculação, percepção de problemas nessas áreas e satisfação com a vida sexual.
Embora a versão brasileira do BSFI tenha apresentado limitações de validade estrutural nos modelos fatoriais testados, o uso de um escore geral pode ser tecnicamente sustentado como um indicador global de função sexual autorreferida, desde que interpretado com cautela. O próprio estudo calculou e analisou o escore total pela soma dos 10 itens, encontrou ausência de efeitos piso e teto (0,14% em ambos os extremos), correlação positiva com o IIEF (r = 0,477; p < 0,001) e boa estabilidade teste-reteste (ICC = 0,843; IC95% 0,785–0,885), o que sugere utilidade do total para captar variação global do construto em nível dimensional. Assim, mesmo sem respaldo pleno para uma estrutura fatorial robusta, o escore geral pode ser utilizado como medida sintética de rastreio e monitoramento da função sexual global, sobretudo em contextos de triagem e acompanhamento intraindividual, sem substituir a análise clínica complementar.
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
O estudo brasileiro informa o cálculo do escore total pela soma dos itens 1 a 10.
Mínimo possível: 0.
Máximo possível: 40.
Direção do escore: quanto maior o escore, melhor a função sexual autorreferida.
Pontos de corte: O estudo não apresenta pontos de corte validados.
4. Mudança clínica e sensibilidade:
O instrumento mostrou boa estabilidade teste-reteste, mas o estudo não apresenta dados de responsividade clínica, RCI ou MCID. Portanto:
O estudo não apresenta dados sobre sensibilidade à mudança clínica.
Isso significa que ele pode ser reaplicado em monitoramento longitudinal, mas a evidência atual é insuficiente para definir qual magnitude de mudança representa melhora clinicamente significativa.
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
O BSFI não deve ser utilizado isoladamente para diagnóstico. O artigo destaca limitações relevantes: amostra on-line, predominantemente jovem, escolarizada, com sub-representação de homens mais velhos e ausência de amostra clínica, além de problemas de validade estrutural. Assim, seus escores devem ser sempre complementados por entrevista clínica, história sexual detalhada, avaliação relacional, contexto sociocultural e, quando necessário, avaliação médica.
6. Sugestões para análise clínica:
Triagem global de gravidade percebida
Um escore geral mais baixo pode ser interpretado como sinal de maior prejuízo sexual autorreferido, útil para identificar necessidade de aprofundar a avaliação clínica. Nesse caso, o BSFI funciona como um sinalizador de sofrimento/comprometimento global, e não como prova diagnóstica de um transtorno sexual específico. A decisão clínica deve ser complementada por entrevista sexual, história médica, uso de medicamentos, substâncias, humor, ansiedade, relação de casal e contexto de vida. O próprio artigo recomenda cautela, especialmente em contexto clínico.
2. Formulação de caso centrada em impacto funcional geral
Quando o escore geral estiver reduzido, ele pode sustentar a hipótese de que a sexualidade está sofrendo impacto relevante no funcionamento atual. Clinicamente, isso pode ser articulado com perguntas como:
o prejuízo é mais situacional ou persistente?
está associado a sofrimento subjetivo?
ocorreu junto com sintomas ansiosos/depressivos?
houve mudança relacional, clínica ou medicamentosa recente?
Este questionário avalia a função sexual masculina. Vamos definir o desejo sexual como um sentimento que pode incluir querer ter uma experiência sexual (masturbação ou relação sexual), pensar em fazer sexo ou sentir-se frustrado devido à falta de sexo.
O’Leary MP, Fowler FJ, Lenderking WR, et al. A brief male sexual function inventory for urology. Urology. 1995;46(5):697–706. https://doi.org/10.1016/S0090-4295(99)80304-5
Silva, E. V., de Arruda, G. T., Berni, E. B., Candido, A. D. S., Pivetta, H. M. F., & Braz, M. M. (2025). Brazilian version of the Brief Male Sexual Function Inventory (BSFI) in adult men: cultural adaptation and measurement properties. Sexual Medicine, 13(2), qfaf029. https://doi.org/10.1093/sexmed/qfaf029