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A Escala de Esperança de Herth (Herth Hope Index) é um instrumento de autorrelato para mensurar esperança em adultos, com foco em contextos clínicos (doença aguda, crônica e terminal), permitindo triagem/monitoramento de estados de esperança ao longo do tempo.
A esperança é definida como uma força dinâmica multidimensional associada a expectativa confiante (ainda que incerta) de alcançar um bem considerado realisticamente possível e significativo.
Tempo médio de aplicação
1 a 4 minutos
População-alvo
Adultos
Usos recomendados
Triagem clínica e monitoramento longitudinal de esperança (instrumento foi concebido para reaplicações em diferentes intervalos).
Apoio à formulação de caso em cenários de doença crônica/oncologia/diabetes/cuidado paliativo e em cuidadores, como indicador clínico complementar.
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 12 itens
Tipo de resposta: escala Likert de 4 pontos (1 = Discordo completamente a 4 = Concordo completamente)
Organização: Os resultados da adaptação brasileira não replicou os fatores originais, de modo que o instrumento pode ser melhor administrado de modo unidimensional.
2. Descrição das subescalas, dimensões ou fatores:
Orientação temporal e expectativa de futuro; percepção de metas e sentido prospectivo (cognitivo–temporal); prontidão para agir, percepção de possibilidades, expectativa ativa e autoeficácia subjetiva (afetivo–comportamental); vínculos, suporte percebido, espiritualidade/consolo e recursos internos (afiliativo–contextual)..
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
Método de pontuação = Soma dos itens (pontuações maiores refletem maiores níveis de esperança).
O estudo original e as validações brasileiras apresentadas não trazem pontos de corte clínico validados para classificação (ex.: baixo/moderado/alto).
Uso recomendado: interpretação relativa (comparações intraindivíduo ao longo do tempo; comparação com médias da amostra do estudo quando útil).
4. Mudança clínica e sensibilidade:
O instrumento foi projetado para ser aplicado em intervalos seriados e captar variações de esperança.
Contudo, os estudos fornecidos não apresentam RCI/MCID nem parâmetros de sensibilidade à mudança (ex.: tamanho de efeito longitudinal), limitando inferências de “mudança clinicamente significativa” com base apenas no escore.
Aplicação prática: use a EEH/HHI para monitoramento (ex.: início de tratamento, mudanças clínicas, transições de cuidado), mas interprete variações com apoio de entrevista clínica, indicadores funcionais e medidas de humor/ansiedade.
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
Não usar isoladamente para decisões diagnósticas ou prognósticas; é um indicador de estado (esperança) e deve ser integrado a: entrevista, funcionamento, risco clínico, humor/depressão, rede de apoio. (Evidência indireta: correlações esperadas com depressão e desesperança.)
Atenção à estrutura fatorial no Brasil: a análise fatorial na amostra brasileira indicou composição diferente e até itens com cargas problemáticas em um método (ex.: item 2), o que sugere cautela ao interpretar “subescalas” rigidamente na EEH; clinicamente.
Embora a escala original tenha sido concebida de forma multidimensional, os estudos de validação no Brasil indicam que o uso de subescalas apresenta limitações psicométricas importantes. A análise fatorial pelo método de máxima verossimilhança não confirmou a divisão original, resultando em praticamente um único fator principal que concentrou a maioria dos itens. Além disso, ao tentar forçar a solução de três fatores, observou-se baixa carga fatorial em itens específicos (como o item 2) e a repetição de itens em diferentes dimensões (especialmente o item 12), o que compromete a pureza estatística e a interpretação isolada de cada subescala. Portanto, a utilização do escore total é recomendada por apresentar maior estabilidade e uma consistência interna robusta para a população brasileira.
6. Sugestões para análise clínica:
Perfil por itens/dimensões (além do total).
Pontuações baixas:
Trabalhar metas de curtíssimo prazo, psicoeducação sobre incerteza, recontratualização de futuro possível.
Intervenções de ativação comportamental, reestruturação de possibilidades, resgate de valores e fontes de sentido.
Fortalecimento de rede de apoio, intervenções focadas em vínculo, espiritualidade/meaning-making (quando alinhado ao paciente).
Combinações úteis (conforme os próprios estudos):
Com medidas de depressão para diferenciar baixa esperança como traço transdiagnóstico vs. rebaixamento de humor predominante.
A seguir, você encontrará algumas afirmações. Leia cada uma delas e selecione a opção que melhor representa o quanto você concorda com as afirmação neste momento.
Herth K. (1992). Abbreviated instrument to measure hope: development and psychometric evaluation. J Adv Nurs, 17(10), 1251-9. https://doi.org/10.1111/j.1365-2648.1992.tb01843.xDigital
Sartore, A. C., & Grossi, S. A. A. (2008). Escala de Esperança de Herth: instrumento adaptado e validado para a língua portuguesa. Revista da Escola de Enfermagem da USP, 42(2), 227-232. https://doi.org/10.1590/S0080-62342008000200003