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O Questionário de Descentração (Experiences Questionnaire - EQ) é um instrumento de autorrelato desenvolvido para avaliar a capacidade de observar pensamentos e emoções como eventos mentais transitórios, não necessariamente verdadeiros ou definidores do self (Decentering). O instrumento foi inicialmente concebido no contexto da Mindfulness-Based Cognitive Therapy (MBCT) como forma de monitorar um mecanismo clínico central dessa intervenção: a habilidade de desidentificação de pensamentos, menor reatividade emocional e maior autocompaixão.
Tempo médio de aplicação
5 minutos
População-alvo
Adultos; estudo original validado em universitários e pacientes em remissão de depressão.
Usos recomendados
- Triagem de vulnerabilidade cognitiva;
- Avaliação de habilidades de mindfulness e regulação emocional;
- Monitoramento de processos em intervenção;
- Não é específico para diagnóstico, mas informa processos cognitivos relevantes em transtornos afetivos.
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 11 itens
Tipo de resposta: Escala de frequência de 5 pontos (1 = nunca, 5 = sempre)
Organização: Unidimensional (Descentração)
2. Descrição do fator (Descentração)
O que mede:
Capacidade de observar pensamentos e emoções como eventos mentais transitórios.
Menor identificação com o conteúdo emocional.
Autocompaixão e gentileza consigo mesmo.
Menor reatividade a estímulos internos.
Ampla perspectiva sobre experiências.
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
Escore total = soma dos 11 itens (11-55).
Maiores escores → maior capacidade de decentering (perspectiva descentrada, menor fusão cognitiva, maior autocompaixão).
Menores escores → maior tendência a fusão cognitiva, reatividade emocional, ruminação e vulnerabilidade depressiva.
O estudo NÃO apresenta cutoffs clínicos validados.
4. Mudança clínica e sensibilidade:
Evidências teóricas e achados correlacionais sugerem que o EQ pode ser sensível a mudanças terapêuticas.
Pode ser reaplicado ao longo da terapia; frequência sugerida: mensal ou por módulo/etapa da intervenção, embora estas recomendações não estejam no estudo original (Fresco et al., 2007).
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
- Não deve ser usado isoladamente para decisões diagnósticas;
- Avalia um processo psicológico, não um transtorno;
- Requer complementação com entrevista clínica e outros instrumentos;
- Subescala de ruminação não deve ser interpretada clinicamente;
- Ausência de validação brasileira limita generalização.
6. Sugestões para análise clínica:
Escore baixo:
tendência a fusão cognitiva e identificação com pensamentos;
maior vulnerabilidade à ruminação;
maior risco de recaída depressiva;
dificuldade de autorregulação emocional.
Escore alto:
Boa capacidade de observar pensamentos com distância;
Maior flexibilidade psicológica;
Maior autocompaixão;
Melhor prognóstico em terapias cognitivas e baseadas em mindfulness.
6.1 Intervenções alinhadas ao perfil
Escore baixo:
Treino de atenção plena (mindfulness formal e informal);
Defusão cognitiva (ACT);
Reestruturação cognitiva focada em metacognição;
Habilidades de autocompaixão (MSC).
Escore moderado–alto:
Aprofundar práticas de observação, aceitação e flexibilidade;
Focar em manutenção e prevenção de recaída.
Você verá uma série de afirmações sobre como você lida com seus pensamentos e sentimentos no dia a dia.
Escolha uma das respostas para indicar a frequência com que você tem tido experiências semelhantes às descritas em cada item. Por favor, considere suas experiências recentes ao indicar sua resposta.
Fresco, D. M., Moore, T. G., van Dulmen, M. H. M., Orzech, K. M., Koelen, J. A., & Aldao, A. (2007). The development of the Experiences Questionnaire: A brief measure of decentering and rumination. Behavior Therapy, 38(3), 234-246. https://doi.org/10.1016/j.beth.2006.08.003
Tradução e adaptação brasileira: Lucena-Santos, Oliveira & Pinto-Gouveia (2014).
A implementação do instrumento foi realizada mediante aprovação da Dra. Margareth Oliveira, coordenadora do Grupo de Avaliação e Acompanhamento Psicológico em Contextos Clínicos (GAAPCC), responsável pelos estudos de validação. Informações institucionais adicionais podem ser consultadas no site oficial do grupo (GAAPCC, https://www.gaapcc.com/).