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O Registro de Monitoramento de Atividades é um instrumento clínico idiográfico fundamentado na Terapia de Ativação Comportamental (BA) e na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). Seu propósito é monitorar o padrão diário de atividades do paciente e as respostas emocionais associadas, permitindo ao clínico compreender a relação entre comportamento, contexto e humor.
A literatura em terapia comportamental demonstra que o monitoramento sistemático de atividades é não apenas um meio de avaliação, mas também um elemento ativo de mudança terapêutica. Ao registrar suas ações cotidianas, o paciente passa a observar a própria rotina, identificar períodos de maior ou menor engajamento e reconhecer os efeitos de certas atividades sobre seu bem-estar emocional.
Público-alvo
Adultos e adolescentes em psicoterapia individual ou em grupo, especialmente em casos de depressão, anedonia, ansiedade, procrastinação e metas relacionadas a rotina.
Finalidade
Identificar padrões comportamentais, períodos de inatividade, evitação ou sobrecarga, e orientar a construção de um plano de ativação gradual.
Fenômeno psicológico avaliado
Frequência e diversidade de atividades, relação entre comportamento e humor, padrão de reforçamento ambiental e nível de engajamento funcional.
Forma de aplicação
O paciente preenche o registro diariamente, preferencialmente ao longo do dia ou à noite, e discute os resultados na sessão subsequente.
Este Registro é uma ferramenta na avaliação e intervenção em Ativação Comportamental, pois fornece um retrato detalhado da rotina do paciente, evidenciando o quanto sua vida cotidiana está alinhada (ou não) com fontes naturais de reforço e bem-estar.
Identificação de padrões comportamentais
Amplitude de atividades: baixa variedade e longos períodos sem registro podem indicar retraimento, inatividade ou anedonia.
Rotina rígida ou repetitiva: pode refletir funcionamento automático, perfeccionismo ou desinteresse generalizado.
Atividades prazerosas versus obrigatórias: o equilíbrio entre ambas indica nível de adaptação e flexibilidade comportamental.
Momentos de maior engajamento: revelam pistas sobre contextos reforçadores que podem ser expandidos no plano terapêutico.
Relação entre atividade e humor
O acompanhamento das variações de humor (0-10) e senso de prazer ou domínio (0-10) ao longo do dia fornece dados funcionais sobre contingências de reforço.
Atividades com baixo prazer e baixo domínio sugerem ambientes empobrecidos; altos níveis em ambos indicam reforço positivo natural.
O padrão pode orientar o clínico na construção de uma hierarquia de atividades, do mais simples ao mais recompensador.
Função terapêutica do registro
O ato de registrar já promove auto-observação e autorregulação, elementos terapêuticos centrais da BA.
A análise colaborativa dos registros reforça a autonomia do paciente e a compreensão funcional do comportamento.
A ausência de preenchimento pode ser interpretada como comportamento de esquiva ou indicador de baixa motivação, devendo ser abordada sem julgamento.
Integração clínica
Os dados deste Registro podem ser integrados com: Escala de Ativação Comportamental para Depressão (BADS); Diário de Humor; Registros de Pensamentos Automáticos; Formulários de Planejamento de Atividades.
Em conjunto, essas ferramentas favorecem uma avaliação funcional contextualizada e uma formulação de caso precisa, guiando intervenções graduais e individualizadas.
Cuidados éticos e limitações
O terapeuta deve esclarecer que o instrumento não é avaliativo nem moralizante; o objetivo é compreender e não julgar comportamentos.
Recomenda-se evitar o uso isolado do Registro como indicador de progresso, devendo sempre ser complementado por entrevistas clínicas, observações e medidas psicométricas.
Este registro serve para te ajudar a observar como você tem passado seus dias.
Durante a semana, anote o que você faz em em determinadas partes do seu dia e como se sente depois de cada atividade.
Tente registrar também seu nível de humor e o quanto sentiu prazer ou sensação de realização (use uma escala de 0 a 10).
Não há respostas certas ou erradas, o objetivo é conhecer melhor sua rotina e descobrir o que te ajuda a se sentir melhor.
Construída e desenvolvida por Natália Matteoli Abatti (CRP-08/35785)
Martell, C. R., Dimidjian, S., & Herman-Dunn, R. (2021). Behavioral activation for depression: A clinician's guide. Guilford Publications
Kanter, J. W., Busch, A. M., & Rusch, L. C. (2009). Behavioral activation: Distinctive features. Routledge