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O Inventário de Adiamento de Gratificação foi desenvolvido para avaliar a tendência disposicional de postergar recompensas imediatas em favor de benefícios futuros, dentro de um modelo de autorregulação/autocontrole. Na formulação original, o construto foi organizado em cinco domínios: comida, realização, social, dinheiro e prazeres físicos. O racional teórico do instrumento parte da ideia de que o adiamento de gratificação não é unidimensional e se manifesta em áreas distintas do comportamento cotidiano.
Tempo médio de aplicação:
8 minutos
População-alvo:
Adultos da população geral
Usos recomendados:
Triagem de dificuldades de autocontrole, investigação transdiagnóstica de impulsividade/autoregulação, complemento à formulação de caso e pesquisa
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 28 itens
Tipo de resposta: escala Likert de 5 pontos (1 = Discordo totalmente a 5 = Concordo totalmente)
Organização: 4 dimensões (comida, realização, social e dinheiro). A dimensão física foi excluída do estudo brasileiro.
2. Descrição das subescalas, dimensões ou fatores:
Comida
Avalia a capacidade de adiar recompensas ligadas a alimentação, guloseimas, dieta e impulso para comer imediatamente. É o domínio mais próximo de controle alimentar e resistência a reforçadores alimentares imediatos.
Realização
Mede a capacidade de sustentar esforço em direção a metas futuras, especialmente persistência, disciplina e valorização de ganhos de longo prazo.
Social
Avalia o adiamento de gratificação no contexto interpessoal, incluindo consideração pelo impacto das próprias ações sobre outras pessoas e capacidade de tolerar restrições sociais em nome de efeitos futuros mais adaptativos.
Dinheiro
Mede a capacidade de postergar gratificações financeiras, controlar compras imediatas, poupar e administrar recursos visando benefícios futuros.
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
Tipo de pontuação: Média dos itens por fator
Pontuação possível: 1 a 5
O estudo não apresenta pontos de corte validados. Também não apresenta normas clínicas, percentis, T-scores ou faixas diagnósticas para classificar “baixo”, “moderado” ou “alto” adiamento de gratificação. Portanto, a interpretação deve ser relativa, comparando perfis intraindividuais entre subescalas e, quando houver, dados de grupos locais produzidos pelo próprio serviço.
4. Mudança clínica e sensibilidade:
O estudo não apresenta dados sobre sensibilidade à mudança clínica. Não há informações sobre RCI, MCID, frequência ideal de reaplicação, responsividade terapêutica ou uso formal para monitoramento longitudinal. Assim, o uso repetido ao longo do tratamento pode ser feito apenas de modo exploratório, sem respaldo empírico específico para interpretar mudança confiável.
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
O instrumento não deve ser usado isoladamente para concluir diagnóstico, risco ou capacidade funcional. A própria validação brasileira reconhece limitações importantes: amostra não representativa, concentrada em universitários jovens e majoritariamente do RJ, além de incerteza teórica sobre o impacto de remover o fator Físico na mensuração global do construto. Em termos clínicos, isso exige complementar a interpretação com entrevista clínica, observação de comportamento, história de vida, funcionamento acadêmico/profissional, manejo financeiro real e outros instrumentos de autorregulação/impulsividade.
6. Sugestões para análise clínica:
Perfis com escore baixo em Realização podem sustentar hipóteses de dificuldade de persistência, procrastinação, baixa tolerância a esforço e impulsividade por não planejamento. Baixo escore em Dinheiro pode indicar imediatismo prático e fragilidade no controle de recompensas concretas do cotidiano. Baixo escore em Comida pode apontar maior vulnerabilidade a escolhas motivadas por reforço imediato, útil em formulações com alimentação impulsiva ou baixa tolerância a privação. Baixo escore em Social pode sugerir menor consideração das consequências interpessoais, o que pode ser relevante em queixas relacionais, conflitos recorrentes e dificuldades de mentalização social. Essas hipóteses devem ser articuladas com medidas como BIS-11 para impulsividade global e, quando pertinente, com indicadores de funcionamento executivo, adesão terapêutica, hábitos de saúde e desempenho ocupacional/ acadêmico.
Responda a cada afirmação pensando em como você costuma agir na maior parte do tempo. Não existem respostas certas ou erradas. Leia cada item com atenção e marque o quanto você concorda com ele. Procure responder de forma espontânea e sincera, sem pensar demais em cada frase. Caso alguma afirmação não combine totalmente com a sua realidade, escolha a alternativa que mais se aproxima de como você geralmente se comporta.
Hoerger, M., Quirk, S. W., & Weed, N. C. (2011). Development and validation of the Delaying Gratification Inventory. Psychological assessment, 23(3), 725-738. https://doi.org/10.1037/a0023286
Figueira, G. L., Lemos, V. D. C. O. D., & Damásio, B. F. (2020). Inventário de Adiamento de Gratificação (DGI-35): Propriedades psicométricas da versão brasileira. Psico-USF, 25, 75-88.https://doi.org/10.1590/1413-82712020250107