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O Inventário de Personalidade para o DSM-5 (PID-5) é um instrumento de autorrelato desenvolvido para avaliar traços patológicos da personalidade segundo o modelo dimensional proposto na Seção III do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – 5ª edição (DSM-5), direcionada para adultos com idade superior a 18 anos. Ele operacionaliza o Critério B do modelo alternativo de transtornos da personalidade, que considera os traços patológicos como um contínuo, ao invés de categorias diagnósticas rígidas.
O PID-5 contém 220 itens, organizados em 25 facetas de traços de personalidade (Anedonia, Ansiedade, Afetividade Restrita, Busca de Atenção, Crenças e Experiências Incomuns, Desconfiança, Desonestidade, Desregulação Cognitiva e Perceptiva, Distraibilidade, Evitação de Intimidade, Excentricidade, Exposição a Riscos, Grandiosidade, Hostilidade, Impulsividade, Insegurança de Separação, Insensibilidade, Irresponsabilidade, Labilidade Emocional, Manipulação, Perfeccionismo Rígido, Perseverança, Retraimento, Submissão e Tendência à Depressão), distribuídas em cinco domínios principais, que refletem traços desadaptativos da personalidade:
Afetividade Negativa (Negative Affectivity) – tendência a experimentar emoções negativas de maneira intensa e persistente, incluindo labilidade emocional, ansiedade e depressão.
Desapego (Detachment) – evitação social, restrição emocional e indiferença afetiva.
Antagonismo (Antagonism) – comportamentos egocêntricos, manipulação interpessoal e falta de empatia.
Desinibição (Disinhibition) – impulsividade, irresponsabilidade e busca de gratificação imediata sem considerar consequências.
Psicoticismo (Psychoticism) – experiências perceptuais e cognitivas excêntricas, incluindo pensamentos desorganizados e experiências dissociativas.
Esses domínios são consistentes com modelos dimensionais de personalidade já estabelecidos na literatura, como o Modelo dos Cinco Grandes Fatores da Personalidade (Big Five) e o HiTOP (Hierarchical Taxonomy of Psychopathology).
O PID-5 tem sido amplamente estudado em diversos contextos clínicos e populacionais, sendo útil para complementar o diagnóstico de transtornos da personalidade, identificar perfis de risco e direcionar estratégias terapêuticas.
A interpretação do PID-5 é baseada nos escores obtidos nas facetas e nos domínios da personalidade.
Esta escala foi desenvolvida por Robert F. Krueger, John Derringer, Kristian E. Markon, David Watson e Andrew E. Skodol, como parte da estrutura proposta pela American Psychiatric Association (APA) para a avaliação de traços patológicos de personalidade no DSM-5.
A sua versão brasileira passou por um rigoroso processo de adaptação transcultural e validação semântica, envolvendo tradução independente, retrotradução e avaliação por um comitê de especialistas.
1. Escala de Respostas
Cada item do PID-5 é avaliado em uma escala Likert de 4 pontos, que varia de:
0 – Muito falso ou frequentemente falso
1 – Às vezes ou um pouco falso
2 – Às vezes ou um pouco verdadeiro
3 – Muito verdadeiro ou frequentemente verdadeiro
1.1. Os seguintes itens têm sua pontuação invertida antes do cálculo das médias: 7, 30, 35, 58, 87, 90, 96, 97, 98, 131, 142, 155, 164, 177, 210 e 215. As pontuações desses itens devem ser invertidas da seguinte forma:
3 se torna 0
2 se torna 1
1 se torna 2
0 se torna 3
2. Descrição das subescalas:
Abaixo, estão os itens do PID-5 destinados à 25 facetas, em que cada uma delas contém de 4 a 14 itens, e são representadas por 5 domínios de traços mais amplos.
2.1. Facetas dos Traços de Personalidade:
Anedonia: 1, 23, 26, 30, 124, 155, 157, 189 (8 itens);
Ansiedade: 79, 93, 95, 96, 109, 110, 130, 141, 174 (9 itens);
Afetividade Restrita: 8, 45, 84, 91, 101, 167, 184 (7 itens);
Busca de atenção: 14, 43, 74, 111, 113, 173, 191, 211 (8 itens);
Crenças e Experiências Incomuns: 94, 99, 106, 139, 143, 150, 194, 209 (8 itens);
Desconfiança: 2, 103, 117, 131, 133, 177, 190 (7 itens);
Desonestidade: 41, 53, 56, 76, 126, 134, 142, 206, 214, 218 (10 itens);
Desregulação Cognitiva e Perceptiva: 36, 37, 42, 44, 59, 77, 83, 154, 192, 193, 213, 217 (12 itens);
Distraibilidade: 6, 29, 47, 68, 88, 118, 132, 144, 199 (9 itens);
Evitação de Intimidade: 89, 97, 108, 120, 145, 203 (6 itens);
Excentricidade: 5, 21, 24, 25, 33, 52, 55, 70, 71, 152, 172, 185, 205 (13 itens);
Exposição a Riscos: 3, 7, 35, 39, 48, 67, 69, 87, 98, 112, 159, 164, 195, 215 (14 itens);
Grandiosidade: 40, 65, 114, 179, 187, 197 (6 itens);
Hostilidade: 28, 32, 38, 85, 92, 116, 158, 170, 188, 216 (10 itens);
Impulsividade: 4, 16, 17, 22, 58, 204 (6 itens);
Insegurança de Separação: 12, 50, 57, 64, 127, 149, 175 (7 itens);
Insensibilidade: 11, 13, 19, 54, 72, 73, 90, 153, 166, 183, 198, 200, 207, 208 (14 itens);
Irresponsabilidade: 31, 129, 156, 160, 171, 201, 210 (7 itens);
Labilidade Emocional: 18, 62, 102, 122, 138, 165, 181 (7 itens);
Manipulação: 107, 125, 162, 180, 219 (5 itens);
Perfeccionismo Rígido: 34, 49, 105, 115, 123, 135, 140, 176, 196, 220 (10 itens);
Perseverança: 46, 51, 60, 78, 80, 100, 121, 128, 137 (9 itens);
Retraimento: 10, 20, 75, 82, 136, 146, 147, 161, 182, 186 (10 itens);
Submissão: 9, 15, 63, 202 (4 itens);
Tendência à depressão: 27, 61, 66, 81, 86, 104, 119, 148, 151, 163, 168, 169, 178, 212 (14 itens).
2.2. Cálculo das Facetas:
Cada faceta é composta por um conjunto específico de itens (conforme listado acima). A pontuação da faceta é obtida somando-se os valores dos itens correspondentes. A seguir, a pontuação média é calculada dividindo-se a soma pelo número total de itens da faceta.
Exemplo: Se uma faceta tem 8 itens e um respondente obteve um total de 16 pontos, a pontuação média da faceta é: 16/8 = 2
A pontuação média é usada para a interpretação clínica.
2.3. Domínios dos Traços de Personalidade:
Afetividade Negativa: Labilidade emocional, Ansiedade, Insegurança de Separação
Distanciamento: Retraimento, Anedonia, Evitação de Intimidade
Antagonismo: Manipulação, Desonestidade, Grandiosidade
Desinibição: Irresponsabilidade, Impulsividade, Distraibilidade
Psicotismo: Crenças e Experiências Incomuns, Excentricidade, Desregulação Cognitiva e Perceptiva
3. Cálculo dos Domínios
Os domínios são calculados a partir das pontuações médias das facetas associadas. Para cada domínio, somam-se as médias das facetas correspondentes e divide-se pelo número de facetas envolvidas.
Exemplo: Se as facetas de Labilidade Emocional (m=2), Ansiedade (m=2) e Insegurança de Separação (m=2) compõem o domínio Afetividade Negativa, o cálculo é: (2 + 2 + 2)/3 = 2
3.1. Interpretação dos escores:
Escores mais altos indicam maior presença do traço patológico avaliado.
Escores elevados em um ou mais domínios/facetas podem sugerir disfunção do traço de personalidade ou vulnerabilidades psicológicas associadas.
A análise deve sempre ser contextualizada dentro da formulação do caso clínico, não sendo utilizada isoladamente para diagnóstico.
Exemplo de interpretação clínica:
Um indivíduo com escores altos em Afetividade Negativa e Desinibição pode apresentar características consistentes com um transtorno de personalidade borderline.
Um paciente com elevada pontuação em Antagonismo pode exibir traços associados a transtornos da personalidade narcisista ou antissocial.
Escores altos em Psicoticismo podem indicar vulnerabilidade a sintomas dissociativos ou experiências perceptuais incomuns.
4. Nota Final
O PID-5 é um instrumento auxiliar, não servindo como única base para diagnóstico.
Pode ser reavaliado periódicamente para monitorar mudanças nos traços de personalidade.
Indivíduos com pontuações consistentemente altas devem ser avaliados por um profissional de saúde mental para uma intervenção adequada.
Essa é uma lista de várias coisas que as pessoas podem dizer sobre si mesmas. Nós estamos interessados em saber como você se descreveria. Não existem respostas "certas" ou "erradas". Dessa forma, você pode se descrever da maneira mais honesta possível, pois suas respostas serão mantidas em sigilo. Você pode levar o tempo que quiser; leia cada uma das afirmativas com cuidado, escolhendo a resposta que melhor descreve você.
Krueger RF, Markon KE, Patrick CJ, Iacono WG, McGue M. Externalizing disorders and the DSM-5: An integrative review. Psychol Bull. 2012;138(5): 911–938.
Widiger, T. A., & Samuel, D. B. (2005). Diagnostic categories or dimensions? A question for the DSM-5. J Abnorm Psychol, 114(4): 494–504.
Barchi-Ferreira et al. (2019). Personality Inventory for DSM-5 (PID-5): Cross-cultural adaptation and content validity in the Brazilian context. Trends Psychiatry Psychother, 41(3), 297-300. https://doi.org/10.1590/2237-6089-2018-0098
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