Carregando instrumento...
Objetivo clínico
A versão EMA do CBI-Br (CBI-EMA) visa monitorar as flutuações diárias dos níveis de fadiga e exaustão associados à vida pessoal, ao ambiente de trabalho e à interação com o público (alunos/clientes). Diferente da escala original, que é uma medida retrospectiva padronizada focada na gravidade acumulada dos sintomas de Burnout, a versão EMA é uma medida idiográfica de alta validade ecológica que permite identificar picos de estresse e gatilhos contextuais em tempo real. A fundamentação teórica baseia-se na Teoria da Conservação de Recursos e no Modelo de Demandas-Recursos do Trabalho (JD-R), utilizando o monitoramento momentâneo para auxiliar na autorregulação e na prevenção do esgotamento crônico.
Utilização prática
Tempo médio de aplicação: 1 a 2 minutos por registro.
População-alvo: Profissionais de ensino, saúde e serviços que lidam com alta demanda interpessoal e carga de trabalho.
Situações recomendadas: Monitoramento de progresso clínico, planejamento de intervenções de manejo de estresse, formulação de caso (identificação de dias/horários críticos) e acompanhamento de retorno ao trabalho pós-afastamento.
Validade psicométrica - versão EMA
A versão descrita aqui é inspirada na escala original, mas não possui evidências psicométricas específicas estabelecidas. Seus dados devem ser interpretados como informação idiográfica e complementar, não substituindo o uso da escala original validada. Os parâmetros de corte e normas da CBI-Br não se aplicam aos dados diários.
Diretrizes de Adaptação e Justificativa
Critério de seleção: Foram selecionados os itens com maiores cargas fatoriais de cada domínio, priorizando estados que variam intradia (cansaço, frustração, sobrecarga emocional).
Validade Convergente Conceitual: Espera-se que a média dos "picos de exaustão" diários na EMA correlacione-se positivamente com o escore de gravidade da CBI-Br retrospectiva.
Validade do construto: A versão EMA altera o foco da severidade do traço/estado crônico para a reatividade do estado momentâneo. Ela captura a dinâmica do esgotamento enquanto ele ocorre, oferecendo um recorte mais sensível às variações contextuais do que a medida global original.
Necessidade de validação: Estudos futuros devem focar na confiabilidade intraindividual e na sensibilidade da EMA para detectar mudanças após intervenções de higiene ocupacional.
Estrutura do instrumento EMA
Número de itens: 9 itens (3 por dimensão) + 2 itens contextuais.
Tipo de resposta: Escala linear de 0 a 10.
Janela temporal: "Neste momento" ou "Ao longo do dia de hoje".
Frequência: 1x ao dia (preferencialmente ao final da jornada de trabalho).
1) Estrutura do instrumento (EMA)
O instrumento está organizado em três domínios principais derivados da CBI original: Exaustão Pessoal, Sobrecarga de Trabalho e Desgaste Interpessoal, além de um bloco de Contexto.
2) Descrição dos itens / domínios EMA
Domínio Pessoal (Itens 1-3): Mede o nível de "bateria" física e mental do indivíduo hoje, independentemente do trabalho. Interprete valores altos como necessidade imediata de descanso e recuperação.
Domínio Trabalho (Itens 4-6): Avalia o quanto as tarefas laborais consumiram os recursos emocionais hoje. Valores altos indicam desequilíbrio entre demandas e recursos.
Domínio Interpessoal (Itens 7-9): Foca na fadiga gerada pelo contato com pessoas (clientes/alunos). Um aumento súbito aqui pode indicar um evento crítico ou conflito.
Nota sobre alteração de significado: Um escore alto no item "Exaustão emocional" em um único dia (EMA) pode ser apenas reflexo de uma noite mal dormida ou um projeto pontual, enquanto na escala de 2 semanas, o mesmo item indicaria um processo patológico em curso.
3) Pontuação e interpretação
Escore Médio Diário: Soma dos itens dividida pelo total (0-10). Indica a carga de estresse do dia.
Variabilidade (Oscilação): Observar se os níveis são constantes ou se há quedas drásticas (ex.: fins de semana vs. dias úteis).
Relação com contextos: Cruzar os picos de exaustão com os itens contextuais (ex.: conflitos relatados).
Aviso: Não há cutoffs clínicos validados para esta versão EMA. A interpretação deve se basear em padrões intraindividuais e não em comparações normativas.
4) Mudança clínica e sensibilidade
A EMA permite observar a "Recuperação de Energia" (se os níveis de exaustão baixam após o descanso) e a eficácia de estratégias de coping aplicadas durante a semana.
5) Cuidados éticos e limitações
Esta versão EMA não deve ser usada isoladamente para diagnóstico, triagem ou tomada de decisão sobre afastamento laboral ou medicação. Essas decisões devem se basear em avaliação clínica completa.
Olá! Este registro leva menos de 2 minutos.
O objetivo é entendermos como você se sentiu ao longo do dia de hoje em relação ao seu trabalho.
Não há respostas certas ou erradas, apenas o seu retrato fiel do momento.
Sua participação ajuda a ajustar seu tratamento e entender seu ritmo em particular.
Desenvolvido por: Kristensen TS, Borritz M, Villadsen E, Christensen KB. (2005). The Copenhagen Burnout Inventory: a new tool for the assessment of burnout. Work & Stress, 19(3), 192-207.
Adaptado por Natália Matteoli Abatti (CRP-08/35785)
**Este é um instrumento adaptado e construído pela própria equipe da HumanTrack. Nesses casos, os direitos autorais e de propriedade intelectual pertencem à marca, não podendo ser reproduzidos e nem adaptados sem autorização e sem a expressa atribuição de autoria.
Rocha, F. L. R., de Jesus, L. C., Marziale, M. H. P., Henriques, S. H., Marôco, J., & Bonini Campos, J. A. D. (2020). Burnout syndrome in university professors and academic staff members: Psychometric properties of the Copenhagen Burnout Inventory–Brazilian version. Psicologia: Reflexão e Crítica, 33, 11. https://doi.org/10.1186/s41155-020-00151-y
World Health Organization. (2010). mhGAP Intervention Guide for mental, neurological and substance use disorders in non-specialized health settings: Mental Health Gap Action Programme (mhGAP).
American Psychological Association. (2013). Guidelines for psychological assessment and evaluation. APA.