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O Questionário de Qualidade de Vida Sexual Feminina (Sexual Quality of Life – Female (SQOL-F)) é um instrumento de autorrelato desenvolvido para mensurar o impacto da disfunção sexual feminina (FSD) na qualidade de vida sexual (QVSex), como complemento à avaliação de aspectos mais “funcionais/físicos” da sexualidade (p.ex., desejo, excitação, dor). Sua construção foi guiada por um modelo multidimensional de qualidade de vida (dimensões física, social, emocional e psicológica) e por entrevistas clínicas que mapearam consequências subjetivas da FSD para a mulher, a parceria e a relação.
Tempo médio de aplicação:
7 minutos
População-alvo:
Mulheres ≥18 anos, sexualmente ativas
Usos recomendados:
Triagem clínica do impacto psicossocial da queixa sexual, especialmente quando combinado com entrevista clínica e avaliação de função sexual.
Investigação transdiagnóstica de sofrimento, autoestima sexual e efeitos relacionais associados à sexualidade (por ser sensível a diferenças entre grupos e correlacionar-se com distress e satisfação).
Pesquisa e avaliação de intervenção. Útil como desfecho de qualidade de vida sexual, mas a sensibilidade a mudanças ainda é apontada como necessidade de confirmação/estudos adicionais.
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 18 itens
Tipo de resposta: Escala Likert de 6 pontos (1 = "Concordo completamente" a 6 = "Discordo completamente")
Organização: Unidemensional (Qualidade de vida sexual)
2. Descrição das subescalas, dimensões ou fatores:
Fator geral – Qualidade de vida sexual (impacto subjetivo da vida sexual): Agrega conteúdo de autoestima/autoimagem sexual, afetos negativos (frustração, tristeza, ansiedade, raiva, culpa, vergonha), evitação, e componentes relacionais/comunicacionais (proximidade, diálogo, medo de ferir/rejeitar a parceria). O estudo original descreve essas áreas como: autoestima, questões emocionais e questões relacionais, mas recomenda avaliá-las como um construto global.
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
Escore total bruto: Soma dos itens = 18 a 108; quanto maior, melhor a qualidade de vida sexual.
Média na amostra brasileira (referência descritiva, não normativa clínica): média = 84,17; Desvio Padrão = 19,46.
O estudo brasileiro não apresenta pontos de corte validados.
4. Mudança clínica e sensibilidade:
Teste–reteste (estabilidade): Evidência forte no original (ICC 0,85 em ~2 semanas), útil para confiar que variações relevantes ao longo do tempo não são “ruído” de medida.
Sensibilidade à mudança / responsividade: Os autores originais afirmam que a sensibilidade a efeitos de tratamento precisa ser confirmada e que é necessário definir mudança clinicamente significativa.
RCI/MCID: não foram apresentados nos artigos analisados.
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
Não deve ser usado isoladamente para “diagnosticar” disfunção sexual: o SQOL-F mede impacto na qualidade de vida sexual, e não substitui entrevista clínica, avaliação médica/medicamentosa, e instrumentos de função sexual. O próprio programa de validação original posiciona o SQOL-F como complemento/adjunto à avaliação de aspectos físicos/funcionais.
Na versão brasileira, atenção a possíveis diferenças culturais/educacionais na compreensão de itens mais abstratos (“menos mulher”; “perdi algo”) e itens de preocupação (10 e 16).
A amostra brasileira tem viés de conveniência e concentração regional, o que recomenda prudência ao comparar indivíduos a “médias” e ao inferir “normalidade”.
6. Sugestões para análise clínica:
Escores baixos: Tendem a acompanhar maior número de sintomas sexuais e maior distress, sugerindo utilidade para estimar carga subjetiva da queixa sexual, inclusive quando a paciente relata “sintomas” mas está ambivalente sobre considerá-los problema.
Na formulação de caso, respostas elevadas em itens de vergonha/culpa/“menos mulher”/perda de confiança podem orientar hipóteses sobre esquemas de inadequação, autoimagem corporal/sexual, moralidade sexual internalizada, e risco de evitação e redução de intimidade.
Itens relacionais (proximidade/diálogo/medo de magoar) podem guiar decisões sobre intervenções focadas em comunicação sexual e terapia de casal (quando indicado).
Para monitoramento, o instrumento é plausível para reaplicações (é breve e tem estabilidade temporal), mas, por ausência de MCID/RCI e por responsividade ainda não confirmada, recomenda-se interpretar mudanças com cautela e sempre ancorar em: (a) relato clínico de mudança, (b) medidas de função sexual e (c) indicadores relacionais/psicopatológicos relevantes.
A respeito de sua vida sexual, responda às afirmações a seguir.
Symonds, T., Boolell, M., & Quirk, F. (2005). Development of a questionnaire on sexual quality of life in women. Journal of sex & marital therapy, 31(5), 385-397. https://doi.org/10.1080/00926230591006502
Pereira, A. D. S., & Souza, W. F. D. (2022). Adaptação transcultural e validade do Questionnaire on Sexual Quality of Life–Female (SQoL-F) para o Brasil. Jornal Brasileiro de Psiquiatria, 71, 168-175.https://doi.org/10.1590/0047-2085000000372