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O Modelo Transversal de Formulação Cognitivo-Comportamental é um recurso clínico desenvolvido para auxiliar psicólogos e psicólogas na compreensão de situações específicas que geram desconforto emocional em seus pacientes. O modelo propõe uma análise em “instantâneo”, um retrato do que ocorre em um momento de ativação emocional, explorando a interação entre situação, pensamentos, emoções, reações corporais e comportamentos.
Público-alvo:
Psicólogos clínicos e pesquisadores que utilizam a TCC com adolescentes e adultos no contexto brasileiro.
Foco do instrumento:
Identificar e analisar padrões cognitivos, emocionais e comportamentais ativados por eventos específicos, permitindo reconhecer ciclos de manutenção do sofrimento psicológico e possíveis alvos de intervenção.
Finalidade:
Apoiar o processo de formulação de caso, psicoeducação e intervenção em TCC, favorecendo a consciência emocional e cognitiva do paciente e o planejamento colaborativo de mudanças.
Contextos de aplicação:
Pode ser usado em sessões clínicas, grupos terapêuticos, contextos psicoeducativos e como registro de automonitoramento.
Limitações:
Não substitui entrevista clínica estruturada nem avaliação diagnóstica formal. Seu uso é indicado como complemento à anamnese, registros de pensamento e demais instrumentos clínicos.
Observação: este recurso é de uso clínico e deve ser preenchido exclusivamente pelo profissional, com base em sua própria perspectiva sobre o caso. Ele tem como objetivo auxiliar o raciocínio clínico que está sendo construído naquele momento do tratamento do paciente.
Este recurso oferece uma visão integrada de cinco componentes interligados:
Situação/Gatilho: Identifica o contexto que antecede o desconforto (interno ou externo). Importante para diferenciar eventos objetivos de interpretações subjetivas.
Interpretação: permite compreender quais tipos de situações ativam esquemas centrais ou padrões automáticos.
Pensamentos automáticos: Registra o conteúdo cognitivo imediato (“o que passou pela cabeça”) diante do gatilho.
Interpretação: pensamentos com risco de vies (catastrofização, leitura mental etc.) podem manter emoções em níveis desadaptativos.
Emoções: Nomeia e quantifica o afeto predominante (ex.: ansiedade, raiva, tristeza).
Interpretação: emoções intensas indicam pontos de vulnerabilidade emocional e esquemas nucleares ativados.
Sensações corporais: Localiza respostas fisiológicas associadas (tensão, taquicardia, aperto no peito, etc.).
Interpretação: ajuda a reconhecer a dimensão somática da ansiedade e do estresse.
Comportamentos/Reações: Mapeia o que o paciente fez ou evitou fazer.
Interpretação: permite observar padrões de evitação, hipercontrole, ou comportamentos de segurança.
A análise das conexões entre os elementos mostra como pensamentos e comportamentos alimentam emoções e sensações físicas, evidenciando ciclos de manutenção. Na prática clínica, o instrumento orienta hipóteses sobre crenças centrais, respostas aprendidas e áreas prioritárias de intervenção (reavaliação cognitiva, exposição, treino de habilidades etc.).
Cuidados éticos e limitações:
Não deve ser aplicado isoladamente nem usado para fins diagnósticos;
O profissional deve garantir que o paciente compreenda que se trata de um exercício de autorreflexão;
Resultados devem ser integrados à escuta clínica e à formulação de caso.
Sugestão para análise clínica:
O padrão entre pensamentos e comportamentos indica o “ciclo de manutenção”;
Mudanças cognitivas e comportamentais podem interromper esse ciclo, reduzindo sofrimento;
Pode ser combinado com escalas de ansiedade/depressão para aumentar validade ecológica.
Este registro serve para auxiliar na análise de situações recentes em que o paciente tenha percebido como gatilho ou gerado uma mudança emocional importante.
Pense em momentos específicos e que foram relatados sobre: onde estava, com quem, o que aconteceu. Depois, identifique o que passou pela cabeça do(a) seu/sua paciente, o que sentiu em seu corpo, como se sentiu emocionalmente e como reagiu.
Esse exercício ajuda a entender como pensamentos, emoções e comportamentos se influenciam.
Construída e desenvolvida por Natália Matteoli Abatti (CRP-08/35785)
Greenberger, D., & Padesky, C. A. (2016). A mente vencendo o humor: mude como você se sente, mudando o modo como você pensa. Artmed Editora.
Tarrier, N., & Calam, R. (2002). New developments in cognitive-behavioural case formulation. Epidemiological, systemic and social context: An integrative approach. Behavioural and Cognitive Psychotherapy, 30(3), 311-328.