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Este instrumento tem como objetivo monitorar os episódios de obsessões, emoções associadas e respostas (compulsões/rituais e estratégias alternativas) em pacientes com Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC).
Público-alvo
Adultos em tratamento de TOC em serviços clínicos de saúde (clínica privada, SUS ou convênios) e em contextos de TCC individual ou grupal; pode ser adaptado para adolescentes com supervisão.
Foco deste diário:
Registrar intensidade da obsessão/desconforto, contextos (atividade, local, companhia), gatilhos, respostas (compulsões/evitação) e estratégias alternativas coerentes com EPR (Exposição e Prevenção de Resposta).
OBS: As Diretrizes do Consórcio Brasileiro (BJP, 2023) recomendam TCC com EPR como tratamento psicológico de primeira linha para adultos com TOC (Mathis, et al., 2023).
Finalidade
Apoiar a formulação de caso, planejar hierarquias de exposição e acompanhar mudanças semanais, alinhado às recomendações clínicas brasileiras.
Fenômeno avaliado
Intrusões obsessivas (pensamentos, imagens, impulsos), afeto associado (ex.: ansiedade, nojo, culpa), e padrões de resposta/ritual (lavagem, checagem, busca de garantia, neutralizações cognitivas), que são alvos diretos da EPR conforme literatura nacional (Cordioli, 2008).
Como utilizar?
Preenchimento breve no momento do evento (ou o mais próximo possível); revisão semanal com o profissional para selecionar exercícios de exposição, prevenir respostas ritualísticas e monitorar adesão.
Principais usos clínicos/contextuais: (a) mapear gatilhos e rotas de ritualização no contexto brasileiro (casa, trabalho, transporte, serviços públicos), (b) orientar EPR graduada, (c) avaliar progressão por escores 0-10 e frequência diária. Evidências brasileiras sustentam TCC/EPR e a mensuração dimensional de sintomas e domínios com escalas padronizadas também (ex.: OCI-R BR).
Limitações e cuidados: o diário não substitui avaliação diagnóstica, e recomenda-se medições com escalas padronizadas para mensuração complementar (ex.: OCI-R, Y-BOCS). Deve ser integrado à TCC e/ou manejo medicamentoso quando indicado pelas diretrizes brasileiras.
Significado das respostas:
Intensidade 0-10: aproxima a gravidade momentânea (efeito alvo da EPR). Quedas sustentadas em contextos anteriormente ansiogênicos sugerem habitação/extinção conforme TCC/EPR.
Gatilhos + Contextos (atividade/local/companhia): informam discriminadores para construir hierarquias de exposição culturalmente pertinentes (ex.: ônibus lotado, banheiros públicos, escritórios compartilhados).
Resposta: diferencia compulsão/evitação vs estratégia alternativa (aceitação da ansiedade, permanecer na situação, não ritualizar), alinhado à Prevenção de Resposta.
Identificação de padrões: observar cadeias: gatilho específico → obsessão → ritual típico → alívio breve; frequência diária e situações com maior impedimento funcional (trabalho, estudo, autocuidado). Estudos nacionais descrevem benefícios da EPR (individual/grupo) e integração com farmacoterapia quando necessário.
Subescalas/Dimensões funcionais (multidimensional):
Emocional: ansiedade/nojo/culpa, etc (0-10).
Comportamental (resposta): grau de ritualização vs. adesão à prevenção de resposta (auto-relato).
Contexto social/espacial: sozinho vs. acompanhado; casa vs. local público.
Motivação/autoeficácia: “vontade de realizar EPR” (0-10).
Esses domínios se conectam às recomendações brasileiras para personalizar EPR por subtipo (contaminação/lavagem; checagem; ordem/simetria; pensamentos conisderados proibidos; acumulação).
Integração com avaliação clínica: utilizar o diário junto de medidas padronizadas e validadas no Brasil (p.ex., OCI-R para subtipos/sintomas), além de entrevista clínica estruturada.
Cuidados éticos e limitações:
Não utilizar isoladamente para diagnóstico ou tomada de decisão.
Risco de uso indevido: reforço de verificação/ruminação ao “monitorar demais”; mitigar com instrução clara de foco em exposição e não-ritualização.
Deve ser sempre complementado por entrevista clínica e supervisão.
Sugestões para análise clínica:
Tendência semanal dos escores 0-10 por situação: guiar ordem e doses de EPR.
Maior prejuízo funcional (evitação de trabalho/estudo, higiene extrema, atrasos) indica prioridade na hierarquia e pode sinalizar necessidade de comanejo medicamentoso.
Este diário ajuda você e seu terapeuta a entender quando e onde aparecem as obsessões, como você se sente e o que faz em seguida. Use notas curtas. Não há respostas certas ou erradas, preencha de acordo com o que mais faz sentido para você.
Construída e desenvolvida por Natália Matteoli Abatti (CRP-08/35785)
Mathis, M. A. D., Chacon, P., Boavista, R., de Oliveira, M. V. S., de Barros, P. M. F., Echevarria, M. A. N., ... & Costa, D. L. D. C. (2023). Brazilian Research Consortium on Obsessive-Compulsive Spectrum Disorders guidelines for the treatment of adult obsessive-compulsive disorder. Part II: cognitive-behavioral therapy. Brazilian Journal of Psychiatry, 45, 431-447
Cordioli, A. V. (2008). A terapia cognitivo-comportamental no transtorno obsessivo-compulsivo. Brazilian Journal of Psychiatry, 30, s65-s72