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O Negative Acts Questionnaire – Revised (NAQ-R) é um instrumento de autorrelato destinado a medir exposição a atos negativos no trabalho, utilizados como indicadores comportamentais de assédio moral/bullying ocupacional. O construto central é a exposição persistente a comportamentos negativos, agressivos ou hostis no ambiente laboral, principalmente de natureza psicológica, com ênfase em frequência, duração e padrão de repetição, e não apenas na gravidade isolada de cada ato. O estudo de validação braileira NAQ-R apresentou estrutra diferente para homens e mulheres, de modo que a estrurura que será apresentada nessa seção será voltada para mulheres.
Tempo médio de aplicação:
5 minutos
População alvo:
Mulheres adultas trabalhadoras em contextos organizacionais
Usos recomendados:
O NAQ-R é apropriado para triagem de exposição a atos negativos no trabalho, investigação organizacional, vigilância psicossocial, pesquisa ocupacional, identificação de grupos de risco e apoio à formulação clínica quando há suspeita de sofrimento relacionado ao ambiente laboral. Deve ser usado como medida complementar, não como instrumento diagnóstico isolado.
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 22 itens
Tipo de resposta: escala de frequência de 5 pontos (nunca, de vez em quando, mensalmente, semanalmente e diariamente)
Organização: unidimensional (Assédio Moral no Trabalho)
2. Descrição das subescalas, dimensões ou fatores:
Mede atos negativos dirigidos à execução, organização ou reconhecimento do trabalho, como retenção de informações, tarefas abaixo da competência, opiniões ignoradas, prazos impossíveis, supervisão excessiva, pressão para não reivindicar direitos e carga de trabalho incontrolável. Avalia ataques dirigidos à pessoa, reputação, pertencimento social ou dignidade interpessoal, incluindo humilhação, retirada de responsabilidades, boatos, exclusão, comentários ofensivos, sinais para pedir demissão, lembranças repetidas de erros, reações hostis, críticas persistentes, brincadeiras indesejadas, alegações contra o trabalhador e sarcasmo excessivo.
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
Os artigos analisados não apresentam pontos de corte clínicos validados para interpretação individual no Brasil. O estudo utiliza respostas em cinco níveis de frequência; quando codificadas de 1 a 5, a pontuação total possível tende a variar de 22 a 110, mas os artigos não detalham uma regra clínica formal baseada em soma, média ou T-score.
Para estimar ocorrência de assédio moral em pesquisas, os autores discutem critérios operacionais. O critério de Leymann considera alvo de assédio quem relata pelo menos um ato negativo semanalmente por pelo menos seis meses. O critério mais conservador de Mikkelsen e Einarsen considera exposição regular a dois atos negativos. No estudo brasileiro, a prevalência pelo critério de Leymann foi 11,5% entre mulheres e 6,2% entre homens; pelo critério de Mikkelsen e Einarsen, foi 4,0% entre mulheres e 2,3% entre homens.
4. Mudança clínica e sensibilidade:
Os estudos analisados não apresentam dados de sensibilidade à mudança clínica, RCI ou MCID. Também não há recomendação formal de frequência de reaplicação para monitoramento longitudinal individual. Como o instrumento pergunta sobre os últimos seis meses, reaplicações em intervalos muito curtos podem não captar mudança de modo limpo. Para monitoramento clínico ou institucional, a reaplicação pode ser considerada em avaliações periódicas, mas essa decisão deve ser fundamentada no objetivo da avaliação e não em parâmetro validado nos artigos
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
O NAQ-R não deve ser utilizado isoladamente para concluir que houve assédio moral em sentido clínico, jurídico ou administrativo. Ele identifica exposição a atos negativos, mas não determina, por si só, intencionalidade, autoria, contexto, assimetria de poder, consequências funcionais ou responsabilidade institucional. O estudo original recomenda combinar o NAQ-R com medidas de autoidentificação, definição de bullying, duração, frequência, perpetradores e contexto.
6. Sugestões para análise clínica:
Na avaliação clínica, os resultados devem ser integrados a entrevista, história ocupacional, análise temporal dos eventos, indicadores de saúde mental, condições organizacionais, suporte social, documentação disponível e possíveis fatores de risco no ambiente de trabalho. Escores elevados em assédio relacionado ao trabalho podem orientar investigação de sobrecarga, metas, controle, autonomia e práticas de gestão. Escores elevados em assédio pessoal sugerem foco em isolamento, humilhação, estigmatização, conflitos interpessoais e dano à identidade profissional. Itens de intimidação física exigem atenção prioritária à segurança e encaminhamentos institucionais apropriados.
A seguir, você encontrará uma lista de situações que podem ocorrer no ambiente de trabalho. Leia cada item com atenção e indique com que frequência você vivenciou cada situação nos últimos 6 meses. Considere apenas experiências relacionadas ao seu trabalho atual. Não há respostas certas ou erradas; responda de forma sincera, conforme sua percepção.
Einarsen, S., Hoel, H., & Notelaers, G. (2009). Measuring exposure to bullying and harassment at work: Validity, factor structure and psychometric properties of the Negative Acts Questionnaire-Revised. Work & stress, 23(1), 24-44 .https://doi.org/10.1080/02678370902815673
Silva, I. V., Aquino, E. M. D., & Pinto, I. C. D. M. (2017). Características psicométricas do Negative Acts Questionnaire para detecção do assédio moral no trabalho: estudo avaliativo do instrumento com uma amostra de servidores estaduais da saúde. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, 42, e2. http://dx.doi.org/10.1590/2317-6369000128715