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1) Objetivo clínico
Fenômeno avaliado: O monitoramento diário via EMA-HAM-A foca na dinâmica temporal dos estados de ansiedade, capturando a intensidade e a flutuação dos sintomas psíquicos e somáticos ao longo do dia.
Relação com a escala original: A escala original foi desenhada para quantificar o estado clínico de pacientes já diagnosticados com estados de ansiedade neurótica. A versão EMA preserva a estrutura de 13 variáveis (agrupadas em domínios psíquicos e somáticos), mas desloca o foco da gravidade clínica global para a reatividade diária.
Justificativa para uso em EMA: A ansiedade manifesta-se em crises ou flutuações que muitas vezes são subestimadas em avaliações retrospectivas. O uso diário permite identificar padrões de piora (ex.: matinal vs. noturna) e a correlação imediata entre estressores ambientais e a resposta somática.
Utilidade clínica geral: Auxilia na formulação de caso ao distinguir pacientes predominantemente "psíquicos" de "somáticos", permitindo ajustes finos em intervenções farmacológicas (ex.: betabloqueadores para sintomas físicos) ou psicoterápicos (ex.: manejo de preocupações).
2) Utilização prática
Tempo médio de aplicação: Aproximadamente 1 a 2 minutos por registro.
População-alvo: Adultos em tratamento para transtornos de ansiedade (TAG, Pânico, Ansiedade Social) ou em investigação de sintomas somáticos sem causa orgânica aparente.
Situações recomendadas de uso: Monitoramento de início de tratamento medicamentoso, identificação de gatilhos contextuais e avaliação da generalização de habilidades de enfrentamento da TCC.
Integração na rotina clínica: Recomenda-se o preenchimento ao final do dia ("ao longo do dia de hoje"). Em sessão, o terapeuta utiliza os gráficos de tendência para explorar os "picos" de ansiedade e o que ocorreu naqueles momentos específicos.
3) Validade psicométrica - EMA
A versão EMA descrita aqui é inspirada na escala original, mas não possui evidências psicométricas específicas estabelecidas. Seus dados devem ser interpretados como informação idiográfica e complementar, não substituindo o uso da escala original validada. O deslocamento ocorre da observação clínica externa (heteroavaliação) para o autorrelato momentâneo, o que pode aumentar a percepção de sintomas somáticos pelo paciente.
Diretrizes de Adaptação Psicométrica e Justificativa de Fidelidade ao Construto
Critério de seleção dos itens: Foram mantidos os núcleos das 13 variáveis de Hamilton, adaptando a linguagem de "sintomas clínicos" para "experiências subjetivas diárias".
Fidelidade ao construto: A EMA mantém a equivalência matemática e clínica entre a ansiedade psíquica e a somática, garantindo que o "DNA" do modelo de Hamilton (equilíbrio entre mente e corpo) seja preservado. Em contrapartida, a validade do contruto pode ser alterada pelo fato da mudança na janela temporal das aplicações.
Validade Convergente Conceitual: Espera-se que a média dos escores EMA ao longo de uma semana correlacione-se positivamente com o escore total de uma aplicação tradicional da HAM-A realizada no final dessa mesma semana, caso haja alguma discrepância vale realizar uma boa investigação clínica para compreender o motivo e como o intrumento atual poderá ser adaptado de acordo com o caso.
Mudança de foco do construto: A EMA intensifica a observação da reatividade ansiosa, permitindo ver como o paciente "transita" entre os estados de tensão e relaxamento ao longo das horas.
Estrutura do instrumento EMA
Itens de sintomas: 10 itens (agrupados por afinidade clínica para reduzir fadiga).
Itens contextuais: 2 itens (gatilhos e enfrentamento).
Tipo de resposta: Escala linear de 0 a 10.
Janela temporal: "Ao longo do dia de hoje"
Frequência: 1x ao dia (preferencialmente à noite).
1) Estrutura do instrumento (EMA)
O instrumento organiza-se em torno do modelo bifatorial de Hamilton:
Domínio Psíquico: Avalia a apreensão, irritabilidade, medos e dificuldades cognitivas.
Domínio Somático: Foca na ativação autonômica e desconfortos físicos (musculares, sensoriais e orgânicos).
2) Descrição dos itens / domínios EMA
Ansiedade Psíquica: Mede a "carga mental" da ansiedade. Escores altos sugerem ruminação, hipervigilância e fadiga mental.
Ansiedade Somática: Mede a "expressão corporal". Escores altos podem indicar pânico iminente ou somatização crônica, exigindo frequentemente intervenções de relaxamento físico ou farmacoterapia direcionada.
Impacto da mudança de janela: A insônia avaliada na HAM-A original foca no padrão global; na EMA, o registro diário permite ver a relação direta entre um dia estressante e a latência do sono naquela noite específica.
3) Pontuação e interpretação (versão EMA)
Média Diária: Reflete o peso do dia.
Variabilidade (Desvio-Padrão): Indica a estabilidade emocional. Alta variabilidade sugere ansiedade reativa a eventos; baixa variabilidade com escores altos sugere um estado ansioso generalizado e rígido.
Nota de Alerta: Não há cutoffs clínicos validados para esta versão EMA. A interpretação deve se basear em padrões intraindividuais (nível médio, variabilidade e relação com contextos), e não em comparações normativas.
4) Mudança clínica e sensibilidade
O que observar: Redução na intensidade dos picos autonômicos (ex.: menos palpitações) e diminuição do tempo gasto em "preocupação antecipatória" (humor ansioso).
Manejo: Se os dados EMA mostrarem que a ansiedade psíquica diminuiu com a terapia, mas a somática permanece alta, pode ser necessário revisar a necessidade de intervenção médica ou exercícios de biofeedback.
5) Cuidados éticos e limitações
Monitoramento de Sintomas Físicos: Pacientes com hipocondria ou ansiedade de saúde podem apresentar hipervigilância ao monitorar sintomas autonômicos diariamente. O clínico deve monitorar se o uso da EMA está gerando mais ansiedade.
Interpretação: Esta versão EMA não deve ser usada isoladamente para diagnóstico ou tomada de decisão sobre medicação; essas decisões devem se basear em avaliação clínica completa e na escala original validada.
6) Sugestões para análise clínica integrada
Análise de Picos: Identificar quais variáveis (psíquicas ou somáticas) disparam primeiro em resposta a estressores.
Concordância: Verificar se o relato do paciente em sessão ("minha semana foi terrível") coincide com os dados diários (que podem mostrar dias bons que o paciente esqueceu devido ao viés de memória).
Este monitoramento ajudará a entender como sua ansiedade se comporta no dia a dia. Responda com base em como você se sentiu ao longo do dia de hoje, não existem respostas certas ou erradas.
Tempo estimado: 1 a 2 minutos
Desenvolvido por: Hamilton, M. (1959). The assessment of anxiety states by rating. British Journal of Medical Psychology, 32, 50–55. https://doi.org/10.1111/j.2044-8341.1959.tb00467.x
Adaptado por Natália Matteoli Abatti (CRP-08/35785)
**Este é um instrumento adaptado e construído pela própria equipe da HumanTrack. Nesses casos, os direitos autorais e de propriedade intelectual pertencem à marca, não podendo ser reproduzidos e nem adaptados sem autorização e sem a expressa atribuição de autoria.
Kummer, A., Cardoso, F., & Teixeira, A. L. (2010). Generalized anxiety disorder and the Hamilton Anxiety Rating Scale in Parkinson's disease. Arquivos de neuro-psiquiatria, 68, 495-501. https://doi.org/10.1590/S0004-282X2010000400005