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O Love Addiction Inventory (LAI) é um instrumento de autorrelato desenvolvido para avaliar sintomas de dependência amorosa (love addiction) em relacionamentos românticos, a partir do modelo dos componentes da dependência comportamental (Griffiths, 2005). O construto é definido como um padrão persistente e compulsivo de envolvimento com o(a) parceiro(a), mantido apesar de consequências negativas emocionais, sociais, acadêmicas ou ocupacionais.
Tempo médio de aplicação
10 minutos
População-alvo
Adultos (≥18 anos) envolvidos em relacionamento amoroso atual ou recente (≥6 meses)
Usos recomendados
- Identificar presença e intensidade de sintomas de dependência amorosa em adultos que relatam sofrimento relacional.
- Contribui para a formulação de hipóteses clínicas, especialmente quando há suspeita de: dependência emocional severa, padrões compulsivos de vinculação e dificuldades de regulação emocional centradas no parceiro.
- Adequado para avaliar processos psicológicos transversais, tais como: perda de controle comportamental, saliência relacional e uso do relacionamento como estratégia de coping.
- Útil para hipóteses de manutenção do comportamento relacional disfuncional.
- Os domínios avaliados podem orientar focos de intervenção.
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 24 itens
Tipo de resposta: Escala de frequência de 5 pontos (1 = “Nunca” … 5 = “Muito frequentemente”).
Organização: 6 subescalas (Saliência, Abstinência, Tolerância, Modificação do humor, Recaída e Conflito)
2. Descrição das subescalas, dimensões ou fatores:
Saliência: Avalia o grau em que o relacionamento amoroso se torna o eixo central da vida psíquica do indivíduo.
Abstinência: Mede reações emocionais negativas diante da ausência do parceiro.
Tolerância: Avalia a necessidade progressiva de maior contato para obter satisfação emocional.
Modificação do humor: Investiga o uso do parceiro como principal estratégia de regulação emocional.
Recaída: Avalia falhas repetidas em reduzir o envolvimento amoroso.
Conflito: Mede prejuízos funcionais decorrentes do relacionamento.
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
Pontuação:
Escores por subescala (soma dos 4 itens)
Escore total (soma dos 24 itens)
O estudo original e a validação brasileira NÃO apresentam pontos de corte clínicos validados.
Recomenda-se interpretação dimensional, comparativa e contextualizada ao caso clínico.
Saliência
Escores altos: pensamentos intrusivos, priorização extrema do parceiro, redução de outros interesses.
Abstinência
Escores altos: ansiedade, agitação, humor deprimido e sensação de abandono quando distante.
Tolerância
Escores altos: escalada de tempo e contato para manter o mesmo efeito emocional.
Modificação do humor
Escores altos: dependência do relacionamento para aliviar sofrimento, estresse ou afeto negativo.
Recaída
Escores altos: perda de controle e manutenção compulsiva do padrão relacional.
Conflito
Escores altos: abandono de trabalho, estudos, lazer, vínculos familiares e sociais.
4. Mudança clínica e sensibilidade:
O LAI apresenta alta consistência interna, sugerindo potencial para reaplicação longitudinal.
Não há dados empíricos sobre RCI ou MCID nos estudos analisados.
Pode ser utilizado para monitoramento de progresso terapêutico, com reaplicações periódicas (ex.: a cada 8–12 sessões), com cautela interpretativa.
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
Não deve ser utilizado isoladamente para diagnóstico.
Risco de superpatologização de experiências normativas de apego ou paixão.
Indicado apenas quando há sofrimento, prejuízo funcional ou demanda clínica explícita.
Deve ser sempre integrado a entrevista clínica, histórico relacional e outros instrumentos.
6. Sugestões para análise clínica:
Escores elevados em abstinência + modificação do humor → foco em regulação emocional e autonomia afetiva.
Elevação em conflito + recaída → investigar prejuízos funcionais, padrões compulsivos e limites interpessoais.
Combinação recomendada com medidas de:
apego adulto
dependência emocional
autoestima
impulsividade
estratégias de coping
A seguir, você encontrará uma série de afirmações sobre como você costuma se sentir e agir em relação ao(à) seu(sua) parceiro(a). Leia cada afirmação com atenção e indique com que frequência cada situação ocorre em sua experiência, utilizando a escala de resposta apresentada. Não existem respostas certas ou erradas.
Costa, S., Barberis, N., Griffiths, M. D., Benedetto, L., & Ingrassia, M. (2021). The love addiction inventory: Preliminary findings of the development process and psychometric characteristics. International Journal of Mental Health and Addiction, 19(3), 651–668. https://doi.org/10. 1007/s11469-019-00097-y
Zibenberg, D., & Natividade, J. C. (2025). Addicted to love? Validity evidence for the Love Addiction Inventory—Brazilian version. Psicologia: Reflexão e Crítica, 38(1), 13. https://doi.org/10.1186/s41155-025-00345-2