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O Psy-Flex é um instrumento breve de autorrelato para avaliação de flexibilidade psicológica, construto central das Ciências Comportamentais Contextuais e da Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT). O modelo teórico que sustenta sua construção envolve seis processos interrelacionados: aceitação, desfusão cognitiva, contato com o momento presente, self-como-contexto, valores e ação comprometida. O artigo enfatiza que o instrumento foi concebido como medida contextualmente sensível, em contraste com medidas excessivamente traço-like, e com cobertura pragmática dos seis processos centrais da ACT.
Tempo médio de aplicação:
3 minutos
População-alvo:
Adultos da população geral
Usos recomendados:
É útil para avaliação inicial, triagem e articulação com intervenções voltadas a ampliar presença, abertura à experiência e recursos de self/contexto. Pelas evidências apresentadas, ele parece especialmente útil para investigação transdiagnóstica e pesquisa em processos terapêuticos. Já o uso como apoio isolado ao diagnóstico categorial não é sustentado pelo estudo.
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 6 itens
Tipo de resposta: Escala Likert de cinco pontos (1 = Muito raramente a 5 = Muito frequentemente)
Organização: Unidimensional (flexibilidade psicológica)
Descrição do fator:
Fator único – Flexibilidade psicológica (itens 1 a 6).
Mede a capacidade de manter contato com o presente, abrir-se a experiências internas difíceis, desfundir-se de pensamentos, acessar um senso estável de self, orientar-se por valores e engajar-se em ações significativas.
Itens/facetas:
Estar presente – capacidade de focar no que acontece ao redor em momentos importantes, mesmo com distrações cognitivas.
Abertura à experiência – disposição para permitir pensamentos e experiências desagradáveis sem agir imediatamente para eliminá-los.
Defusão cognitiva – observar pensamentos difíceis sem ser controlado por eles.
Self como contexto / steady self – reconhecer um senso de continuidade pessoal mesmo em meio a confusão interna.
Consciência de valores – identificar o que é importante e escolher onde investir energia.
Compromisso / engajamento – envolver-se ativamente em ações importantes, úteis ou significativas.
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
- Escores altos sugerem maior repertório de flexibilidade psicológica e maior disponibilidade para agir com base em valores mesmo na presença de desconforto. Escores baixos sugerem maior rigidez, possível predomínio de esquiva experiencial, fusão cognitiva e menor alinhamento entre comportamento e valores.
- O estudo não apresenta pontos de corte validados. Também não propõe categorias clínicas como baixo, moderado ou alto.
- Método de cálculo dos escores: Média dos itens.
4. Mudança clínica e sensibilidade:
- O estudo é transversal e não apresenta dados de sensibilidade à mudança clínica, RCI, MCID ou intervalo ideal de reaplicação.
- Assim, embora o construto de flexibilidade psicológica seja relevante para acompanhamento terapêutico e o instrumento seja breve o suficiente para reaplicações, esta validação não demonstra empiricamente responsividade longitudinal.
- O uso em monitoramento deve, portanto, ser cauteloso e sempre integrado a entrevista clínica e outros indicadores de progresso.
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
- O Psy-Flex não deve ser utilizado isoladamente para decisões diagnósticas ou conclusões sobre gravidade.
- Ele é mais útil como indicador processual transdiagnóstico: um escore mais baixo pode sustentar hipóteses de maior esquiva experiencial, maior fusão cognitiva, dificuldade de contato com valores e menor flexibilidade diante do sofrimento; um escore mais alto sugere maior repertório adaptativo e melhor capacidade de agir de modo coerente com valores apesar do desconforto.
- Essas inferências são coerentes com o padrão correlacional do estudo, mas continuam sendo hipóteses clínicas e não equivalem a diagnóstico.
6. Sugestões para análise clínica:
O Psy-Flex combina especialmente bem com medidas de:
Inflexibilidade/esquiva (AAQ-II): para verificar convergência entre baixa flexibilidade e evitação experiencial;
Fusão cognitiva (CFQ-7): quando a formulação sugere literalidade cognitiva e aprisionamento a pensamentos;
Mindfulness (MAAS): para qualificar dificuldades de presença atencional;
Bem-estar (MHC-SF): para verificar se a flexibilidade se associa a indicadores positivos de funcionamento;
Sintomas emocionais (DASS-21): para examinar se menor flexibilidade acompanha maior sofrimento depressivo, ansioso e de estresse.
As perguntas a seguir referem-se às suas experiências nos últimos sete dias.
Gloster, A. T., Block, V. J., Klotsche, J., Villanueva, J., Rinner, M. T., Benoy, C., ... & Bader, K. (2021). Psy-Flex: A contextually sensitive measure of psychological flexibility. Journal of Contextual Behavioral Science, 22, 13-23. https://doi.org/10.1016/j.jcbs.2021.09.001
Neto, D. D., Mouadeb, D., Lemos, N., da Silva, A. N., Gloster, A. T., & Perez, W. F. (2024). Contextual similarities in psychological flexibility: the Brazil-Portugal transcultural adaptation of Psy-Flex. Current Psychology, 43(31), 25595-25603. https://doi.org/10.1007/s12144-024-06241-9