Como corrigir e interpretar a AQ-10
Metodologia de correção, faixas de pontuação e interpretação da Autism Spectrum Quotient - Adult (AQ-10) — conteúdo educativo e de referência para profissionais de saúde mental.
Última atualização:
Sobre a AQ-10
A Escala AQ10 avalia traços do Transtorno do Espectro Autista (TEA) em adultos, com foco em dificuldades de comunicação social, rigidez comportamental e padrões restritos de interesse. Fundamenta-se no modelo dimensional do espectro autista e busca identificar possíveis manifestações clínicas leves ou subclínicas do autismo. Seu objetivo é o rastreamento inicial de indivíduos que podem se beneficiar de uma avaliação diagnóstica especializada.
Um guia de referência rápido para adultos com suspeita de autismo que não tem deficiência de aprendizagem. (Tradução Versão Português, Brasil Instituto de Pesquisas Neuropsiquiátricas, SUAV – Waldir Toledo, 2020).
Tempo médio de aplicação
Aproximadamente 3 minutos.
População-alvo
Adultos (>18 anos), sem deficiência intelectual associada.
Situações recomendadas
Rastreamento clínico inicial de traços do espectro autista, encaminhamento para avaliação diagnóstica formal, estudos populacionais e pesquisas epidemiológicas sobre TEA em adultos.
Como pontuar a AQ-10
- 1
Some os itens
Some os pesos das respostas de cada item, respeitando os itens de pontuação reversa quando houver.
- 2
Aplique o método de cálculo
Aplique o método de cálculo do instrumento e de cada subescala, quando existirem.
- 3
Localize a pontuação na faixa
Localize a pontuação total na faixa de interpretação correspondente — validada para a população brasileira.
- Número de itens
- 10 itens
- Faixa teórica de pontuação
- 0 – 10 pontos
Faixas de pontuação e o que indicam
As faixas seguem a validação para a população brasileira — consulte as referências.
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 10.
Tipo de resposta: dicotômica (concordância total ou parcial = 1 ponto em itens selecionados).
Organização em subescalas: estrutura de 5 fatores (duplas de itens), sem nomes temáticos definidos, mas com base na estrutura da AQ50.
2. Descrição das subescalas e fatores:
Fator 1 – Inferência Social: dificuldade em interpretar intenções e pistas sociais (itens 5 e 10), carga fatorial: 0,97 cada.
Fator 2 – Flexibilidade Cognitiva: dificuldade em realizar múltiplas tarefas e retornar a tarefas após interrupção (itens 3 e 4), carga: 0,98 cada.
Fator 3 – Mentalização: dificuldades em imaginar estados mentais (itens 7 e 9), carga: 0,92 e 0,39.
Fator 4 – Percepção Sensorial e Detalhismo: foco em detalhes e sons sutis (itens 1 e 2), carga: 0,30 e 0,77.
Fator 5 – Compreensão emocional e interesses restritos: reconhecimento de tédio no interlocutor e interesse por categorias (itens 6 e 8), carga: 0,69 e 0,47.
Variância explicada total: 69% (F1 = 21%, F2 = 20%, F3 = 12%, F4 = 8%, F5 = 8%).
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
Método de cálculo: soma dos pontos (0 a 10).
Valores possíveis: mínimo 0, máximo 10.
Pontos de corte clínico (validados pelo estudo):
Escore > 6 (ou seja, 7 ou mais): indica alto risco para TEA.
Sensibilidade = 78%, especificidade = 87%, AUROC = 0,89.
4. Mudança clínica e sensibilidade:
Não foram avaliadas propriedades de estabilidade temporal (teste-reteste).
Pode ser reaplicado em triagens ou reavaliações clínicas, com cautela, especialmente se integrado a outras medidas.
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
Não deve ser usado isoladamente para diagnóstico.
Aplicável apenas a adultos sem deficiência intelectual associada.
Amostra restrita (universitários, maioria jovem e com alta escolaridade).
Diagnóstico clínico foi estabelecido com base em entrevista e avaliação de perfil em redes sociais - método preliminar.
Pode ser influenciado por outras condições associadas (ex.: esquizofrenia, TDAH, AH/S), não controladas no estudo.
6. Sugestões para análise clínica:
Escores altos podem indicar dificuldades adaptativas importantes na vida acadêmica, social e ocupacional.
Pontuação elevada nos itens 3, 4, 5 ou 10 pode sinalizar dificuldades práticas em ambientes dinâmicos e exigentes socialmente.
Pode auxiliar em formulações de caso que envolvam suspeitas de TEA nível 1 de suporte ou TEA com alto funcionamento.
Recomenda-se o uso junto a entrevista clínica, dados observacionais e histórico de desenvolvimento.
| Faixa / interpretação | Pontuação |
|---|---|
Sugere uma menor probabilidade de TEA. | 0 – 5 |
Sugere maior probabilidade de TEA. | 6 – 10 |
Referências
Paula, C. S., Ribeiro, S. H., Fombonne, E., & Mercadante, M. T. Tradução e validação da AQ-10 para o Português Brasileiro. Revista Brasileira de Psiquiatria. 2018.
Booth, T., Murray, A. L., McKenzie, K., Kuenssberg, R., O’Donnell, M., & Burnett, H. Brief Report: An Evaluation of the AQ-10 as a Brief Screening Instrument for ASD in Adults. Journal of Autism and Developmental Disorders. 2013; 43(5): 1234-1240. doi:10.1007/s10803-013-1844-5.
Allison, C., Auyeung, B., & Baron-Cohen, S. Psychometric Concerns with the 10-item Autism-Spectrum Quotient (AQ-10) as a Measure of Trait Autism in the General Population. Journal of Autism and Developmental Disorders. 2013; 43: 2345-2350. doi:10.1017/exp.2019.3.
Desenvolvedores
Allison C, Baron-Cohen S, Wheelwright S, et al. Short versions of the Autism Spectrum Quotient and Quantitative Checklist for Autism in Toddlers. J Am Acad Child Adolesc Psychiatry. 2012;51(2):202-212.
Perguntas frequentes
- Quantos itens tem a AQ-10?
- A Autism Spectrum Quotient - Adult (AQ-10) é composta por 10 itens.
- Qual é a pontuação total da AQ-10?
- A pontuação total da AQ-10 varia de 0 a 10 pontos.
- Como interpretar a pontuação da AQ-10?
- A pontuação é interpretada nas seguintes faixas, validadas para a população brasileira: Sugere uma menor probabilidade de TEA. (0–5); Sugere maior probabilidade de TEA. (6–10). A interpretação é educativa e não substitui o julgamento clínico.
- É possível aplicar e corrigir a AQ-10 online?
- Sim. Na HumanTrack você aplica a Autism Spectrum Quotient - Adult (AQ-10) — e outros instrumentos validados de domínio público — com correção normatizada automática e acompanhamento da evolução do paciente ao longo do tempo, em conformidade com CFP e LGPD. As faixas de interpretação seguem a literatura de validação para a população brasileira.
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