Objetivo Clínico do Instrumento
Este Registro de Automonitoramento foi desenvolvido para capturar dados idiográficos e contextualizados sobre a experiência diária de adultos diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista (TEA), com foco em:
Dificuldades de leitura social e comunicação interpessoal: registrando situações de incompreensão, mal-entendidos ou desconforto em contextos sociais
Manifestações de sobrecarga sensorial: identificando gatilhos e respostas comportamentais relacionadas ao processamento sensorial
Fadiga e exaustão social: monitorando a ressaca social pós-interações e necessidades de recuperação 4. Ansiedade situacional: avaliando níveis de ansiedade em contextos sociais específicos
Bem-estar e autenticidade: rastreando momentos de conforto, aceitação e expressão autêntica
Este instrumento opera sob o paradigma idiográfico (focado no indivíduo), permitindo capturar as singularidades da experiência de cada pessoa autista. Complementa a avaliação clínica por permitir identificação de padrões funcionais, gatilhos contextuais e respostas de regulação em tempo real.
Público-Alvo do Instrumento
Adultos (18+) com diagnóstico de TEA (Nível de Suporte 1) ou que apresente sintomas e queixas similares de desafios primários em leitura social, comunicação e regulação sensorial; que iniciaram ou estão em processo de psicoterapia individual.
Finalidade do Instrumento
Clínica: Fornecer ao terapeuta dados estruturados sobre padrões de dificuldade interpessoal, gatilhos sensoriais e respostas emocionais/comportamentais, facilitando formulação de caso, hipóteses diagnósticas sobre déficits específicos e planejamento de intervenções personalizadas
Automonitoramento: Ampliar a consciência do paciente sobre seus próprios padrões, gatilhos e estratégias de regulação, promovendo maior autonomia e compreensão de si
Avaliação de mudança: Rastrear mudanças ao longo do tempo em relação às intervenções terapêuticas (antes/depois de técnicas de habilidades sociais, manejo sensorial, comunicação autêntica)
Validade ecológica: Capturar dados em contexto real (cotidiano do paciente), não em ambiente artificial, refletindo verdadeiros desafios funcionais
Fenômeno Psicológico Avaliado
O instrumento avalia a interação dinâmica entre processamento sensorial atípico, dificuldades na teoria da mente e desafios adaptativos sociais em adultos com TEA, contextualizados por:
Processamento sensorial: Como o indivíduo percebe, filtra e responde a estímulos do ambiente
Compreensão social: Capacidade de interpretar pistas sociais implícitas, intenções e contexto
Regulação emocional e comportamental: Estratégias utilizadas para lidar com desconforto sensorial e social
Fadiga relacionada ao esforço social: Depleção de recursos cognitivos/emocionais pósinterações
Expressão autêntica vs. camuflagem: Nível de autenticidade versus esforço adaptativo para se encaixar
Limitações e Cuidados Específicos
Viés de recordação: Como o preenchimento é diário (ao final do dia), pode haver esquecimento de detalhes. Orientar o paciente a fazer anotações breves durante o dia se possível.
Efeito de reatividade: O ato de monitorar pode alterar o comportamento. Enquadrar como observação, não como avaliação de "certo/errado"
Compreensão variável de construtos: Adultos com TEA podem ter dificuldade em nomear emoções ou entender questões abstratas. Usar linguagem concreta; oferecer exemplos; revisar respostas em sessão
Não substitui entrevista clínica: os dados são complementares. Sempre integrar com impressões clínicas diretas
Risco de foco negativo excessivo: Registrar apenas dificuldades pode reforçar visão negativa de si.
Adesão: Alguns pacientes podem abandonar o registro após algumas semanas ou dias, vale revisar regularmente em sessão, oferecer reforço positivo, adaptar formato conforme necessário.