Carregando instrumento...
Última atualização:
A versão resumida da Job Stress Scale (JSS) avalia o estresse ocupacional a partir do modelo Demanda-Controle-Apoio Social, proposto por Karasek & Theorell (1990). O instrumento investiga três dimensões fundamentais associadas ao risco psicossocial no ambiente de trabalho:
Demanda psicológica: pressões quantitativas e qualitativas do trabalho.
Controle sobre o trabalho: grau de autonomia e uso de habilidades.
Apoio social no trabalho: suporte de colegas e supervisores.
A escala baseia-se em um modelo teórico que associa a combinação de altas demandas e baixo controle a altos níveis de sofrimento psíquico (“job strain”), com implicações para saúde mental e física. O apoio social atua como moderador desses efeitos.
Tempo médio de aplicação
Cerca de 5 minutos
População-alvo
Trabalhadores adultos em geral
Situações recomendadas
Triagem clínica, apoio ao diagnóstico em sofrimento relacionado ao trabalho, avaliação de risco psicossocial, formulação de caso, monitoramento de intervenções e pesquisas em saúde do trabalhador.
1. Estrutura do instrumento:
Total de itens: 17 itens
Tipo de resposta: escala Likert de 4 pontos
Itens 1 a 11: Frequentemente / Às vezes / Raramente / Nunca ou quase nunca
Itens 12 a 17: Concordo totalmente / Concordo mais que discordo / Discordo mais que concordo / Discordo totalmente
2. Descrição das subescalas:
2.1. Subdividido em 3 dimensões (ou fatores):
Demanda psicológica (Itens - 1, 2, 3, 4 e 5): Avalia o grau de exigência do trabalho, incluindo rapidez, intensidade e conflitos de tarefas
Interpretação: escores altos podem indicar maior pressão no trabalho
Controle sobre o trabalho (Itens - 6, 7, 8, 9, 10 e 11): Avalia a autonomia e a utilização de habilidades no trabalho (com subdimensões - discernimento intelectual [itens 6, 7, 8 e 9 e autoridade para decisão [itens 10 e 11])
Interpretação: escores altos refletem maior autonomia e uso de competências
Apoio social (Itens - 12, 13, 14, 15, 16 e 17): Avalia a qualidade das relações interpessoais no ambiente de trabalho
Interpretação: escores altos indicam bom suporte de colegas e supervisores
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
Método de cálculo: Média dos itens por dimensão (não padronizado)
Valores possíveis por dimensão (O estudo brasileiro usa essas somas para calcular as análises, mas não define nenhum valor de corte [cutoff] para dizer se está “alto” ou “baixo”):
Demanda (5 itens, escore 1-4): 1 a 4.
Controle (6 itens, escore 1-4): 1 a 4.
Apoio social (6 itens, escore 1-4): 1 a 4.
Segundo o modelo teórico de Karasek, as médias das dimensões de Demanda e Controle permitem classificar o trabalhador em quatro perfis ocupacionais:
(1) Alto desgaste - alta demanda e baixo controle;
(2) Trabalho ativo - alta demanda e alto controle;
(3) Trabalho passivo - baixa demanda e baixo controle; e
(4) Baixo desgaste - baixa demanda e alto controle.
Embora o estudo brasileiro não defina pontos de corte para essas categorias, escores mais altos podem indicar maior presença da característica avaliada (ex.: maior pressão ou maior autonomia), e escores mais baixos podem refletir vulnerabilidades, como baixa autonomia ou pouco suporte no ambiente de trabalho.
4. Mudança clínica e sensibilidade:
O instrumento pode ser reaplicado para fins de monitoramento longitudinal, mas não há recomendação específica de frequência de reaplicação.
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
A JSS não deve ser utilizada isoladamente para tomada de decisão clínica
Deve ser complementada por entrevista clínica, análise da história ocupacional e outros indicadores contextuais
A escala não abrange todas as dimensões psicossociais do trabalho (ex.: violência, assédio, insegurança)
Uso indevido pode gerar interpretações simplistas ou deterministas do sofrimento no trabalho
6. Sugestões para análise clínica:
A dimensão Demanda pode estar associada a quadros de ansiedade e fadiga mental
A dimensão Controle aponta para sentimentos de impotência e desmotivação - importante em transtornos depressivos
A baixa no Apoio social pode estar associada a isolamento, insegurança e maior risco de burnout
Pode ser combinada com outros intrumentos de medida para aprimoramento na análise clínica (CBI, SRQ-20, entrevistas sobre história ocupacional e contexto organizacional, entre outros)
6.1. Os escores podem orientar intervenções como:
Psicoterapia focada em coping ocupacional
Encaminhamentos para avaliação de condições laborais
Estratégias de gestão de estresse e fortalecimento de rede de suporte
Por favor, responda a todas as perguntas sobre suas experiências no trabalho, de forma honesta e reflexiva. As opções de resposta variam entre frequente e nunca, refletindo sua percepção sobre o ambiente de trabalho.
Karasek, R., & Theorell, T. (1990). Healthy Work: Stress, Productivity, and the Reconstruction of Working Life. New York: Basic Books.
Alves, M. G. M., Chor, D., Faerstein, E., Lopes, C. S., & Werneck, G. L. (2004). Versão resumida da “Job Stress Scale”: adaptação para o português. Revista de Saúde Pública, 38(2), 164–171. https://www.scielosp.org/pdf/rsp/2004.v38n2/164-171/pt
Theorell, T., & Karasek, R. A. (1996). Current issues relating to psychosocial job strain and cardiovascular disease research. Journal of Occupational Health Psychology, 1(1), 9–26. https://doi.org/10.1037/1076-8998.1.1.9
Theorell, T. (1996). The demand-control-support model for studying health in relation to the work environment: An interactive model. In K. Orth-Gómer & N. Schneiderman (Eds.), Behavioral medicine approaches to cardiovascular disease (pp. 69–85). Lawrence Erlbaum Associates.
Theorell, T. (2000). Working conditions and health. In L. Berkman & I. Kawachi (Eds.), Social epidemiology (pp. 95–117). Oxford University Press.