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O Copenhagen Burnout Inventory - versão brasileira (CBI-Br) é um instrumento voltado para a avaliação do síndrome de burnout (SB) em trabalhadores, com ênfase nos aspectos de exaustão física, emocional e psicológica. Ele é fundamentado na concepção teórica de que o burnout é essencialmente um estado de exaustão, causado por demandas crônicas no ambiente de trabalho.
Tempo médio de aplicação
Aproximadamente 5 a 10 minutos.
População-alvo
Adultos trabalhadores, especialmente servidores acadêmicos e professores universitários
Usos recomendados
Triagem clínica de burnout, apoio à formulação diagnóstica, monitoramento longitudinal de sintomas, avaliação de programas de prevenção e intervenção ocupacional, pesquisa sobre saúde mental ocupacional
1. Estrutura do instrumento:
Total de itens: 19
Formato de resposta: escala Likert de 5 pontos (frequência/intensidade)
2. Descrição das subescalas, dimensões ou fatores:
Burnout Pessoal (PB): mede exaustão física, emocional e psicológica do indivíduo em sua vida pessoal. Itens: 1, 2, 3, 4, 5 e 6.
Burnout Relacionado ao Trabalho (WB): avalia o impacto do trabalho sobre o esgotamento físico e emocional. Itens: 7, 8, 9, 10, 11 e 12.
Burnout Relacionado ao Cliente/Paciente (CB): mede o desgaste decorrente do convívio com colegas de trabalho. Itens: 14, 15, 16, 17 e 18.
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
Pontuação mínima por subescala: 0
Pontuação máxima por subescala: 100
Pontuação:
Sempre / Em grau muito elevado = 100
Frequentemente / Em grau elevado = 75
Às vezes / Em certo grau = 50
Raramente / Em grau baixo = 25
Nunca / Em grau muito baixo = 0
Cálculo da pontuação: média aritmética dos itens de cada subescala
Pontuação final: quanto maior a média, maior o nível de burnout percebido
3.1. Pontos de corte clínico:
O estudo brasileiro de validação do CBI em trabalhadores universitários (Rocha et al., 2020) não apresenta pontos de corte clínicos. Por isso, as faixas interpretativas sugeridas baseiam-se em estudos internacionais que utilizam escores médios como referência para risco clínico (Kristensen et al., 2005; Lapa et al., 2018; Papaefstathiou et al., 2019; Sestili et al., 2018).
4. Mudança clínica e sensibilidade:
Pode ser reaplicado ao longo do tempo como ferramenta de monitoramento, preferencialmente em intervalos trimestrais ou semestrais.
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
Não deve ser utilizado isoladamente para diagnósticos
Deve ser complementado por entrevista clínica e avaliação contextual
O instrumento não diferencia esgotamento por causas internas vs. externas (ambiguidade entre PB e WB)
Risco de subestimação de sintomas em respondentes com estratégias defensivas ou alexitimia
6. Sugestões para análise clínica:
Escores elevados em PB indicam risco generalizado de esgotamento, sugerindo necessidade de intervenções psicossociais de suporte global
Escores elevados em WB indicam sofrimento diretamente relacionado às condições de trabalho - útil para formulação de hipóteses sobre sobrecarga ou demandas desproporcionais
Escores elevados em CB apontam conflitos interpessoais ou desgaste nas relações profissionais - guiam intervenções focadas em habilidades sociais, mediação ou suporte institucional
A ausência de validade discriminante entre PB e WB requer análise clínica cuidadosa das narrativas subjetivas do paciente
Subescalas podem ser utilizadas para orientar intervenções específicas (ex.: redução de carga de trabalho, supervisão clínica, grupos de apoio emocional)
Pode ser utilizado junto a instrumentos como SRQ-20, PHQ-9 ou DASS-21 para triagem transdiagnóstica em contextos ocupacionais
Este questionário contém perguntas sobre suas experiências recentes no trabalho e, se aplicável, em relação ao contato com clientes ou pacientes. Responda de maneira honesta e espontânea, com base no que você tem vivenciado nos últimos meses.
Kristensen TS, Borritz M, Villadsen E, Christensen KB. (2005). The Copenhagen Burnout Inventory: a new tool for the assessment of burnout. Work & Stress, 19(3), 192-207.
Rocha, F. L. R., de Jesus, L. C., Marziale, M. H. P., Henriques, S. H., Marôco, J., & Bonini Campos, J. A. D. (2020). Burnout syndrome in university professors and academic staff members: Psychometric properties of the Copenhagen Burnout Inventory–Brazilian version. Psicologia: Reflexão e Crítica, 33, 11. https://doi.org/10.1186/s41155-020-00151-y
World Health Organization. (2010). mhGAP Intervention Guide for mental, neurological and substance use disorders in non-specialized health settings: Mental Health Gap Action Programme (mhGAP).
American Psychological Association. (2013). Guidelines for psychological assessment and evaluation. APA.