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O Posttraumatic Cognitions Inventory (PTCI) avalia cognições disfuncionais relacionadas a eventos traumáticos, ancoradas em modelos cognitivos de TEPT (Foa et al., 1999), com foco em crenças sobre o self, o mundo e autorresponsabilização. Foi desenvolvido para descrever e monitorar pensamentos/crenças que mantêm o TEPT e para discriminar indivíduos traumatizados com e sem TEPT.
Tipo de aplicação
Instrumento autoaplicável
Tempo médio de aplicação:
10 a 15 minutos
População-alvo
Adultos expostos a trauma (amostra de desenvolvimento incluiu pacientes em tratamento, comunidade e universitários).
Usos recomendados
Triagem de cognições pós-traumáticas, apoio ao psicodiagnóstico de TEPT, formulação de caso e planejamento/monitoramento em TCC focada em trauma.
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 33 itens
Tipo de resposta: Escala Likert de 7 pontos (1 = discordo totalmente a 7 = concordo totalmente)
Organização: Três subscalas conforme estudo original (Cognições Negativas sobre o Self, Cognições Negativas sobre o Mundo, Autorresponsabilização)
2. Descrição das subescalas, dimensões ou fatores:
- Cognições Negativas sobre o Self – autodepreciação, mudança permanente, alienação, desesperança, baixa autoconfiança/autoeficácia, interpretações catastróficas dos sintomas. Exemplos de conteúdo: “Tem alguma coisa errada comigo enquanto pessoa”. Interpretação: escores altos = visão globalmente negativa, impotente e alterada do self; risco de manutenção de TEPT.
- Cognições Negativas sobre o Mundo – crenças de perigo generalizado e desconfiança dos outros (p.ex., “O mundo é um lugar perigoso.”). Interpretação: escores altos = ameaça onipresente, hipervigilância e evitação generalizadas.
- Autorresponsabilização – atribuições internas e estáveis de culpa pelo evento (p.ex., “O evento aconteceu por causa da forma como eu agi."). Interpretação: escores altos = culpabilização do self, frequentemente associada a vergonha e ruminação.
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
Média dos itens por subescala/total; maior escore = maior disfuncionalidade cognitiva.
O estudo de validação brasileira não apresenta pontos de corte validados para o PTCI.
4. Mudança clínica e sensibilidade:
Monitoramento: Reaplicar em marcos terapêuticos (p.ex., início, meio, fim e follow-up) para observar queda nos domínios-alvo da intervenção cognitiva. (RCI/MCID não reportados no estudo).
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
- O PTCI não deve ser usado isoladamente para diagnóstico;
- Interpretar sempre em conjunto com entrevista clínica e medidas de sintomas (p.ex., PDS/escala de TEPT).
- O estudo original não reporta normas brasileiras; a adaptação nacional publicada avaliou apenas compreensão semântica (n=45), sem dados de fidedignidade/validade no Brasil;
- Não há ainda evidências brasileiras de consistência interna, estrutura fatorial, validade convergente/discriminante ou sensibilidade à mudança. Priorize uso clínico com caráter complementar e colete dados locais quando possível.
- Recomenda-se cautela até haver validação psicométrica local.
6. Sugestões para análise clínica:
- Triagem e formulação: Escores altos em Self sugerem núcleo de auto-incompetência/alteração permanente → formular alvos como reestruturação de crenças centrais (“sou incapaz”, “mudei para pior”), dessensibilização de memórias e treino de habilidades (p. ex., regulação emocional).
- Ameaça/hipervigilância: Elevação em Cognições Negativas sobre o Mundo indica mapas cognitivos de perigo generalizado e desconfiança → incluir psicoeducação sobre segurança atual, experimentos comportamentais e exposição com prevenção de respostas.
- Culpa/vergonha: Altos escores em Autorresponsabilização pedem trabalho focado em atribuições (p. ex., análise de responsabilidade, compaixão focada, reatribuição) e processamento de memórias para reduzir autopunição.
Os itens a seguir investigam no tipo de pensamento que você pode ter tido após uma experiência traumática. Abaixo são listadas diversas afirmações que podem, ou não, ser representativas do seu pensamento. Por favor, leia cada afirmação cuidadosamente e nos diga quanto você CONCORDA ou DISCORDA com cada uma das afirmações.
Pessoas reagem a eventos traumáticos de formas diferentes. Não existem respostas corretas ou erradas a estas afirmações.
Foa, E. B., Ehlers, A., Clark, D. M., Tolin, D. F., & Orsillo, S. M. (1999). The Posttraumatic Cognitions Inventory (PTCI): Development and validation. Psychological Assessment, 11(3), 303–314. https://doi.org/10.1037/1040-3590.11.3.303
Sbardelloto, G., Schaefer, L. S., Justo, A. R., Lobo, B. D. O. M., & Kristensen, C. H. (2013). Adaptação e validação de conteúdo da versão brasileira do Posttraumatic Cognitions Inventory. Revista de Saúde Pública, 47(2), 326-334. https://doi.org/10.1590/S0034-8910.2013047003474