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A Escala Breve de Resiliência (Brief Resilience Scale - BRS) foi desenvolvida para avaliar resiliência no sentido estrito de “capacidade de se recuperar/voltar ao nível prévio após estresse/adversidade” (“bounce back”), diferenciando-se de instrumentos que medem recursos protetivos (p.ex., otimismo, suporte social) em vez da recuperação em si. No estudo brasileiro, o foco permanece esse construto central, sustentando o uso transcontextual (não restrito a trabalho, saúde etc.).
Tempo médio de aplicação:
3 minutos
População-alvo:
Adultos jovens
Usos recomendados:
Triagem de vulnerabilidade ao estresse e recuperação;
Formulação de caso transdiagnóstica;
Definição de alvos terapêuticos;
Monitoramento de processo (com cautela);
Avaliação de resposta a intervenções focadas em estresse;
Risco psicossocial em contextos de vida adversos.
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 5 itens
Tipo de resposta: escala Likert de 5 pontos (1 = Discordo totalmente a 5 = Concordo totalmente)
Organização: unidimensional (resiliência)
2. Descrição das subescalas, dimensões ou fatores:
A escala capta principalmente a rapidez e facilidade percebidas para se recompor diante de adversidades, incluindo itens que refletem tanto recuperação rápida quanto dificuldade persistente de se reestabilizar.
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
O estudo não apresenta normas populacionais (percentis, T-scores) nem pontos de corte clínico.
A amostra é não representativa e não clínica, limitando inferências normativas e uso diagnóstico direto.
Método de pontuação: Média dos itens (após inversão das assertivas negativas) --> Min = 1, Max= 5.
Escore mais alto (após recodificação dos itens “negativos”): sugere maior capacidade percebida de se recompor após eventos estressantes/contratempos.
Escore mais baixo: sugere maior dificuldade de recuperação, com possível tendência a permanecer por mais tempo em estados de impacto do estresse.
4. Mudança clínica e sensibilidade:
O estudo não apresenta teste–reteste, RCI ou MCID, nem dados de sensibilidade à mudança clínica. Portanto, o uso para monitoramento longitudinal pode ser clinicamente útil como medida breve de autorrelato, mas sem parâmetros psicométricos locais para interpretar “mudança confiável/clinicamente significativa”.
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
Não usar isoladamente para decisões diagnósticas, prognósticas ou comparações normativas: amostras não clínicas e não representativas, ausência de normas e cutoffs brasileiros.
6. Sugestões para análise clínica:
Triagem de vulnerabilidade ao estresse: escores baixos podem sinalizar um alvo clínico transversal relevante (dificuldade de “voltar ao baseline”), especialmente quando a queixa envolve manutenção de sintomas após eventos estressores.
Formulação de caso: integrar o escore com (a) entrevista clínica sobre adversidades recentes, (b) estratégias de coping, (c) suporte social e (d) sintomas internalizantes; a própria literatura do estudo original argumenta que a BRS captura um componente específico (recuperação), distinto de “recursos”.
Planejamento terapêutico: um escore baixo pode orientar intervenções focadas em regulação emocional, reestruturação cognitiva pós-evento, habilidades de enfrentamento e rotinas de recuperação (sono/atividade), sempre ancoradas na avaliação clínica e no contexto do paciente (sem inferir causalidade a partir da BRS).
Por favor, indique em que medida você concorda com cada uma das afirmações a seguir.
Smith, B. W., Dalen, J., Wiggins, K., Tooley, E., Christopher, P., & Bernard, J. (2008). The brief resilience scale: Assessing the ability to bounce back. International Journal of Behavioral Medicine, 15(3), 194– 200. https://doi.org/10.1080/10705500802222972
Coelho, G. L. H. de, Hanel, P. H., Medeiros Cavalcanti, T., Teixeira Rezende, A., & Veloso Gouveia, V. (2016). Brief Resilience Scale: Testing its factorial structure and invariance in Brazil. Universitas Psychologica, 15(2), 397-408. https://doi.org/10.11144/Javeriana.upsyl5-2.brst
Monteiro, R. P., Monteiro, T. M. C., da Silva, P. D. G., de Queiroz, A. I. S., de Souza, T. M., & de Holanda Coelho, G. L. (2022). Brief Resilience Scale: Ampliando suas evidências psicométricas em contexto brasileiro. Salud & Sociedad, 12, e4950-e4950. 10.22199/issn.0718-7475-4950