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O Emotion Regulation Checklist (ERC) é um instrumento de heterorrelato destinado à avaliação da regulação emocional infantil, com foco em dois domínios: Regulação Emocional (RE) e Labilidade/Negatividade Emocional (L/N). No estudo brasileiro, a RE é descrita como expressão emocional apropriada, empatia e autoconsciência emocional; a L/N cobre falta de flexibilidade, reatividade, desregulação da raiva e labilidade do humor. O artigo situa o instrumento no campo da competência socioemocional infantil e do funcionamento social/comportamental.
Tempo médio de aplicação:
10 minutos
População-alvo:
A população-alvo avaliada pelo ERC são crianças. No estudo brasileiro, a validação foi feita com crianças de 3 a 12 anos. Quem responde ao instrumento não é a criança, mas um adulto que a conheça bem, como pais, cuidadores ou professores.
Usos recomendados:
Triagem socioemocional, apoio à formulação de caso, levantamento de hipóteses sobre autorregulação, investigação transdiagnóstica e eventual monitoramento complementar, sempre com cautela. O instrumento não deve ser usado isoladamente para diagnóstico.
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 24 itens
Tipo de resposta: escala frequência de 4 pontos (1 = Nunca a 5 = Quase sempre )
Organização: Duas dimensões = Regulação Emocional (RE) e Labilidade/Negatividade Emocional (L/N)
2. Descrição das subescalas, dimensões ou fatores:
Labilidade/Negatividade Emocional (L/N):
Mede instabilidade afetiva, reatividade, explosões de raiva, baixa tolerância à frustração, impulsividade e expressão emocional desregulada. Escores mais altos indicam maior labilidade emocional.
Regulação Emocional (RE):
Mede autoconsciência emocional, expressão emocional apropriada, empatia, recuperação após afeto negativo e manejo adaptativo das emoções. Escores mais altos indicam maior regulação emocional.
Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
O estudo não apresenta pontos de corte validados. O próprio estudo brasileiro afirma que ainda não foram conduzidos estudos normativos. Portanto, não há base, para classificar escores em faixas clínicas fixas.
Método de pontuação: Média dos itens por subescala (Mínimo = 1; Máximo = 4)
4. Mudança clínica e sensibilidade:
O estudo não apresenta dados sobre sensibilidade à mudança clínica. Não há dados de teste-reteste, RCI, MCID ou frequência recomendada de reaplicação. Embora o artigo cite que o ERC já foi usado em estudos internacionais como medida pré e pós-intervenção, essa informação é contextual e não constitui evidência brasileira de responsividade.
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
É relevante não comparar de modo ingênuo respostas de diferentes informantes. O artigo mostra que o ERC reflete não apenas o comportamento da criança, mas também a percepção do observador. Assim, divergências entre pais e professores podem ser clinicamente informativas: podem indicar variabilidade situacional, exigências contextuais diferentes ou diferenças de oportunidade observacional.
Portanto, em psicodiagnóstico e formulação de caso, o ERC deve ser lido ao lado de entrevista clínica, observação, histórico desenvolvimental e, idealmente, outras fontes padronizadas de comportamento e habilidades sociais.
O instrumento não deve ser utilizado isoladamente para decisões diagnósticas. As principais limitações do estudo são: amostra não probabilística, ausência de grupos-critério, ausência de normas e baixa concordância entre avaliadores. Isso reduz a segurança para inferências normativas e reforça um uso complementar, não conclusivo. Em contexto clínico, o ERC é mais útil como organizador de hipóteses do que como marcador decisório isolado.
6. Sugestões para análise clínica:
Um perfil de L/N alta + RE baixa sustenta hipótese de maior desorganização emocional, baixa tolerância à frustração, impulsividade, reatividade interpessoal e risco de prejuízos em competência social e comportamento. Esse perfil apareceu associado a hiperatividade, problemas externalizantes, problemas internalizantes e menor autocontrole/civilidade, sobretudo quando o informante era o cuidador. Já escores mais altos em RE estiveram ligados a maior amabilidade, assertividade, iniciativa social e responsabilidade. Clinicamente, isso torna o ERC útil para levantar hipóteses sobre o eixo autorregulação–competência social–problemas de comportamento.
Por favor, leia as afirmações e selecione a opção que melhor identifica aquilo que acontece com a criança que você está avaliando. Se você acha que a criança apresenta bastante do comportamento descrito na sentença marque “3” (muitas vezes) ou “4” (quase sempre), caso contrário, marque “1” (nunca) ou “2” (algumas vezes). Utilize a legenda para marcar as sentenças conforme você acha que os comportamentos descritos acontecem com a criança.
Legenda: 1. Nunca | 2. Algumas vezes | 3. Muitas vezes | 4. Quase sempre
Shields, A. M., & Cicchetti, D. (1995). The development of an emotion regulation assessment battery: Reliability and validity among at-risk grade-school children. Paper presented at the biennial meeting of the Society for Research on Child Development, Indianapolis.
Reis, A. H., Oliveira, S. E. S., Bandeira, D. R., Andrade, N. C., Abreu, N., & Sperb, T. M. (2016). Emotion Regulation Checklist (ERC): Preliminary studies of cross-cultural adaptation and validation for use in Brazil. Temas em Psicologia, 24(1), 63-82. https://doi.org/10.9788/TP2016.1-06.