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O Questionário Roland-Morris é uma medida de autorrelato/intrevista destinada a avaliar incapacidade funcional associada à dor lombar. Ele não mede diretamente intensidade de dor nem estabelece diagnóstico etiológico da lombalgia; seu foco é o impacto da dor nas costas sobre atividades cotidianas, mobilidade, autocuidado, repouso, sono, participação doméstica e dependência funcional.
Tempo médio de aplicação:
5 minutos
População-alvo:
Pacientes com dor lombar crônica
Usos recomendados:
Clinicamente, o RMDQ é mais adequado como medida complementar em avaliação de dor crônica, triagem funcional, planejamento terapêutico e monitoramento de evolução. Em psicologia clínica, pode auxiliar a mapear padrões de restrição de atividade, dependência, evitação funcional, prejuízo de sono, irritabilidade e perda de participação cotidiana.
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 24 itens
Tipo de resposta: Itens dicotômicos. Cada item é pontuado como 1 quando a afirmação descreve o paciente “hoje” e 0 quando não descreve.
Organização: Os estudos brasileiros não validaram subescalas nem variância explicada por fator.
2. Descrição das subescalas, dimensões ou fatores:
O instrumento não possui subescalas validadas nos estudos enviados. Assim, a interpretação psicométrica formal deve usar o escore total. Para leitura clínica qualitativa, sem valor de subescala validada, os itens podem ser organizados por conteúdo funcional:
Mobilidade e locomoção: itens 3, 5, 10, 11, 12, 17 e 23. Escores positivos nesses itens sugerem dificuldade para caminhar, subir escadas, permanecer em pé, abaixar-se, ajoelhar-se ou levantar-se.
Atividades domésticas e participação funcional: itens 1, 4, 8, 20, 21 e 24. Indicam restrição de atividades em casa, maior permanência sentado/deitado e dependência de terceiros.
Autocuidado: itens 9, 16 e 19. Sugerem prejuízo em vestir-se, colocar meias ou necessidade de ajuda.
Repouso, sono e sintomas associados: itens 2, 6, 13, 14, 15 e 18. Indicam desconforto postural, necessidade de repouso, dor persistente, dificuldade para virar-se na cama, apetite reduzido ou sono prejudicado.
Impacto emocional/interpessoal relacionado à dor: item 22. Indica irritabilidade ou mau humor associados à dor lombar.
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
A pontuação é feita pela soma simples dos itens marcados, variando de 0 a 24. Quanto maior o escore, maior o grau de incapacidade funcional relacionada à lombalgia.
4. Mudança clínica e sensibilidade:
Os estudos enviados não apresentam RCI (Reliable Change Index) nem MCID (Minimal Clinically Important Difference) para a versão brasileira. Portanto, o instrumento pode ser reaplicado para monitoramento, mas mudanças pequenas no escore devem ser interpretadas com cautela.
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
O estudo brasileiro de 2001 não apresenta análise fatorial exploratória ou confirmatória, cargas fatoriais, RMSEA, CFI ou estrutura multidimensional validada. Portanto, a versão deve ser interpretada principalmente como uma escala total unidimensional de incapacidade funcional relacionada à dor lombar. Também não há normatização populacional brasileira ampla; as evidências disponíveis derivam de amostras clínicas relativamente pequenas ou de pacientes em tratamento fisioterapêutico.
6. Sugestões para análise clínica:
Deve ser combinado com entrevista clínica, análise funcional do comportamento, histórico médico/fisioterapêutico e observação do impacto da dor na rotina. O RMDQ não deve ser usado isoladamente para diagnóstico psicológico, diagnóstico médico, decisão pericial ou conclusão sobre incapacidade laboral.
Quando suas costas doem, você pode encontrar dificuldade em fazer algumas coisas que normalmente faz. As questões a seguir possuem algumas frases que as pessoas têm utilizado para se descreverem quando sentem dores nas costas. Quando você ler estas frases pode notar que algumas se destacam por descrever você hoje. Ao ler a lista pense em você hoje. Quando você ler uma frase que descreve você hoje, responda "sim". Se a frase não descreve você, então responda "não" e siga para a próxima frase. Lembre-se, responda sim apenas à frase que tiver certeza que descreve você hoje.
Roland, M., & Morris, R. (1983). A study of the natural history of back pain: part idevelopment of a reliable and sensitive measure of disability in low-back pain. Spine, 8(2), 141-144. https://doi.org/10.1097/00007632-198303000-00004
Nusbaum, L., Natour, J., Ferraz, M. B., & Goldenberg, J. (2001). Translation, adaptation and validation of the Roland-Morris questionnaire-Brazil Roland-Morris. Brazilian Journal of Medical and Biological Research, 34(2), 203-210. https://doi.org/10.1590/S0100-879X2001000200007
Costa, L. O. P., Maher, C. G., Latimer, J., Ferreira, P. H., Pozzi, G. C., & Ribeiro, R. N. (2007). Psychometric characteristics of the Brazilian-Portuguese versions of the functional rating index and the Roland Morris disability questionnaire. Spine, 32(17), 1902-1907. https://doi.org/10.1097/BRS.0b013e31811eab33