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O Conflict Resolution Behavior Questionnaire (CRBQ) é um instrumento de autorrelato voltado à avaliação das estratégias comportamentais utilizadas por cônjuges na resolução de conflitos conjugais. A fundamentação teórica do instrumento parte da ideia de que o conflito é inerente aos relacionamentos íntimos, mas seus efeitos dependem de como os desentendimentos são manejados: de forma mais construtiva, por negociação e compreensão mútua, ou de forma destrutiva, por hostilidade, afastamento e escalada.
Tempo médio de aplicação:
7 minutos
População-alvo:
Adultos em relacionamento conjugal/amoroso
Usos recomendados:
Avaliação de padrões de resolução de conflito em casais, apoio à formulação de caso conjugal, investigação de estratégias construtivas versus destrutivas, e uso em pesquisa clínica e familiar.
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 21 itens
Tipo de resposta: escala de frequência de 5 pontos (1 = Nunca a 5 = Sempre)
Organização: 3 subescalas (Acordo, Ataque e Evitação)
2. Descrição das subescalas, dimensões ou fatores:
Estrutura fatorial:
Fator 1 – Acordo: estratégias construtivas de negociação, escuta, raciocínio e reparação relacional. Mede o uso de estratégias construtivas para lidar com divergências, incluindo negociação, compreensão do ponto de vista do parceiro, tentativa de acalmar a interação e reparação. Escores mais altos sugerem maior repertório de resolução colaborativa de problemas e menor tendência à escalada destrutiva do conflito.
Fator 2 – Evitação: afastamento do conflito, distanciamento emocional, supressão afetiva e esquiva. Mede estratégias destrutivas marcadas por hostilidade, gritos, sarcasmo, retaliação e comportamentos que intensificam o conflito. Escores altos indicam maior probabilidade de escalada conflitiva e comunicação agressiva.
Fator 3 – Ataque: hostilidade verbal/comportamental, escalada do conflito, sarcasmo e retaliação. Mede esquiva do conflito, fechamento emocional, distanciamento, isolamento e minimização do problema. Escores altos sugerem tendência a não elaborar o desacordo diretamente, afastando-se ou silenciando diante da tensão.
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
Método de pontuação: Média dos itens por subescala: 1 a 5
O estudo não apresenta pontos de corte validados. Também não fornece normas clínicas, percentis, T-escores ou classificação por faixas. Portanto, não é tecnicamente adequado derivar categorias do tipo “baixo”, “moderado” ou “alto” com base apenas neste artigo. A interpretação deve ser comparativa e dimensional, observando o perfil relativo entre subescalas e sua coerência com a entrevista clínica.
4. Mudança clínica e sensibilidade:
O estudo não apresenta dados sobre sensibilidade à mudança clínica. Não há informações sobre RCI (Reliable Change Index), MCID, responsividade a intervenções ou frequência ideal de reaplicação. Assim, embora o instrumento possa ser usado de forma exploratória em monitoramento longitudinal, o artigo não valida formalmente seu uso para mensuração de mudança terapêutica.
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
O CRBQ não deve ser utilizado isoladamente para conclusões diagnósticas ou decisões clínicas de maior impacto.
Ele avalia estratégias autorreferidas de manejo do conflito, e não estabelece diagnóstico de disfunção conjugal, violência ou psicopatologia. Seu uso indevido pode ocorrer quando se toma um escore alto em Ataque ou Evitação como evidência suficiente de causalidade clínica, gravidade ou responsabilidade unilateral.
A interpretação deve ser sempre combinada com entrevista clínica, observação do contexto relacional, história do casal, indicadores de segurança, padrões de reciprocidade e, quando pertinente, outros instrumentos sobre qualidade conjugal, violência, apego, regulação emocional e saúde mental.
O estudo sustenta utilidade em avaliação psicológica de casais, mas não apresenta evidência suficiente para uso isolado como instrumento diagnóstico, nem oferece normas nacionais amplas, pontos de corte ou parâmetros clínicos de classificação. Também não há estudo de sensibilidade a mudança nesta validação.
6. Sugestões para análise clínica:
Clinicamente, o perfil entre subescalas pode ser mais informativo do que qualquer escore isolado.
Um padrão de Acordo alto + Ataque/Evitação baixos sugere repertório construtivo e maior potencial de negociação.
Um padrão de Ataque alto pode orientar hipóteses sobre impulsividade diádica, comunicação hostil, crítica, desprezo, retaliação e maior risco de dano relacional.
Um padrão de Evitação alta pode apontar para retirada defensiva, medo de confronto, ressentimento silencioso, esquemas de desengajamento ou pseudoestabilidade à custa de não elaboração dos conflitos.
Perfis mistos, como Ataque alto + Evitação alta, podem indicar ciclos de aproximação hostil e retirada, típicos de escalada seguida de desligamento emocional.
Você encontrará frases sobre como costuma agir quando há desentendimentos com seu companheiro(a). Leia cada afirmação com atenção e marque a opção que melhor descreve a frequência com que isso acontece com você no seu relacionamento. Não existem respostas certas ou erradas. Responda de forma sincera, pensando no que costuma acontecer na prática.
Rubenstein, J. L., & Feldman, S. S. (1993). Conflict-resolution behavior in adolescent boys: Antecedents and adaptational correlates. Journal of Research on Adolescence, 3(1), 41–66. https://doi.org/10.1207/s15327795jra0301_3
Delatorre, M. Z., & Wagner, A. (2015). Conflict resolution strategies for couples: Validity evidences for the CRBQ. Avaliação Psicológica, 14(2), 233-242.https://doi.org/10.15689/ap.2015.1402.08
Instrumento autorizado por Marina Zanella Delatorre e Adriana Wagner.