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O Questionário de Divagação Mental (Mind-Wandering Questionnaire - MWQ) é um instrumento breve de autorrelato desenvolvido para avaliar a frequência de divagação mental (mind-wandering), entendida como a interrupção do foco na tarefa por pensamentos não relacionados à tarefa em curso. Sua construção surgiu da lacuna deixada por medidas correlatas, como escalas de devaneio, erros cognitivos e mindfulness, que os autores consideraram insuficientes para mensurar diretamente esse construto. O objetivo clínico e teórico do MWQ é captar uma tendência disposicional de desengajamento atencional durante atividades cotidianas, com relevância para desempenho cognitivo, funcionamento acadêmico e indicadores de bem-estar.
Tempo médio de aplicação:
3 minutos
População-alvo:
Adultos da população geral
Usos recomendados:
Triagem dimensional, apoio à formulação de caso, investigação transdiagnóstica da desatenção/dispersão, e eventualmente monitoramento global da propensão à divagação mental, especialmente em contextos ambulatoriais, escolares e de pesquisa. O estudo brasileiro enfatiza utilidade em contextos gerais e condições clínicas associadas à desatenção, mas ainda como evidência inicial de validade para adultos brasileiros, não como instrumento diagnóstico isolado.
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 5 itens
Tipo de resposta: escala Likert de 6 pontos (1 = quase nunca a 6 = quase sempre)
Organização: unidimensional (Divagação mental)
2. Descrição das subescalas, dimensões ou fatores:
Fator único – Divagação mental
O que mede: tendência geral a perder o foco da tarefa e deslocar a atenção para pensamentos não relacionados ao que está sendo feito.
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
Método de cálculo: soma simples dos 5 itens.
Mínimo e máximo possíveis: 5 a 30 pontos.
Sentido do escore: quanto maior a pontuação, maior a frequência de divagação.
Pontos de corte clínico: o estudo não apresenta pontos de corte validados.
4. Mudança clínica e sensibilidade:
Os estudos não apresentam dados de teste-reteste, RCI, MCID ou responsividade longitudinal. Também não estabelecem frequência ideal de reaplicação. Portanto: o estudo não apresenta dados sobre sensibilidade à mudança clínica. Ao ser usado em monitoramento, isso deve ser feito com cautela e sempre articulado a entrevista clínica, autorrelato funcional e outras medidas de atenção, humor e estresse.
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
O MWQ não deve ser usado isoladamente para diagnóstico. Ele mede uma tendência subjetiva de divagação mental, não um transtorno específico. Os próprios artigos o posicionam como medida breve de frequência de mind-wandering, útil para pesquisa e avaliação complementar. Na prática clínica, escores elevados podem aparecer em contextos variados: estresse, ansiedade, humor deprimido, TDAH/desatenção, sobrecarga, privação de sono, baixa motivação ou dificuldades acadêmicas.
Uma limitação importante da versão brasileira é o item 5, que menciona “aulas, palestras ou apresentações”. Os autores observam que pessoas pouco expostas a esse tipo de situação podem responder de modo menos adequado; por isso, o instrumento pode ser mais apropriado para amostras com maior escolaridade ou familiaridade com contextos formais de exposição verbal. Além disso, a amostra brasileira foi predominantemente feminina, jovem, branca, do Sul/Sudeste e com escolaridade ao menos secundária, o que recomenda cautela na generalização para toda a população brasileira.
6. Sugestões para análise clínica:
Clinicamente, o MWQ pode ser útil quando a hipótese envolve desengajamento atencional recorrente, “mente acelerada”, distração frequente, perda do fio de leitura, escuta parcial e automatização sem atenção plena. Escores elevados podem orientar hipóteses sobre:
prejuízo de foco sustentado em tarefas monótonas;
interferência cognitiva em leitura, estudo e trabalho;
associação com sofrimento emocional inespecífico;
necessidade de diferenciar mind-wandering de ruminação, devaneio excessivo e sintomas de TDAH.
Para integração clínica, faz sentido combiná-lo com medidas de desatenção/TDAH (pela forte correlação com ASRS-18 desatenção), com escalas de estresse, ansiedade e depressão, e com entrevista focada em contexto, funcionalidade, intencionalidade dos pensamentos e impacto ocupacional/acadêmico. O artigo brasileiro também mostra correlação moderada com maladaptive daydreaming, sugerindo utilidade na diferenciação entre divagação mental comum e formas mais intensas ou desadaptativas de pensamento absorvente.
Por favor, siga as instruções abaixo para responder ao questionário:
A seguir encontra-se uma sequência de frases sobre suas experiências do dia a dia.
Por favor indique o quão frequentemente ou infrequentemente você tem cada uma dessas experiências. Por favor, responda de acordo com o que realmente acontece na sua experiência em vez de responder sobre como você acha que sua experiência deveria ser. Leia atentamente cada item e marque a resposta que melhor corresponde à sua experiência.
Peloso, F. C., Zibetti, M. R., Nardi, A. E., & Catelan, R. F. (2024). Cross-cultural adaptation of the Mind-Wandering Questionnaire (MWQ) for Brazilian Portuguese and evidence of its validity. Brazilian Journal of Psychiatry, 46, e20233312. https://doi.org/10.47626/1516-4446-2023-3312
Instrumento autorizado por Ramiro Figueiredo Catelan.