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A Basic Empathy Scale (BES) é um instrumento de autorrelato desenvolvido por Darrick Jolliffe e David P. Farrington para avaliar empatia como um construto bidimensional, composto por empatia afetiva (compartilhar o estado emocional do outro) e empatia cognitiva (compreender o estado emocional do outro). A formulação teórica adotada pelos autores deriva da definição de Cohen e Strayer, centrada em “entender e compartilhar o estado emocional ou contexto emocional de outra pessoa”, com esforço explícito para diferenciar empatia de simpatia e para medir cognição empática de modo mais específico do que escalas anteriores.
Tempo médio de aplicação:
7 minutos
População-alvo:
Adultos da população geral
Usos recomendados:
Triagem dimensional de empatia, investigação transdiagnóstica de funcionamento interpessoal, estudos sobre comportamento pró-social/antissocial, avaliação complementar em casos com hipóteses de dificuldades socioemocionais, e acompanhamento clínico exploratório com cautela metodológica.
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 19 itens
Tipo de resposta: escala Likert de 5 pontos (1 = discordo totalmente a 5 = concordo totalmente)
Organização: 2 subescalas (empatia afetiva e empatia cognitiva)
2. Descrição das subescalas, dimensões ou fatores:
1. Empatia afetiva
Mede a tendência a compartilhar emocionalmente estados afetivos de outras pessoas, especialmente tristeza, medo, tensão e mal-estar emocional.
2. Empatia cognitiva
Mede a capacidade de perceber, reconhecer e compreender como o outro se sente.
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
Método de pontuação: Média dos itens por subescalas
Os estudos não apresentam pontos de corte validados.
Também não apresentam classificação do tipo “baixo”, “moderado” ou “alto” baseada em amostras normativas clínicas. Portanto, a interpretação deve ser intraindividual e comparativa dentro do caso, ou então relativa a grupos de pesquisa específicos.
Escores baixos em empatia afetiva com empatia cognitiva relativamente preservada podem sugerir compreensão intelectual do estado alheio sem ressonância emocional correspondente. Esse perfil pode ser relevante em hipóteses de distanciamento afetivo interpessoal, frieza relacional ou dificuldades em inibir comportamentos potencialmente lesivos apesar de boa leitura social. Essa inferência é coerente com a lógica teórica do instrumento, mas não constitui marcador diagnóstico validado pelos artigos.
Escores baixos em empatia cognitiva com empatia afetiva relativamente mais alta podem indicar envolvimento emocional sem boa discriminação dos estados internos do outro, o que pode aparecer em relações intensas, porém confusas, com erros de leitura interpessoal ou tendência a reagir emocionalmente sem entendimento claro do contexto. Essa também é uma inferência clínica, não um ponto diagnóstico estabelecido pelos estudos.
4. Mudança clínica e sensibilidade:
O estudo original não apresenta RCI, não apresenta MCID e não estabelece frequência de reaplicação clínica. O estudo brasileiro também não apresenta dados sobre sensibilidade à mudança clínica. Embora os autores brasileiros mencionem que a medida poderá ser útil para monitorar mudanças em estudos futuros, isso aparece como perspectiva de pesquisa, não como evidência já demonstrada.
O estudo não apresenta dados sobre sensibilidade à mudança clínica.
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
A EEB não deve ser utilizada isoladamente para conclusões diagnósticas ou decisões de alto impacto. Trata-se de medida de autorrelato, portanto sujeita a limitações de introspecção, compreensão semântica dos itens e vieses de resposta. Embora o estudo original tenha encontrado ausência de correlação relevante com desejabilidade social, o estudo brasileiro reconhece explicitamente que não foi possível controlar esse efeito e recomenda novos estudos sobre o tema. Além disso, a amostra brasileira foi não probabilística, concentrada em adultos jovens, o que restringe generalizações para a população brasileira em geral, inclusive para adolescentes, adultos mais velhos e amostras clínicas.
6. Sugestões para análise clínica:
Clinicamente, a EEB pode ser combinada com entrevista clínica, observação do comportamento interpessoal, histórico de vínculos, medidas de personalidade e instrumentos de regulação emocional/mentalização. O próprio estudo original mostrou relações da BES com alexitimia, traços de personalidade, supervisão parental e comportamento pró-social, o que sugere utilidade para formulações de caso que articulem empatia com reconhecimento emocional, funcionamento interpessoal e contexto de desenvolvimento.
Leia cada afirmação com atenção e marque a alternativa que melhor descreve como você geralmente pensa, sente ou reage em relação às emoções de outras pessoas. Não existem respostas certas ou erradas; o mais importante é responder com sinceridade, considerando seu funcionamento habitual e não apenas situações muito específicas ou passageiras. Procure responder todos os itens, em ambiente tranquilo, sem pressa e sem discutir as respostas com outras pessoas durante o preenchimento. Caso alguma afirmação pareça ambígua, escolha a opção que mais se aproxima da sua experiência.
Jolliffe, D., & Farrington, D. P. (2006). Development and validation of the basic empathy scale. Journal of Adolescence, 29(4), 589-611. https://doi.org/10.1016/j.adolescence.2005.08.010
Loureto, G. D. L., Santos, L. C. D. O., Castelhano, M. V. C., Benevides, D. S., Lucena, H. H. D., & Leite, V. S. (2022). The Basic Empathy Scale: Evidence of internal structure in the Brazilian context. Psico-USF, 27(3), 581-593. https://doi.org/10.1590/1413-82712035270314