Carregando instrumento...
Última atualização:
O CompACT (Comprehensive assessment of Acceptance and Commitment Therapy Processes) é uma medida geral de flexibilidade psicológica baseada no modelo da Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT). Ele organiza os seis processos centrais da ACT (aceitação, desfusão, contato com o momento presente, self como contexto, valores e ação comprometida) em três processos diádicos/fatores: Abertura à experiência (aceitação + desfusão); Consciência comportamental (atenção ao momento presente / mindfulness de ações); Ações comprometidas (valores + ação comprometida). O CompACT tem como objetivo avaliar, de forma multidimensional, em que medida a pessoa é capaz de aceitar experiências internas, manter consciência do que faz no presente e agir de forma consistente com seus valores, mesmo na presença de sofrimento emocional.
Tempo médio de aplicação:
Aproximadamente 05 a 08 minutos
População-alvo:
Adultos (≥18 anos)
Usos recomendados:
- Investigação de processos de mudança em ACT, incluindo análises de mediação/moderação (por exemplo: se mudanças em Abertura, Consciência ou Ações comprometidas mediam a redução de sintomas).
- Avaliação transdiagnóstica em contextos clínicos, permitindo mapear padrões de esquiva experiencial, fusão cognitiva, desatenção comportamental e engajamento em valores.
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 21 itens
Tipo de resposta: Escala Likert de 1 a 6 (0 = “Discordo totalmente” a 6 = “Concordo totalmente”).
Organização: Três subescalas: Abertura à Experiência (AE), Consciência Comportamental (CC) e Ações Comprometidas (AC)
2. Descrição das subescalas, dimensões ou fatores:
Ações Comprometidas (AC) = Processo ACT: valores + ação comprometida.
Escores altos: indicam que a pessoa conhece seus valores, os utiliza para guiar decisões e é capaz de manter-se engajada em metas relevantes mesmo com desconforto emocional.
Escores baixos: sugerem baixa clarificação de valores, dificuldades em transformar valores em ação, abandono fácil de metas quando surgem emoções ou situações difíceis.
Consciência Comportamental (CC) = Processo ACT: contato com o momento presente / mindfulness aplicado ao comportamento.
Escores altos: indicam maior atenção ao que se está fazendo, percepção de ações no aqui-e-agora, menor automatismo.
Escores baixos: sugerem forte tendência a funcionar em piloto automático, com menor monitoramento das próprias ações, o que pode favorecer padrões de esquiva automática, ruminação e desengajamento.
Abertura à Experiência (AE) = Processo ACT: aceitação + desfusão.
Escores altos: indicam maior aceitação de experiências internas (pensamentos, emoções, sensações), com menor necessidade de controle/evitação e maior capacidade de observar pensamentos como eventos mentais (“pensamentos são apenas pensamentos”).
Escores baixos: refletem esquiva experiencial e fusão cognitiva: forte esforço para controlar/eliminar sentimentos, evitar situações potencialmente desconfortáveis, interpretar pensamentos como comandos ou verdades literais.
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
- Os estudos não apresentam pontos de corte validados para uso clínico (diagnóstico ou classificação em faixas de gravidade).
- Recomenda-se utilizar o CompACT como medida dimensional e de processo, não como marcador categórico de presença/ausência de transtorno.
4. Mudança clínica e sensibilidade:
- Nenhum de validação relata teste–reteste, RCI (Reliable Change Index) ou MCID (Minimal Clinically Important Difference).
- Clinicamente, o CompACT pode ser utilizado para monitoramento longitudinal, mas qualquer inferência de “mudança confiável” deve ser feita com cautela, usando múltiplas informações (entrevista, outros instrumentos, funcionamento global).
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
Uso isolado: não deve ser usado sozinho para diagnóstico; avalia processos transdiagnósticos de flexibilidade/inflexibilidade, não transtornos específicos.
Amostra de validação:
Versão original e brasileira foram validadas em amostras não clínicas, o que limita generalização para populações psiquiátricas graves, internações, adolescentes ou idosos frágeis.
Viés amostral: amostra brasileira majoritariamente feminina, o que pode influenciar algumas relações entre variáveis; ausência de análise de invariância fatorial por sexo, idade ou contexto clínico.
Ausência de validade preditiva (p.ex., predição de recaída, resposta a tratamento) e de estudos de invariância entre culturas.
Os autores destacam que, embora o CompACT cubra três grandes domínios da flexibilidade, não há itens explícitos de “self como contexto”, o que limita a cobertura completa do hexaflex.
6. Sugestões para análise clínica:
a) Triagem e formulação de caso
Utilize o CompACT para identificar padrões de inflexibilidade que atravessam diagnósticos:
AE baixa → foco em esquiva experiencial, fusão com pensamentos (“não posso sentir isso”, “preciso controlar tudo”).
CC baixa → atuação automática, pouca discriminação de contingências, ruminação em detrimento do aqui-e-agora.
AV baixa → vida pouco orientada por valores, desmotivação, sensação de falta de sentido.
Integre os escores com:
Entrevista clínica estruturada ou semiestruturada;
Medidas de sintomatologia (p.ex., DASS-21, BDI, BAI);
Indicadores de funcionamento (trabalho, relações, autocuidado).
b) Planejamento de intervenção em ACT
Abertura à experiência (AE)
Escores baixos → priorizar técnicas de desfusão (ex.: exercícios com pensamentos como eventos mentais), aceitação (exposição a emoções) e práticas de compaixão.
Consciência comportamental (CC)
Escores baixos → focar em mindfulness orientado à ação: exercícios de atenção à atividade atual, monitoramento de comportamento e pausa consciente antes de responder.
Ações Comprometidas (AC)
Escores baixos → trabalhar clarificação de valores, construção de metas graduais, planejamento de passos concretos e uso de monitoramento de ações baseadas em valores (por exemplo, agendas de atividades significativas).
c) Monitoramento de progresso
Reaplicações periódicas (por exemplo, a cada 4–6 semanas) podem ajudar a verificar se:
Abertura está aumentando (menos luta com experiências internas);
Consciência comportamental está melhorando (menos piloto automático);
Ações comprometidas se tornam mais frequentes (maior engajamento em valores, mesmo com sintomas).
Mudanças no CompACT devem ser sempre interpretadas em conjunto com mudanças em sintomas, relato qualitativo e observações clínicas.
A seguir, você encontrará algumas afirmações sobre como você costuma lidar com seus pensamentos, emoções e comportamentos no dia a dia. Por favor, leia cada frase com calma e marque a opção que melhor representa como isso costuma ser verdadeiro para você, de acordo com a sua experiência real. Não há respostas certas ou erradas.
Francis, A. W., Dawson, D. L. & Golijani-Moghaddam, N. (2016). The development and validation of the Comprehensive assessment of Acceptance and Commitment Therapy processes (CompACT). Journal of Contextual Behavioral Science, 5(3), 134-145. https://doi.org/10.1016/j.-jcbs.2016.05.003
Machado, A. B. C., de Souza, L. H., Zancan, R. K., Dillenburg, M. S., & da Silva Oliveira, M. (2023). Adaptação e Validação do Comprehensive assessment of Acceptance and Commitment Therapy Processes (CompACT). Avaliaçao Psicologica: Interamerican Journal of Psychological Assessment, 22(1), 73-81. https://doi.org/10.15689/ap.2023.2201.22930.08
A implementação do instrumento foi realizada mediante aprovação da Dra. Margareth Oliveira, coordenadora do Grupo de Avaliação e Acompanhamento Psicológico em Contextos Clínicos (GAAPCC), responsável pelos estudos de validação. Informações institucionais adicionais podem ser consultadas no site oficial do grupo (GAAPCC, https://www.gaapcc.com/).