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A Escala AQ10 avalia traços do Transtorno do Espectro Autista (TEA) em adultos, com foco em dificuldades de comunicação social, rigidez comportamental e padrões restritos de interesse. Fundamenta-se no modelo dimensional do espectro autista e busca identificar possíveis manifestações clínicas leves ou subclínicas do autismo. Seu objetivo é o rastreamento inicial de indivíduos que podem se beneficiar de uma avaliação diagnóstica especializada.
Um guia de referência rápido para adultos com suspeita de autismo que não tem deficiência de aprendizagem. (Tradução Versão Português, Brasil Instituto de Pesquisas Neuropsiquiátricas, SUAV – Waldir Toledo, 2020).
Tempo médio de aplicação
Aproximadamente 3 minutos.
População-alvo
Adultos (>18 anos), sem deficiência intelectual associada.
Situações recomendadas
Rastreamento clínico inicial de traços do espectro autista, encaminhamento para avaliação diagnóstica formal, estudos populacionais e pesquisas epidemiológicas sobre TEA em adultos.
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 10.
Tipo de resposta: dicotômica (concordância total ou parcial = 1 ponto em itens selecionados).
Organização em subescalas: estrutura de 5 fatores (duplas de itens), sem nomes temáticos definidos, mas com base na estrutura da AQ50.
2. Descrição das subescalas e fatores:
Fator 1 – Inferência Social: dificuldade em interpretar intenções e pistas sociais (itens 5 e 10), carga fatorial: 0,97 cada.
Fator 2 – Flexibilidade Cognitiva: dificuldade em realizar múltiplas tarefas e retornar a tarefas após interrupção (itens 3 e 4), carga: 0,98 cada.
Fator 3 – Mentalização: dificuldades em imaginar estados mentais (itens 7 e 9), carga: 0,92 e 0,39.
Fator 4 – Percepção Sensorial e Detalhismo: foco em detalhes e sons sutis (itens 1 e 2), carga: 0,30 e 0,77.
Fator 5 – Compreensão emocional e interesses restritos: reconhecimento de tédio no interlocutor e interesse por categorias (itens 6 e 8), carga: 0,69 e 0,47.
Variância explicada total: 69% (F1 = 21%, F2 = 20%, F3 = 12%, F4 = 8%, F5 = 8%).
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
Método de cálculo: soma dos pontos (0 a 10).
Valores possíveis: mínimo 0, máximo 10.
Pontos de corte clínico (validados pelo estudo):
Escore > 6 (ou seja, 7 ou mais): indica alto risco para TEA.
Sensibilidade = 78%, especificidade = 87%, AUROC = 0,89.
4. Mudança clínica e sensibilidade:
Não foram avaliadas propriedades de estabilidade temporal (teste-reteste).
Pode ser reaplicado em triagens ou reavaliações clínicas, com cautela, especialmente se integrado a outras medidas.
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
Não deve ser usado isoladamente para diagnóstico.
Aplicável apenas a adultos sem deficiência intelectual associada.
Amostra restrita (universitários, maioria jovem e com alta escolaridade).
Diagnóstico clínico foi estabelecido com base em entrevista e avaliação de perfil em redes sociais - método preliminar.
Pode ser influenciado por outras condições associadas (ex.: esquizofrenia, TDAH, AH/S), não controladas no estudo.
6. Sugestões para análise clínica:
Escores altos podem indicar dificuldades adaptativas importantes na vida acadêmica, social e ocupacional.
Pontuação elevada nos itens 3, 4, 5 ou 10 pode sinalizar dificuldades práticas em ambientes dinâmicos e exigentes socialmente.
Pode auxiliar em formulações de caso que envolvam suspeitas de TEA nível 1 de suporte ou TEA com alto funcionamento.
Recomenda-se o uso junto a entrevista clínica, dados observacionais e histórico de desenvolvimento.
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Booth, T., Murray, A. L., McKenzie, K., Kuenssberg, R., O’Donnell, M., & Burnett, H. Brief Report: An Evaluation of the AQ-10 as a Brief Screening Instrument for ASD in Adults. Journal of Autism and Developmental Disorders. 2013; 43(5): 1234-1240. doi:10.1007/s10803-013-1844-5.
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