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O Registro de Automonitoramento da Raiva visa auxiliar indivíduos na identificação, compreensão e regulação de episódios de raiva, por meio do monitoramento sistemático de situações que desencadeiam essa emoção. Seu objetivo é favorecer a tomada de consciência sobre gatilhos ambientais, pensamentos automáticos, respostas emocionais e físicas, intensidade da raiva e comportamentos subsequentes. É fundamentado em princípios da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), especialmente nas técnicas de automonitoramento e reestruturação cognitiva.
O objetivo do registro é criar consciência dos gatilhos e padrões comportamentais, facilitando a compreensão e o gerenciamento da raiva no contexto terapêutico.
Tempo médio de aplicação
5 a 10 minutos por episódio registrado
População-alvo
Adolescentes e adultos, com capacidade de autorrelato
Situações recomendadas para uso
Intervenções clínicas em TCC, programas de regulação emocional, contextos de manejo da raiva, psicoeducação individual ou em grupo
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 5 campos principais de entrada por episódio
Tipo de resposta: autorrelato livre + escala de intensidade percentual
2. Organização em campos:
Situação: O indivíduo registra o contexto do evento, incluindo onde estava, com quem estava e o que estava fazendo quando notou um aumento significativo em sua raiva.
Pensamentos de raiva: Registra os pensamentos automáticos, incluindo palavras, imagens ou memórias associadas ao evento. Também incentiva a reflexão sobre o significado idiossincrático desses pensamentos.
Emoções e sensações corporais: Os pacientes descrevem suas reações emocionais e sensações físicas, classificando a intensidade em uma escala de 0 a 100%.
Intensidade (0–100%): medida subjetiva de intensidade emocional, em percentual (0 a 100%)
Respostas: Registra o que foi feito em resposta aos pensamentos e sentimentos de raiva, incluindo comportamentos observáveis e estratégias de enfrentamento.
O registro fornece uma visão clara das interações entre pensamentos, emoções e comportamentos em situações de raiva. A interpretação das entradas permite ao terapeuta e ao cliente identificar:
Gatilhos específicos: Situações, pessoas ou lugares que frequentemente provocam reações de raiva.
Padrões de pensamento: Como os pensamentos automáticos influenciam as emoções e as respostas comportamentais.
Respostas comportamentais: Estratégias de enfrentamento usadas pelo indivíduo, incluindo comportamentos construtivos e destrutivos.
Intensidade emocional: A gravidade das reações emocionais e físicas durante episódios de raiva, auxiliando na priorização de intervenções.
3. Mudança clínica e sensibilidade:
Por se tratar de um formulário de autorregistro, ele pode ser reaplicado repetidamente para fins de monitoramento longitudinal de padrões emocionais
Frequência sugerida de reaplicação: diária ou conforme a ocorrência de episódios significativos
4. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
Risco potencial de sub ou supervalorização da intensidade emocional, especialmente em indivíduos com baixa consciência emocional ou alexitimia.
5. Sugestões para análise clínica:
Identificação de padrões situacionais, cognitivos e comportamentais associados à raiva
Pode orientar intervenções de reestruturação cognitiva, treino de habilidades de regulação emocional e exposição a gatilhos emocionais
Episódios com intensidade alta e respostas disfuncionais sugerem foco prioritário na intervenção
Pode ser combinado com escalas padronizadas como STAXI-2 (Inventário de Expressão da Raiva) e DERS (Dificuldades em Regulação Emocional), para avaliação mais abrangente
Útil na formulação de caso em quadros de transtorno explosivo intermitente, transtornos de personalidade, ansiedade e depressão com irritabilidade
O Registro de automonitoramento da raiva é uma ferramenta que pode ajudá-lo(a) a compreender melhor suas emoções e reações em momentos de raiva. Lembr-se de situações em que sentiu raiva e tire um momento para refletir e registrar:
Situação: Onde você estava, o que estava acontecendo e com quem estava.
Pensamentos de Raiva: Quais pensamentos, imagens ou memórias surgiram? O que esses pensamentos significaram para você?
Emoções e Sensações Corporais: Como você se sentiu emocionalmente e fisicamente? Dê uma nota de 0 a 100% para a intensidade de cada emoção ou sensação.
Respostas: O que você fez para lidar com a raiva? Quais foram suas ações ou reações?
Esse registro é um espaço para você olhar com mais cuidado para o que sente e pensa. O(a) profissional que o(a) acompanha terá acesso a seus registros para que juntos possam identificar padrões e construir estratégias que façam sentido para você. Lembre-se de que é um passo importante no caminho para cuidar de si mesmo.
BECK, A. T.; RUSH, A. J.; SHAW, B. F.; EMERY, G. Cognitive Therapy of Depression. New York: Guilford Press, 1979.
FERNANDEZ, E.; BECK, R. Empirical and theoretical perspectives on anger management interventions. Clinical Psychology: Science and Practice, v. 8, n. 2, p. 260-287, 2001.