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Objetivo clínico
Fenômeno avaliado: A versão EMA da PANAS visa monitorar as flutuações diárias do Afeto Positivo (AP) e do Afeto Negativo (AN). O AP reflete o nível em que uma pessoa se sente entusiasta, ativa e alerta, enquanto o AN representa uma dimensão de angústia subjetiva e engajamento desprazeroso.
Relação com a escala original: Enquanto a escala original validada por Carvalho et al. (2013) foca em traços disposicionais (como o indivíduo se sente "em geral"), a versão EMA captura o estado afetivo momentâneo ou diário. A estrutura de dois fatores independentes (ortogonais) é mantida, permitindo observar se o paciente apresenta, por exemplo, alta reatividade a eventos negativos sem necessariamente perder a capacidade de experienciar afetos positivos.
Racional para uso em EMA: Afetos são fenômenos intrinsecamente dinâmicos. O uso diário permite capturar a reatividade emocional a gatilhos específicos do cotidiano, evitando o viés de memória retrospectiva comum em avaliações de consultório que cobrem semanas.
Utilidade clínica geral: Essencial para diferenciar quadros de ansiedade e depressão com base no Modelo Tripartite: a depressão é caracterizada por baixo AP (anedonia), enquanto o AN elevado é comum a ambos os transtornos. O monitoramento ajuda a identificar se intervenções (como ativação comportamental) estão efetivamente elevando o AP diário.
Utilização prática
Tempo médio de aplicação: Aproximadamente 1 a 2 minutos, garantindo alta adesão para registros recorrentes.
População-alvo: Adultos em contexto clínico ambulatorial, especialmente aqueles com transtornos de humor, ansiedade ou em processos de desenvolvimento de autoconhecimento emocional.
Situações recomendadas de uso: Monitoramento de resposta a psicofármacos, acompanhamento de picos de irritabilidade/ansiedade e avaliação da eficácia de técnicas de regulação emocional entre as sessões.
Integração na rotina clínica: Recomenda-se o preenchimento uma vez ao dia (ao final do dia) para refletir sobre a jornada, ou duas vezes ao dia (manhã/noite) para pacientes com alta labilidade afetiva.
O psicólogo deve revisar os gráficos na sessão para correlacionar picos de AN com eventos de vida relatados.
Validade psicométrica - versão EMA
Versão EMA (limitações e status atual):
Não há validação psicométrica específica para o formato diário/momentâneo deste recorte.
Os parâmetros da escala original (pontos de corte e normas) não se aplicam diretamente ao monitoramento diário.
A versão EMA mede flutuações e reatividade diária, não severidade global.
Nota relevante: A versão EMA descrita aqui é inspirada na escala original, mas não possui evidências psicométricas específicas estabelecidas. Seus dados devem ser interpretados como informação idiográfica e complementar, não substituindo o uso da escala original validada.
Diretrizes de Adaptação Psicométrica e Justificativa de Fidelidade ao Construto
Critério de seleção dos itens: Foram selecionados os itens com as maiores cargas fatoriais no estudo brasileiro (ex: determinado e interessado para AP; aflito e nervoso para AN). O item "Orgulhoso" (Proud) foi excluído, seguindo a evidência de que ele não carregou significativamente no fator de Afeto Positivo na população brasileira.
Fidelidade ao construto: A adaptação mantém a independência entre as dimensões. Ao avaliar estados como "ativo" e "alerta", preserva-se a medida de ativação biopsicológica proposta pelo modelo original.
Validade Convergente Conceitual: Espera-se que a média das pontuações diárias da EMA ao longo de duas semanas correlacione-se fortemente com o escore da PANAS retrospectiva aplicada ao final do mesmo período.
Mudança de foco do construto: A EMA intensifica a observação da variabilidade afetiva, permitindo ver não apenas "o quanto" o paciente sofre, mas "quando" e "em que intensidade" os afetos oscilam.
Estrutura do instrumento EMA
Número total de itens: 10 itens de sintomas (5 AP, 5 AN) + 2 itens contextuais.
Tipo de resposta: Escala de 0 a 10 (0 = "Nada/Muito levemente"; 10 = "Extremamente").
Janela temporal: "Ao longo do dia de hoje, até agora".
Frequência recomendada: 1x ao dia.
Usos recomendados: Monitoramento longitudinal e apoio à formulação idiográfica de caso.
1) Estrutura do instrumento (EMA)
Resumo dos itens: O instrumento é dividido em dois blocos de afetos (positivos e negativos) para avaliar o equilíbrio emocional do dia, além de rastrear eventos estressores.
Implicações da escala 0-10: Permite maior sensibilidade para detectar pequenas mudanças diárias que escalas Likert de 5 pontos poderiam omitir, facilitando a visualização de tendências em gráficos de linha.
2) Descrição dos itens / domínios EMA
Domínio Afeto Positivo (Ativo, Determinado, Inspirado, Interessado, Alerta):
O que mede: Engajamento prazeroso com o ambiente e energia psíquica.
Interpretação: Escores baixos constantes sugerem anedonia ou risco depressivo, mesmo que o Afeto Negativo não esteja alto.
Domínio Afeto Negativo (Aflito, Nervoso, Irritável, Chateado, Inquieto):
O que mede: Dimensão de angústia subjetiva e estados aversivos.
Interpretação: Escores altos indicam reatividade ao estresse ou traços de ansiedade/neuroticismo. Picos isolados devem ser cruzados com os itens contextuais.
Nota sobre alteração de significado:
Sentir-se "nervoso" hoje (EMA) pode ser uma resposta adaptativa a um evento específico (ex: uma reunião), enquanto sentir-se "nervoso" nas últimas semanas (escala original) indica um estado de hiperestimulação crônica.
3) Pontuação e interpretação
Escore Médio Diário: Calculado separadamente para AP e AN. Não devem ser somados, pois são dimensões independentes.
Variabilidade Intraindividual: Um paciente com AN médio baixo, mas com picos de 10, pode ter dificuldades de regulação emocional que não aparecem em médias globais.
Nota relevante: Não há cutoffs clínicos validados para esta versão EMA. A interpretação deve se basear em padrões intraindividuais (nível médio, variabilidade e relação com contextos), e não em comparações normativas.
4) Mudança clínica e sensibilidade (conceitual)
O que observar: O sucesso do tratamento pode ser indicado pelo aumento da média de AP ou pela diminuição da amplitude de oscilação do AN (maior estabilidade).
Manejo clínico: Se o AP permanece baixo apesar da redução do AN, o foco clínico deve mudar para estratégias de busca de prazer e valores (ativação comportamental), em vez de apenas redução de sintomas ansiosos.
5) Cuidados éticos e limitações
Integração: A EMA nunca substitui a entrevista clínica; ela fornece o "clima emocional" do paciente entre as sessões.
Nota: Esta versão EMA não deve ser usada isoladamente para diagnóstico, triagem ou tomada de decisão sobre início/suspensão de tratamento ou medicação; essas decisões devem se basear em avaliação clínica completa e, quando pertinente, na aplicação da escala original em seu formato e janela temporal validados.
6) Sugestões para análise clínica integrada
Visualização: Utilize gráficos de linha sobrepostos (AP em azul, AN em vermelho) para identificar o "espaço afetivo" do paciente.
Análise de Gatilhos: Verifique se os picos de AN (ex: item "irritável") coincidem com os dias em que o paciente relatou "eventos estressantes" no item contextual.
Tomada de Decisão: Use a ausência de Afeto Positivo como indicador para investigar possíveis quadros de depressão mascarada por queixas ansiosas.
Este diário nos ajudará a entender como o seu humor varia ao longo dos dias e o que influencia essas mudanças.
Tempo estimado: Leva menos de 2 minutos.
Responda pensando em como você se sentiu ao longo do dia de hoje, até este momento.
Não há respostas certas; seja o mais sincero possível sobre sua experiência atual.
Em uma escala de 0 a 10, onde 0 é 'nada' e 10 é 'extremamente', o quanto você se sentiu...
Desenvolvido por: Watson, D., Clark, L. A., & Tellegen, A. (1988). Development and validation of brief measures of positive and negative affect: The PANAS scales. Journal of Personality and Social Psychology, 54(6), 1063–1070. https://doi.org/10.1037/0022-3514.54.6.1063
Adaptado por Natália Matteoli Abatti (CRP-08/35785)
**Este é um instrumento adaptado e construído pela própria equipe da HumanTrack. Nesses casos, os direitos autorais e de propriedade intelectual pertencem à marca, não podendo ser reproduzido e nem adaptado sem autorização e sem a expressa atribuição de autoria.
Carvalho, HWD, Andreoli, SB, Lara, DR, Patrick, CJ, Quintana, MI, Bressan, RA, ... & Jorge, MR (2013). Validade estrutural e confiabilidade da Escala de Afeto Positivo e Negativo (PANAS): evidências de uma grande amostra comunitária brasileira. Revista Brasileira de Psiquiatria , 35 (2), 169-172. https://doi.org/10.1590/1516-4446-2012-0957