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O objetivo deste Registro é acompanhar os indicadores clínicos e contextuais de ataques de pânico e ansiedade antecipatória, permitindo acompanhar evolução, identificar possíveis gatilhos e orientar intervenções baseadas em TCC e protocolos nacionais.
Público-alvo
Adultos em acompanhamento psicológico/psiquiátrico por Transtorno do Pânico (com ou sem agorafobia) na APS, ambulatórios e clínicas privadas.
Foco do instrumento:
Acompanhar a intensidade do pânico, ansiedade antecipatória, evitamento/segurança, sintomas físicos centrais e contexto social/espacial.
Finalidade do instrumento: apoiar formulação de caso, planejamento de psicoeducação, exposição (interoceptiva/situacional) e manejo de comportamentos de segurança, além de registrar resposta ao tratamento ao longo das semanas.
Evidências de base:
Diretrizes e revisões brasileiras recomendam TCC e monitoramento sistemático para TP e destacam medidas como frequência de ataques, ansiedade antecipatória e prejuízo funcional (incluídas no PDSS e em registros clínicos como “panicograma”).
Como será usado: entradas breves ao longo do dia (ex.: após um ataque/pico de ansiedade e no fim do dia). O clínico revisa padrões semanais (tendências, picos, situações de risco/proteção) e ajusta intervenções (exposição, respiração lenta, reestruturação cognitiva, redução de segurança).
Principais usos clínicos e contextuais: (1) acompanhamento longitudinal na TCC; (2) suporte à APS e Linhas de Cuidado em saúde mental; (3) comunicação interdisciplinar em serviços SUS/privados.
Limitações e cuidados: instrumento idiográfico/monitoramento não substitui diagnóstico; sempre integrar com entrevista clínica, avaliação diferencial e, quando pertinente, escalas padronizadas (p.ex., PDSS). Útil para adultos; adaptar linguagem para adolescentes. Em crises intensas, priorizar manejo de segurança e plano de crise segundo protocolos de serviços (Levitan, M. N. et al., 2013).
O Registro Diário de Ataques de Pânico permite que o clínico visualize, ao longo dos dias, como os ataques de pânico e a ansiedade antecipatória se manifestam no cotidiano do paciente. As respostas ajudam a compreender o que costuma disparar as crises, como elas evoluem e quais estratégias o paciente usa para lidar com o desconforto.
De modo geral, reduções progressivas nos níveis de intensidade, ansiedade antecipatória e comportamentos de evitação indicam melhora clínica e melhor manejo dos sintomas. Já aumentos ou oscilações bruscas podem sinalizar gatilhos específicos, períodos de estresse elevado ou dificuldades no uso das estratégias aprendidas.
Leitura das principais dimensões:
Intensidade do pânico (0-10): mostra o pico emocional e fisiológico da crise. Quedas graduais ao longo das semanas indicam ganho de controle e maior tolerância às sensações corporais.
Ansiedade antecipatória (0-10): reflete o medo de ter novas crises. Altos níveis sugerem foco excessivo em sensações corporais, pensamentos catastróficos e manutenção de comportamentos de segurança. É uma das principais alavancas de intervenção cognitiva e de exposição.
Evitamento/segurança (0-10): representa o quanto o paciente evita situações, lugares ou sensações por medo de sentir pânico, ou recorre a “muletas” (carregar água, checar pulso, usar medicação fora do combinado). Reduções progressivas indicam que o paciente está testando novas formas de enfrentamento.
Frequência de ataques: permite visualizar a evolução em gráfico (“panicograma”). A redução da frequência tende a ocorrer após a diminuição do medo das sensações e do evitamento.
Contextos e gatilhos: ajudam a mapear situações críticas (ex.: transporte, locais fechados, multidões) e fatores biológicos ou ambientais (cafeína, sono, temperatura, estresse). Esses dados orientam hierarquias de exposição e planejamento terapêutico.
Como usar na prática clínica
O terapeuta pode revisar os registros semanalmente, identificando padrões repetitivos. Por exemplo, crises que ocorrem em horários semelhantes, após situações específicas ou em estados de fadiga.
Esses padrões apoiam a formulação cognitivo-comportamental clássica do pânico (modelo de Clark & Beck):
Gatilho → Sintomas corporais → Interpretação catastrófica → Ansiedade → Evitação ou comportamentos de segurança.
Este diário serve para acompanhar seus ataques de pânico e sua ansiedade ao longo do dia. Responda logo após um episódio ou no fim do dia. Não há certo ou errado, descreva como foi para você. Suas respostas ajudam a entender o que desencadeia os sintomas e o que te ajuda.
Em caso de piora importante ou sensação de risco, siga seu plano de segurança e procure o(a) profissional que o(a) acompanha ou serviço de saúde.
Construída e desenvolvida por Natália Matteoli Abatti (CRP-08/35785)
Crippa, J. A., Terra, M., Giglio, A., Cordeiro, J. L. C., Garcia, G. J., Hasan, R., ... & Nardi, A. E. Transtorno do Pânico: Diagnóstico
Levitan, M. N., Chagas, M. H., Linares, I. M., Crippa, J. A., Terra, M. B., Giglio, A. T., ... & Nardi, A. E. (2013). Brazilian Medical Association guidelines for the diagnosis and differential diagnosis of panic disorder. Revista Brasileira de Psiquiatria, 35(4), 406-415
Clark, D. A., & Beck, A. T. (2016). Terapia Cognitiva para os Transtornos de Ansiedade: Tratamentos que Funcionam: Guia do Terapeuta. Artmed Editora