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Objetivo clínico
A versão EMA do AQ-10 visa monitorar as flutuações diárias na manifestação de traços do espectro autista e o impacto das demandas ambientais sobre o funcionamento social e cognitivo do indivíduo. Diferente da escala original, que serve como uma triagem retrospectiva de traços globais, esta versão foca na validade ecológica, permitindo observar como o indivíduo lida com estímulos sensoriais, interações sociais e trocas de contexto no "aqui e agora" do seu cotidiano. A fundamentação baseia-se na Psicologia Baseada em Evidências e no monitoramento de processos de autorregulação e carga cognitiva.
Utilização prática
Tempo médio de aplicação: Menos de 2 minutos.
População-alvo: Adultos (com ou sem diagnóstico formal de TEA) que desejam monitorar o impacto de traços autistas em sua rotina clínica ou funcional.
Situações recomendadas: Monitoramento de progresso em terapia (ex.: treino de habilidades sociais ou manejo sensorial), identificação de gatilhos para autistic burnout, formulação de caso idiográfica e acompanhamento de intervenções de ajuste ambiental.
Validade psicométrica - EMA
A versão EMA descrita aqui é inspirada na escala original, mas não possui evidências psicométricas específicas estabelecidas. Seus dados devem ser interpretados como informação idiográfica e complementar, não substituindo o uso da escala original validada. Os parâmetros de corte e normas da escala original não se aplicam a esta versão diária.
Diretrizes de Adaptação Psicométrica e Justificativa de Fidelidade ao Construto
Critério de seleção: Todos os 10 domínios originais foram mantidos, mas os itens foram convertidos de afirmações de traço ("Eu sou...") para estados diários ("Hoje, eu senti/tive..."). Isso garante que o construto de "Quociente do Espectro Autista" seja observado sob a ótica da funcionalidade cotidiana.
Validade Convergente Conceitual: Espera-se que a média dos escores diários da EMA correlacione-se moderadamente com o escore total da AQ-10 original. Picos de dificuldade na EMA (especialmente em itens de troca de atenção) podem prever níveis elevados de estresse percebido.
Validade do construto: A versão EMA captura o estado momentâneo. Ela não mede a severidade diagnóstica, mas sim a carga adaptativa que o indivíduo está enfrentando naquele dia específico.
Estrutura do instrumento EMA
Total de itens: 10 itens de sintomas + 2 itens contextuais.
Tipo de resposta: Escala linear de 0 a 10 (0 = "Nem um pouco/Muito fácil"; 10 = "Extremamente/Muito difícil").
Janela temporal: "Ao longo do dia de hoje, até agora".
Frequência: 1x ao dia (preferencialmente ao final do dia).
1) Estrutura do instrumento (EMA)
O instrumento está organizado em blocos funcionais:
Sintomas Nucleares: Atenção aos detalhes, Troca de Atenção e Comunicação Social (Itens 1-10).
Contexto/Gatilhos: Demanda social e nível de ruído ambiental (Itens 11-12).
2) Descrição dos itens / domínios EMA
Processamento de Detalhes (Itens 1 e 2): Mede a hiperfocalização sensorial. Valores altos no item 1 indicam sobrecarga sensorial iminente.
Flexibilidade Cognitiva (Itens 3, 4 e 9): Mede a facilidade em lidar com mudanças. Valores altos indicam rigidez ou dificuldade de transição, comuns em dias de cansaço mental.
Comunicação (Itens 5, 6, 7, 8 e 10): Mede o esforço para interpretar nuances sociais. Valores altos sugerem maior dificuldade de interação ou maior custo cognitivo para "masking".
Alteração de significado clínico: Ter dificuldade em entender as intenções de alguém (Item 10) em um dia específico pode não ser um traço permanente, mas um reflexo de uma interação social particularmente ambígua ou exaustiva naquele dia.
3) Pontuação e interpretação
Escore Médio Diário: Reflete a carga total de traços autistas manifestos no dia.
Variabilidade: Oscilações bruscas entre os dias sugerem que o ambiente tem um impacto significativo no funcionamento do paciente.
Relação com a escala original: Se o paciente pontuou alto na AQ-10 original (ex.: 8/10), a EMA mostrará quais desses 8 traços são mais "dispendiosos" no dia a dia.
Nota: Não há cutoffs clínicos validados para esta versão EMA. A interpretação deve se basear em padrões intraindividuais (nível médio, variabilidade e relação com contextos), e não em comparações normativas.
4) Mudança clínica e sensibilidade
A EMA permite observar se intervenções (como o uso de fones de ouvido para redução de ruído) diminuem os escores de irritabilidade sensorial no Item 1 ao longo de uma semana, algo que a escala retrospectiva de 2 semanas demoraria a captar.
5) Cuidados éticos e limitações
Esta versão EMA não deve ser usada isoladamente para diagnóstico, triagem ou tomada de decisão sobre início/suspensão de tratamento ou medicação; essas decisões devem se basear em avaliação clínica completa e na aplicação da escala original validada.
6) Análise clínica integrada
Sugere-se cruzar os dados de "Dificuldade de Troca de Atenção" com o "Nível de Estresse" relatado. Se a dificuldade aumenta proporcionalmente ao estresse, a intervenção deve focar em manejo de ansiedade e modulação ambiental.
Olá! Este questionário ajuda a entender como você se sentiu e como interagiu com o mundo ao longo do dia de hoje.
Tempo: Leva menos de 2 minutos.
Importante: Não há respostas certas ou erradas. Responda com base no que você viveu hoje. Este registro será feito diariamente para acompanharmos suas flutuações.
Desenvolvido por: Allison C, Baron-Cohen S, Wheelwright S, et al. Short versions of the Autism Spectrum Quotient and Quantitative Checklist for Autism in Toddlers. J Am Acad Child Adolesc Psychiatry. 2012;51(2):202-212.
Adaptado por Natália Matteoli Abatti (CRP-08/35785)
**Este é um instrumento adaptado e construído pela própria equipe da HumanTrack. Nesses casos, os direitos autorais e de propriedade intelectual pertencem à marca, não podendo ser reproduzidos e nem adaptados sem autorização e sem a expressa atribuição de autoria.
Allison, C., Auyeung, B., & Baron-Cohen, S. (2012). Toward brief “Red Flags” for autism screening: The Short Autism Spectrum Quotient and the Short Quantitative Checklist for Autism in toddlers in 1,000 cases and 3,000 controls [corrected]. Journal of the American Academy of Child and Adolescent Psychiatry, 51(2), 202–212.e7. https://doi.org/10.1016/j.jaac.2011.11.003
Paula, C. S., Ribeiro, S. H., Fombonne, E., & Mercadante, M. T. Tradução e validação da AQ-10 para o Português Brasileiro. Revista Brasileira de Psiquiatria. 2018.
Booth, T., Murray, A. L., McKenzie, K., Kuenssberg, R., O’Donnell, M., & Burnett, H. Brief Report: An Evaluation of the AQ-10 as a Brief Screening Instrument for ASD in Adults. Journal of Autism and Developmental Disorders. 2013; 43(5): 1234-1240. doi:10.1007/s10803-013-1844-5.
Morais, J. F., Santana, V. L. B., & Kerr, T. B. (2018). Tradução e validação, para o português do Brasil, da Escala de Quociente do Espectro Autista (AQ10). Anais do 10º Congresso AIDAP/AIDEP.