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A Escala de Autoeficácia Criativa para Organizações (EAEC) avalia a crença do trabalhador em sua capacidade de produzir resultados criativos no contexto laboral. No estudo brasileiro, o construto é definido como a crença do indivíduo sobre sua capacidade de ser criativo, geralmente ancorada no contexto situacional, organizacional ou da tarefa; teoricamente, a medida se apoia na teoria da autoeficácia de Bandura e na literatura sobre criatividade no trabalho, especialmente a formulação original de Tierney e Farmer (2002).
Tempo médio de aplicação:
3 minutos
População-alvo:
Trabalhadores adultos
Usos recomendados:
Investigação de crenças de capacidade criativa no trabalho, pesquisa organizacional, análise de fatores associados à inovação e ao engajamento, e acompanhamento de intervenções organizacionais voltadas à criatividade. Para uso clínico, a extrapolação deve ser cautelosa: o artigo brasileiro foi conduzido em psicologia organizacional, não em amostra clínica, e não oferece normas clínicas, pontos de corte diagnósticos ou estudos de sensibilidade terapêutica.
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 4 itens
Tipo de resposta: escala Likert de 7 pontos (1 = Discordo fortemente a 7 = Concordo fortemente).
Organização: Dimensão única – Autoeficácia Criativa
2. Descrição das subescalas, dimensões ou fatores:
Mede a crença do indivíduo de que consegue gerar ideias, resolver problemas de maneira criativa e contribuir criativamente também em contextos coletivos. Os 4 itens validados na versão brasileira são:
“Eu sinto que sou bom/boa em criar ideias inovadoras.”
“Eu confio na minha habilidade para resolver problemas de maneira criativa.”
“Eu tenho um talento especial para desenvolver ainda mais as ideias de outras pessoas.”
“Eu sou bom/boa em achar formas criativas de resolver problemas.”
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
Média dos itens: 1,0 a 7,0
Escores mais altos indicam maior crença na própria capacidade de produzir respostas criativas no trabalho; escores mais baixos sugerem menor confiança para gerar ideias, resolver problemas de forma criativa ou ampliar ideias de terceiros.
O estudo não apresenta pontos de corte validados para classificação clínica, ocupacional ou diagnóstica.
4. Mudança clínica e sensibilidade:
O estudo não apresenta dados sobre sensibilidade à mudança clínica. Também não apresenta RCI (Reliable Change Index), MCID (Minimal Clinically Important Difference), teste-reteste, intervalo ideal de reaplicação nem responsividade a intervenções.
Assim, embora a EAEC seja breve e potencialmente reaplicável em monitoramento, o uso longitudinal deve ser feito com cautela e com foco em comparação descritiva, não em inferência de mudança clinicamente significativa validada. Em contexto clínico, isso significa que variações de escore podem ser úteis como sinal complementar, mas não devem ser interpretadas isoladamente como evidência robusta de progresso terapêutico.
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
A EAEC não deve ser utilizada isoladamente para decisões diagnósticas, prognósticas ou de seleção de alto impacto. O próprio campo de origem do instrumento é organizacional, e a validação brasileira oferece evidências iniciais de validade, não um sistema de classificação clínica. Além disso, a amostra brasileira foi de conveniência, online, com concentração em trabalhadores com escolaridade elevada, o que limita a generalização para outros perfis ocupacionais e para populações clínicas.
6. Sugestões para análise clínica:
Para psicólogos clínicos, a EAEC pode entrar como medida complementar em casos de:
dificuldade de retomada ocupacional;
baixa autoconfiança diante de tarefas complexas;
sofrimento relacionado a desempenho, perfeccionismo ou medo de errar;
intervenções focadas em flexibilidade cognitiva, resolução de problemas e funcionamento ocupacional.
Ela tende a ganhar valor interpretativo quando combinada com entrevista clínica e com medidas de:
autoeficácia geral e ocupacional;
engajamento/burnout;
sintomas ansiosos e depressivos;
funcionamento ocupacional e qualidade de vida.
Leia cada afirmação com atenção e responda pensando em como você costuma se perceber no seu trabalho atual. Não existem respostas certas ou erradas: o importante é marcar a opção que melhor representa sua experiência real. Considere situações típicas do seu dia a dia profissional ao avaliar sua capacidade de ter ideias novas, resolver problemas de forma criativa e desenvolver soluções a partir das ideias de outras pessoas. Responda a todos os itens de forma espontânea e sincera.
Tierney, P., & Farmer, S. M. (2002). Creative self-efficacy: Its potential antecedents and relationship to creative performance. Academy of Management journal, 45(6), 1137-1148. https://doi.org/10.5465/3069429
Costa, R. B., de Freitas, C. P. P., Damásio, B. F., & Martins, L. F. (2021). Adaptação transcultural e evidências de validade da escala de autoeficácia criativa para organizações. Revista Pretexto, 22(3), 5. https://dialnet.unirioja.es/servlet/articulo?codigo=10219747