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O Copenhagen Burnout Inventory (CBI) avalia o fenômeno da síndrome de burnout (SB), com foco em fadiga física e exaustão emocional como núcleo do construto. Seu desenvolvimento buscou superar limitações teóricas e psicométricas de instrumentos anteriores, como o MBI, propondo uma abordagem mais centrada na exaustão percebida em diferentes contextos de vida e trabalho.
O instrumento foi originalmente desenvolvido por Kristensen et al. (2005) e vem sendo utilizado internacionalmente em diferentes populações. Esta versão brasileira foi adaptada e validada para profissionais da saúde.
Tempo médio de aplicação
Aproximadamente 5 a 10 minutos.
População-alvo
Adultos trabalhadores, especialmente profissionais da saúde
Usos recomendados
Triagem clínica de burnout, apoio à formulação diagnóstica, monitoramento longitudinal de sintomas, avaliação de programas de prevenção e intervenção ocupacional, pesquisa sobre saúde mental ocupacional
1. Estrutura do instrumento:
Total de itens: 19
Formato de resposta: escala Likert de 5 pontos (frequência/intensidade)
Pontuação:
Sempre / Em grau muito elevado = 100
Frequentemente / Em grau elevado = 75
Às vezes / Em certo grau = 50
Raramente / Em grau baixo = 25
Nunca / Em grau muito baixo = 0
Cálculo da pontuação: média aritmética dos itens de cada subescala
Pontuação final: quanto maior a média, maior o nível de burnout percebido
2. Descrição das subescalas, dimensões ou fatores:
Burnout Pessoal (PB): Avalia exaustão física e emocional geral do indivíduo, independentemente do trabalho. Itens: 1, 2, 3, 4, 5 e 6. Associado ao Fator 1
Burnout Relacionado ao Trabalho (WB): Mede exaustão atribuída diretamente às atividades profissionais. Itens: 7, 8, 9, 10, 11, 12 e 13. Associado ao Fator 1
Burnout Relacionado ao Cliente/Paciente (CB): Avalia exaustão decorrente do contato interpessoal com pacientes/clientes. Itens: 14, 15, 16, 17, 18 e 19. Associado ao Fator 2
Variância explicada: não foi reportada no artigo
Observação: PB e WB apresentaram sobreposição significativa, sendo considerados conjuntamente no Fator 1. Isso indica uma correlação entre esses domínios, ou seja, em contextos clínicos, muitas vezes a exaustão pessoal e a exaustão relacionada ao trabalho são vividas como uma mesma experiência. a análise fatorial foi exploratória, não normativa.
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
Pontuação mínima por subescala: 0
Pontuação máxima por subescala: 100
3.1. Pontos de corte clínico:
O estudo brasileiro de validação do CBI (Moser et al., 2023) não apresenta pontos de corte clínicos. Por isso, as faixas interpretativas sugeridas baseiam-se em estudos internacionais que utilizam escores médios como referência para risco clínico (Kristensen et al., 2005; Lapa et al., 2018; Papaefstathiou et al., 2019; Sestili et al., 2018).
4. Mudança clínica e sensibilidade:
Pode ser reaplicado em avaliações periódicas, sugerindo-se intervalo mínimo mensal em contextos ocupacionais
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
Não deve ser usado isoladamente para diagnóstico clínico
Deve ser complementado por entrevista clínica e outros indicadores qualitativos
A aplicação em amostras não representadas (ex.: adolescentes, população geral) deve ser feita com cautela
A coleta por amostragem online limita a validade externa dos resultados
6. Sugestões para análise clínica:
PB elevado pode indicar exaustão generalizada, mesmo fora do trabalho - investigar sintomas depressivos e hábitos de autocuidado
WB elevado aponta sofrimento atrelado a condições laborais - útil na avaliação de riscos psicossociais no trabalho
CB elevado revela desgaste nas relações interpessoais ocupacionais → atenção a conflitos, empatia reduzida, retraimento social
Subescalas podem ser utilizadas para orientar intervenções específicas (ex.: redução de carga de trabalho, supervisão clínica, grupos de apoio emocional)
Pode ser combinado com instrumentos como DASS-21, PHQ-9, WHO-5 ou escalas de satisfação no trabalho, para formulação de caso mais abrangente
Este questionário contém perguntas sobre suas experiências recentes no trabalho e, se aplicável, em relação ao contato com clientes ou pacientes. Responda de maneira honesta e espontânea, com base no que você tem vivenciado nos últimos meses.
Kristensen TS, Borritz M, Villadsen E, Christensen KB. (2005). The Copenhagen Burnout Inventory: a new tool for the assessment of burnout. Work & Stress, 19(3), 192-207. https://doi.org/10.1080/02678370500297720
Moser, C. M., Tietbohl-Santos. B., Arenas, D. L., Xavier. A., Ornell. F., Borges, R. B. et al. (2023). Psychometric properties of the Brazilian Portuguese version of the Copenhagen Burnout Inventory (CBI) in healthcare professionals. Trends Psychiatry Psychother, 45, 1-4. https://doi.org/10.47626/2237-6089-2021-0362
Lapa, T., Carvalho, S., Viana, J., Ferreira, P. L., Pinto-Gouveia, J., & Cabete, A. B. (2018). Development and evaluation of a global burnout index derived from the use of the Copenhagen Burnout Inventory in Portuguese physicians. Acta Médica Portuguesa, 31(11), 534–541. https://doi.org/10.20344/amp.10407
Papaefstathiou, E., Tsounis, A., Malliarou, M., & Sarafis, P. (2019). Translation and validation of the Copenhagen Burnout Inventory amongst Greek doctors. Health Psychology Research, 7(1), 15–20. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC6763708/
Sestili, C., Scalingi, S., Cianfanelli, S., Mannocci, A., Del Cimmuto, A., De Sio, S., & La Torre, G. (2018). Reliability and use of the Copenhagen Burnout Inventory in an Italian sample of university professors. International Journal of Environmental Research and Public Health, 15(4), 1–11. https://doi.org/10.3390/ijerph15081708