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Objetivo clínico
O Monitoramento Diário de Ansiedade Social (EMA-AS) avalia as flutuações diárias de sintomas de ansiedade e comportamentos de evitação em contextos sociais. Fundamentado nos princípios da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e na validade ecológica da EMA, o instrumento visa identificar padrões de reatividade a situações de interação e desempenho. Enquanto a escala LSAS-SR original é uma medida retrospectiva de severidade clínica (padrão-ouro), a versão EMA é uma medida idiográfica de alta resolução temporal para acompanhar a dinâmica dos sintomas no "mundo real".
Utilização prática
Tempo médio: < 2 minutos.
População-alvo: Adultos em acompanhamento clínico com queixas de ansiedade social ou fobia social.
Situações recomendadas: Monitoramento de progresso terapêutico, identificação de hierarquias de exposição in vivo, acompanhamento de intervenções farmacológicas e análise funcional de comportamentos de segurança.
Validade psicométrica (escala original x EMA)
A escala original LSAS-SR apresenta propriedades psicométricas excelentes na versão brasileira, com consistência interna (alfa de Cronbach) entre 0,90 e 0,96 e estabilidade teste-retest de 0,81.
Nota Importante: A versão EMA descrita aqui é inspirada na escala original, mas não possui evidências psicométricas específicas estabelecidas. Seus dados devem ser interpretados como informação idiográfica e complementar, não substituindo o uso da escala original validada.
Estrutura do instrumento EMA
Itens: 7 itens (5 de sintomas, 2 contextuais).
Resposta: Escala linear de 0 (Nada/Nunca) a 10 (Máximo possível).
Organização: Bloco único de aplicação diária.
Janela temporal: "Ao longo do dia de hoje até agora".
Usos recomendados (versão EMA)
Monitoramento longitudinal de flutuações de ansiedade social.
Apoio à formulação idiográfica de caso baseada em dados reais.
Ajuste de metas para tarefas de exposição comportamental.
Identificação de "dias críticos" e gatilhos situacionais específicos.
Complementação da medida global de severidade da LSAS-SR original.
Estrutura do instrumento (EMA)
A versão EMA-AS é composta por 7 itens que cobrem os domínios de ansiedade somática/emocional, evitação comportamental e cognição social, além de variáveis de contexto. As respostas são coletadas em escala de intensidade de 0 a 10.
Descrição dos itens / domínios EMA
Ansiedade Social Global: "O quanto você sentiu medo ou ansiedade em situações sociais hoje?" (Mede a carga emocional do dia).
Evitação: "O quanto você evitou pessoas ou situações sociais hoje para não se sentir desconfortável?" (Mede o impacto funcional/comportamental).
Interação (Estranhos): "Hoje, como foi o seu nível de ansiedade ao falar com pessoas que você não conhece bem?" (Inspirado no fator Interação Diádica) .
Desempenho (Observação): "O quanto você se sentiu desconfortável ao realizar tarefas enquanto era observado (ex: trabalhar, comer, caminhar)?" (Inspirado no fator Observação/Desempenho) .
Medo de Julgamento: "Hoje, o quanto você se preocupou com a possibilidade de passar vergonha ou ser julgado negativamente?" (Mede o componente cognitivo core da ansiedade social).
Contexto (Presença): "Você teve interações sociais significativas hoje?" (Sim/Não - item de controle para interpretação dos sintomas).
Contexto (Gatilho): "Houve algum evento social especificamente difícil hoje?" (Aberto/Opcional).
Pontuação e interpretação (versão EMA)
Escore Médio Diário: Média dos itens 1 a 5. Reflete a carga de sintomas do dia.
Variabilidade (Oscilação): Observada através do desvio-padrão dos escores ao longo de uma semana. Alta variabilidade sugere forte reatividade a gatilhos contextuais; baixa variabilidade (escores altos constantes) pode sugerir ansiedade antecipatória crônica ou evitação generalizada.
Nota: Não há cutoffs clínicos validados para esta versão EMA. A interpretação deve se basear em padrões intraindividuais (nível médio, variabilidade e relação com contextos), e não em comparações normativas.
Mudança clínica e sensibilidade
A EMA permite observar a redução da ansiedade em situações específicas que foram alvo de intervenção. Espera-se que, com o sucesso da terapia, os picos de evitação diminuam antes mesmo da redução total da ansiedade subjetiva (dessensibilização). A redução da correlação entre "evento difícil" e "evitação" é um forte indicador de flexibilidade comportamental.
Cuidados éticos e limitações
Não utilizar para diagnóstico diferencial de forma isolada.
Atenção à sobrecarga do paciente: se o preenchimento diário gerar ansiedade antecipatória, a frequência deve ser ajustada.
Os dados devem ser revisados em sessão para validação do relato.
Sugestões para análise clínica integrada
Gráficos de Tendência: Plotar a média diária de ansiedade (Item 1) vs. Evitação (Item 2). Se a evitação cair e a ansiedade subir temporariamente, pode indicar engajamento em exposições terapêuticas.
Análise de Gatilhos: Cruzar o Item 7 (Gatilho) com o Item 4 (Desempenho) para identificar se a ansiedade é mais ligada à interação social ou à exposição de performance.
Integração com LSAS-SR: Aplicar a LSAS-SR original perioricamente (com espaçamento mensal ou mais) para medir a severidade global e a versão EMA diariamente para monitorar a microdinâmica da mudança.
Alerta científico / boa prática
Mudar a janela temporal e a frequência altera o construto funcionalmente medido (de um traço/estado semanal para uma flutuação momentânea). Os parâmetros psicométricos da escala original (como o alfa de 0,90-0,96 da versão de Santos et al.) não se transferem automaticamente para a versão EMA. O uso deve ser estritamente complementar e analisado de maneira idiográfica.
Este questionário deve ser respondido uma vez por dia, preferencialmente ao final da noite, antes de dormir. Ao responder, tente recordar-se especificamente dos eventos e interações que ocorreram hoje.
Não se preocupe em comparar com os dias anteriores; o objetivo é captar como se sentiu e como agiu nas últimas horas. Se não teve nenhuma interação social hoje, responda aos itens de ansiedade e evitamento com base no que sentiu ao pensar nessas situações ou apenas marque '0' nos itens de interação, conforme as opções.
Desenvolvido por: Heimberg RG, Horner KJ, Juster HR, Safren SA, Brown EJ, Schneier FR, et al. Psychometric properties of the Liebowitz Social Anxiety Scale. Psychol Med. 1999;29(1):199-212.
Adaptado por Natália Matteoli Abatti (CRP-08/35785)
**Este é um instrumento adaptado e construído pela própria equipe da HumanTrack. Nesses casos, os direitos autorais e de propriedade intelectual pertencem à marca, não podendo ser reproduzidos e nem adaptados sem autorização e sem a expressa atribuição de autoria.
Santos LF, Loureiro SR, Crippa JAS, Osório FL. Adaptation and initial psychometric study of the self-report version of Liebowitz Social Anxiety Scale (LSAS-SR). Int J Psychiatry Clin. 2013;17(2):139-43.
Santos Lf, Loureiro SR, Crippa JAS, Osório FL. Psychometric validation study of Liebowitz Social Anxiety Scale: self-reported version for Brazilian Portuguese. PloS One. 2013;8(7):e70235.
Heimberg RG, Holaway RM. Examination of the known-groups validity of the Liebowitz Social Anxiety Scale. Depress Anxiety. 2000;24(7):447-54.
Osório FL. Social anxiety disorder: from research to practice. New York: Nova Science; 2013.