Carregando instrumento...
Última atualização:
A Escala de Experiências Precoces de Vida (Early Life Experiences Scale - ELES) é um instrumento breve desenvolvido para avaliar recordações de ameaça, subordinação/submissão e sentimentos de (des)valorização vivenciados na infância. O modelo teórico que fundamenta o instrumento é a teoria do ranking social (Social Rank Theory), que compreende as relações pais–filhos também como relações de poder, onde experiências precoces de medo, ameaça e submissão podem influenciar o desenvolvimento de vulnerabilidades para depressão, vergonha externa e dificuldades nas comparações sociais.
Tempo médio de aplicação
5 minutos
População-alvo
Adultos (> 18 anos)
Usos recomendados
Triagem de experiências adversas subjetivas da infância
Formulação de caso
Avaliação de fatores de manutenção em depressão e vergonha
Monitoramento psicoterapêutico (com cautela; sem dados de responsividade)
Pesquisa em psicologia do desenvolvimento e psicopatologia
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 16 itens
Tipo de resposta: Escala Likert de 5 pontos (0 = “Nada verdadeiro” … 5 = “Extremamente verdadeiro”).
Organização: Três subescalas (Ameaça, Submissão e Desvalorização)
2. Descrição das subescalas, dimensões ou fatores:
Ameaça: Avalia recordações de ambiente familiar imprevisível, hostil ou intimidante. Sensação de perigo, vulnerabilidade e necessidade de vigilância.
Submissão: Avalia necessidade de ceder, evitar conflitos, comportamentos de apaziguamento. Subordinação autopercebida e estratégias defensivas para evitar punição.
Desvalorização: Avalia sensação subjetiva de ser aceito, valorizado e igual no contexto familiar. Menor carga de submissão/ameaça e maior afiliação.
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
Método de pontuação: Somas dos itens em cada subescala
O estudo original não apresenta pontos de corte validados.
Ameaça:
Escore alto: indica percepção de forte ameaça e medo dos pais.
Escore baixo: sugere ambiente percebido como estável/seguro.
Submissão:
Escore alto: maior tendência a recordar comportamentos de defesa, renúncia e autocensura.
Escore baixo: percepção de autonomia e maior agência pessoal.
Desvalorização (pontuação invertida):
Escore baixo: senti-se igual, relaxado e capaz de se expressar.
Escore alto: sentimentos de desvalorização, baixa importância e desigualdade.
4. Mudança clínica e sensibilidade:
O estudo não apresenta dados de sensibilidade à mudança, RCI ou MCID.
O teste-reteste sugere estabilidade temporal, mas não confirma responsividade terapêutica.
O instrumento pode ser reaplicado em monitoramento, mas com cautela e suporte clínico qualitativo.
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
- Não deve ser usado isoladamente para diagnóstico ou inferências de abuso;
- Baseia-se em recordações subjetivas, suscetíveis a viés de humor, memória e narrativa;
- Foi validado somente com universitários não clínicos; generalização é limitada;
- Ausência de normas clínicas ou valores de referência.
6. Sugestões para análise clínica:
6.1 Formulação de caso
Ameaça alta:
Pode indicar esquemas centrais de perigo, hipervigilância e sensibilização à rejeição.
Submissão alta:
Fortemente associada a depressão e vergonha; indica estilo defensivo de “apaziguamento”.
Desvalorização alta:
Indicativos de baixa autoestima relacional e dificuldades em vínculos afiliativos.
6.2 Implicações terapêuticas
Trabalhos focados em:
Esquemas de perigo e submissão
Intervenções de autocompaixão (CFT)
Reestruturação de crenças de hierarquia e inferioridade
Terapias focadas em vergonha
Terapia do esquema (modos Criança Assustada/Submissa)
Esta escala foi criada para avaliar suas memórias de infância. Pesquisas sugerem que as memórias precoces da vida desempenham um papel significativo nas dificuldades psicológicas da vida adulta. Abaixo está um conjunto de questões que avaliam vários aspectos das primeiras experiências de vida. Por favor, leia cuidadosamente cada questão e classifique o quanto ela é verdadeira para você. Para fazer isso, selecione a opção que melhor representa sua resposta.
Gilbert, P., Cheung, M. S. P., Granfield, T., Campey, F., & Irons, C. (2003). Recall of threat and submissiveness in childhood: Development of a new scale and its relationship with depression, social comparison and shame. Clinical Psychology and Psychotherapy, 10(2), 108–115. https://doi.org/10.1002/cpp.359
A implementação do instrumento foi realizada mediante aprovação da Dra. Margareth Oliveira, coordenadora do Grupo de Avaliação e Acompanhamento Psicológico em Contextos Clínicos (GAAPCC), responsável pelos estudos de validação. Informações institucionais adicionais podem ser consultadas no site oficial do grupo (GAAPCC, https://www.gaapcc.com/).
Tradução e Adaptação Brasileira: Lucena-Santos, Oliveira e Pinto Gouveia (2014)