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O Modelo ABC (Antecedente-Resposta-Consequência) é um recurso clínico idiográfico baseado na Análise Funcional do Comportamento descrita no livro de Moreira & Medeiros (2019). O modelo parte da tríplice contingência, o que representa as três etapas centrais da análise funcional clássica, composta por estímulo antecedente (A), resposta ou comportamento (B) e estímulo consequente (C).
O modelo tem como objetivo compreender a função de um comportamento a partir das condições que o antecedem e das consequências que o mantêm, permitindo identificar padrões de aprendizagem e contingências ambientais relevantes.
Este recurso busca auxiliar na formulação comportamental individualizada, permitindo ao clínico compreender as relações entre ambiente e comportamento, facilitando a identificação dos fatores contextuais, sociais e emocionais que influenciam comportamentos-problema ou comportamentos-alvo de mudança, promovendo intervenções mais eficazes. Pode ser usado para comportamentos a enfraquecer (diminuir frequência) ou a fortalecer (aumentar frequência), sendo especialmente útil na fase inicial da terapia para levantamento de hipóteses funcionais.
Observação: este recurso é de uso clínico e deve ser preenchido exclusivamente pelo profissional, com base em sua própria perspectiva sobre o caso. Ele tem como objetivo auxiliar o raciocínio clínico que está sendo construído naquele momento do tratamento do paciente.
A análise funcional a partir do Modelo ABC permite identificar funções comportamentais - isto é, o papel que determinado comportamento desempenha na relação do indivíduo com o ambiente. O intuito é fornecer dados que permitem identificar padrões de contingências associados a comportamentos relevantes para o caso clínico.
Antecedentes (A): indicam o contexto discriminativo que aumenta a probabilidade do comportamento (por exemplo, eventos, locais, pessoas ou emoções antecedentes).
Respostas (B): descreve objetivamente a resposta observável, sem julgamentos.
Consequências (C): revelam o que ocorre imediatamente após o comportamento e que pode reforçar ou punir sua ocorrência futura.
Clinicamente, padrões recorrentes de reforçamento positivo ou negativo ajudam o terapeuta a compreender o controle ambiental sobre o comportamento e a planejar intervenções.
Deve-se observar se:
As consequências relatadas mantêm o comportamento (função reforçadora).
Há relações históricas de punição ou reforçamento que interferem nas contingências atuais.
O comportamento está sob controle discriminativo de certos estímulos contextuais (pessoas, locais, horários).
A interpretação deve levar em conta:
Padrões de reforço (positivo, negativo, intermitente).
Funções adaptativas (obtenção de atenção, fuga de tarefas, autorregulação emocional).
Impactos de curto e longo prazo nas relações interpessoais e no bem-estar do paciente.
Cuidados éticos:
Ele não deve ser utilizado isoladamente.
Deve sempre ser complementado por entrevista clínica, observação direta e outros instrumentos de avaliação comportamental ou emocional.
A aplicação requer compreensão das bases teóricas do behaviorismo.
É importante considerar contextos socioculturais brasileiros, incluindo expressões emocionais, práticas familiares e dinâmicas sociais locais.
O instrumento é uma ferramenta exploratória e deve sempre ser complementado por análise clínica funcional supervisionada para aprofundamento.
Este registro serve para auxiliar na conceitualização de como os comportamentos do paciente ocorrem e o que pode influenciá-los.
Considere registrar situações recentes que gostaria de compreender melhor. Depois, descreva o que estava acontecendo antes, o comportamento em si e o que aconteceu depois.
Lembrando que não há respostas certas ou erradas, o objetivo é compreender o que aconteceu.
Construída e desenvolvida por Natália Matteoli Abatti (CRP-08/35785)
Moreira, M. B., & de Medeiros, C. A. (2018). Princípios básicos de análise do comportamento. Artmed
Malavazzi, D. M., Malerbi, F. E. K., Del Prette, G., Banaco, R. A., & Kovac, R. (2011). Análise do comportamento aplicada: Interface entre ciência e prática?. Perspectivas em análise do comportamento, 2(2), 218-230.