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Este diário é um instrumento idiográfico de automonitoramento em tempo real para rastrear fadiga ao longo do dia em pessoas adultas com fadiga persistente, especialmente em condições autoimunes e/ou crônicas (ex.: lúpus eritematoso sistêmico, artrite inflamatória, esclerose múltipla, condições psicopatológicas crônicas). Os elementos que fundamentam este instrumento é a possibilidade de descrever informações relevantes para monitoramento e correlação entre atividades e sintomas, podendo também ser usado para agendamento de atividades (behavioral activation).
Público-alvo
Adultos (18+) em atendimento ambulatorial no SUS, rede suplementar ou clínicas-escola, com fadiga significativa, e profissionais de saúde mental e saúde física que queiram integrar dados ecológicos à avaliação clínica de seus pacientes particulares.
Foco do Instrumento
Flutuações intraindividuais de fadiga e sua relação com contexto situacional (atividade, local, companhia), sintomas associados (ex.: dor, névoa cognitiva), padrões de esforço/recuperação (pacing/“envelope de energia”) e respostas a intervenções (ex.: psicoeducação, atividade física adaptada, manejo de sono).
Finalidade do Instrumento
Apoiar formulação de caso, planejamento de intervenções (ex.: manejo de rotinas, pacing), avaliação de risco de piora (pós-esforço) e acompanhamento de desfechos.
Fenômeno psicológico avaliado
Intensidade subjetiva de fadiga (dimensão contínua 0-10) e seus correlatos emocionais, físicos, comportamentais, cognitivos e contextuais, com ênfase em doenças autoimunes e/ou crônicas e condições com fadiga central.
Usos clínicos e contextuais para trabalho interdisciplinar:
Reumatologia/Imunologia: a fadiga é altamente prevalente e multidimensional em condições inflamatórias; diretrizes europeias recentes recomendam intervenções personalizadas e auto-monitoramento para manejo (Dures et al., 2024)
Neurologia (EM): escalas brasileiras validadas (MFIS-BR; NFI-MS/BR) mostram a relevância funcional da fadiga e sustentam a necessidade de monitoramento contínuo (Pavan, 2007).
ME/CFS: diretriz NICE (2021) destaca manejo centrado no pacing/planejamento de energia, não oferecendo GET como tratamento e posicionando a TCC como suporte ao manejo e bem-estar. O monitoramento ajuda a detectar piora pós-esforço.
Oncologia e condições crônicas: estudo-prova de conceito com feedback personalizado indica viabilidade para fadiga relacionada ao câncer (Bootsma, 2022).
Limitações e cuidados
Não substitui entrevista clínica e a avaliação médica (quando é o caso); fadiga pode refletir atividade inflamatória, anemia, alterações tireoidianas, efeitos de fármacos etc. Interpretação deve considerar comorbidades (p. ex., depressão, problemas no sono) e determinantes sociais (trabalho informal, cuidado não remunerado).
Significado das respostas:
Intensidade Principal (0-10): valores médios elevados (≥6) ao longo de ≥3 dias sugerem fadiga clinicamente relevante; elevações reativas após blocos de esforço apontam padrão de exacerbação pós-esforço.
Padrões diários/semanais: picos matinais ou vespertinos podem indicar interações com medicação, sono ou temperatura e ambiente relacionado ao local físico. O monitoramento capta dinâmica temporal e relações com humor/atividade.
Dimensões associadas:
Emocional: irritabilidade/tristeza elevadas junto à fadiga sugerem alvos para TCC (Terapia Cognitiva-Comportamental) e manejo de regulação emocional.
Física: dor e sensação gripal elevadas com fadiga podem refletir atividade inflamatória; discutir com equipe médica.
Comportamental: alternância “tudo ou nada” (overdoing/underdoing) sugere treinar pacing e rotinas graduais. Evidências de pacing mostram benefício em CFS/ME; diretrizes recentes o priorizam.
Cognitiva: quando há “névoa mental” com fadiga alta pode indicar manejo de higiene do sono e pausas cognitivas estratégicas.
Social: maior fadiga em contextos de cuidado doméstico/trabalho informal pode orientar adaptações no cotidiano.
Operacional (rotina/sono/medicação): correlações com horas de sono, horários de imunossupressores/analgésicos.
Cuidados éticos e limitações:
Uso isolado? Não. Sempre complementar por entrevista clínica e avaliação profissional (de preferência com um médico para trabalho e manejo interdisciplinar), sobretudo quando há diagnóstico de doenças autoimunes.
Risco de uso indevido: prescrever exercício padronizado sem respeitar sinais de exacerbação pós-esforço em ME/CFS vai contra a diretriz NICE 2021; use pacing e metas graduais individualizadas.
Sugestões para perguntas complementares (se aplicável, duplicar o modelo do instrumento atual e adaptar conforme o caso):
1) Contexto Social: Com quem você estava? (sozinho(a), família, colegas de trabalho, amigos, cuidando de alguém, público/filas, outro).
2) Contexto Espacial: Onde você estava? (casa, trabalho, trânsito/transporte, serviço de saúde, ao ar livre, estabelecimento comercial, outro).
3) Sintomas Associados (0-10 cada): Dor; Névoa mental; Tontura/ortostatismo; Sono/sonolência; Humor triste/irritado; Fraqueza muscular.
4) Estratégias de Enfrentamento usadas: Pausa breve; Dividir tarefa; Reduzir estímulos; Hidratar/lanche; Alongar/relaxar; Medicação conforme prescrição; Contato social; Pacing/ajuste de meta; Outro.
5) Fatores Protetivos: O que te ajudou neste período?
6) Observações: Gostaria de acrescentar algo importante?
Este diário/registro é super rápido e ajuda você e sua equipe de saúde a entender como sua fadiga muda ao longo do dia e o que pode piorá-la ou melhorá-la.
Dê uma nota de 0 (sem fadiga) a 10 (fadiga máxima) para como se sentiu naquele período.
Marque gatilhos que possam ter influenciado (ex.: esforço físico, calor, estresse, dor, ruído, jejum, noite mal dormida).
Registre o que você fez para lidar (pausa, fracionar tarefa, hidratar, alongar, repousar, tomar medicação).
Construída e desenvolvida por Natália Matteoli Abatti (CRP-08/35785)
Dures, E., Farisoğulları, B., Santos, E. J. F., Molto, A., Feldthusen, C., Harris, C., ... & Machado, P. M. (2024). 2023 EULAR recommendations for the management of fatigue in people with inflammatory rheumatic and musculoskeletal diseases. Annals of the rheumatic diseases, 83(10), 1260-1267.
Pavan, K., Schmidt, K., Marangoni, B., Mendes, M. F., Tilbery, C. P., & Lianza, S. (2007). Multiple sclerosis: cross-cultural adaptation and validation of the modified fatigue impact scale. Arq. Neuro-Psiquiatr., 65(3A), 669-673
UK, N. G. C. (2021). Monitoring and reviewing people with ME/CFS: Myalgic encephalomyelitis (or encephalopathy)/chronic fatigue syndrome: diagnosis and management
Bootsma, T. I., Schellekens, M. P., Van Woezik, R. A., Slatman, J., & Van Der Lee, M. L. (2022). Using smartphone-based ecological momentary assessment and personalized feedback for patients with chronic cancer-related fatigue: A proof-of-concept study. Internet interventions, 30, 100568