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O Schutte Self-Report Emotional Intelligence Test (SSEIT) é um instrumento de autorrelato desenvolvido para avaliar inteligência emocional com base no modelo original de Salovey e Mayer (1990). Nesse modelo, a inteligência emocional envolve três grandes domínios funcionais: avaliação/expressão das emoções, regulação das emoções e utilização das emoções na solução de problemas. O estudo original teve como objetivo construir uma medida breve, teoricamente coerente e empiricamente validada para estimar o nível atual de desenvolvimento emocional do respondente.
Tempo médio de aplicação:
5 a 10 minutos
População-alvo:
Adultos/jovens adultos.
Usos recomendados:
Apoio à triagem de habilidades emocionais, formulação inicial de hipóteses sobre consciência emocional, regulação, empatia/percepção interpessoal e uso adaptativo do afeto, além de uso em pesquisa e em contextos de monitoramento exploratório.
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 33 itens
Tipo de resposta: Escala Likert de 5 pontos, de “discordo totalmente” a “concordo totalmente”.
Organização: 4 subescalas (percepção de emoção; gerenciamento de emoções próprias; gerenciamento das emoções
dos outros e utilização das emoções)
2. Descrição das subescalas, dimensões ou fatores:
1) Percepção das emoções: Mede a capacidade de identificar emoções próprias e alheias, incluindo pistas faciais, vocais e não verbais.
2) Manejo das próprias emoções: Avalia estratégias de autorregulação, persistência sob desafio, manutenção de estados emocionais positivos.
3) Manejo das emoções de outros: Refere-se à sensibilidade interpessoal e à habilidade de responder emocionalmente ao outro de forma útil, acolhedora ou facilitadora.
4) Utilização das emoções: Avalia o uso do estado emocional para ampliar pensamento, criatividade, motivação e resolução de problemas.
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
O cálculo é por média das subescalas, após recodificação dos itens reversos 5, 28 e 33.
Mínimo possível: 1,0.
Máximo possível: 5,0.
Pontos de corte clínico: O estudo não apresenta pontos de corte validados. Nem o artigo original nem a adaptação brasileira fornecem categorias clínicas normativas, T-scores, percentis amplos ou critérios diagnósticos. Portanto, a interpretação deve ser relativa e contextual, comparando o perfil entre domínios, a coerência com a entrevista e eventuais mudanças intraindividuais ao longo do tempo.
4. Mudança clínica e sensibilidade:
O estudo original apresenta teste-reteste em 2 semanas = 0,78, o que sugere alguma estabilidade do construto, mas não demonstra sensibilidade à mudança terapêutica. O estudo brasileiro não apresenta dados de teste-reteste, RCI, MCID ou responsividade. Portanto: o estudo não apresenta dados sobre sensibilidade à mudança clínica. O SSEIT pode ser reaplicado em monitoramento longitudinal de modo exploratório, mas interpretações de melhora/piora devem ser feitas com cautela, idealmente combinadas com indicadores clínicos externos e observação longitudinal.
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
O SSEIT é um autorrelato, portanto mede em parte a autoimagem emocional do respondente, e não apenas desempenho emocional real. O artigo original destaca risco de “faking good”, o que limita seu uso em seleção, perícia ou contextos com incentivo claro à autopromoção. Em clínica, ele não deve ser usado isoladamente para concluir diagnóstico, competência relacional ou prognóstico. Deve ser complementado por entrevista clínica, observação do comportamento interpessoal, história de desenvolvimento emocional e, quando pertinente, outras medidas de sintomas, personalidade e funcionamento.
Os autores concluíram que a versão brasileira tem consistência interna aceitável para uso em pesquisa, mas o estudo não apresenta análise fatorial, teste-reteste, validade convergente/discriminante, normas brasileiras amplas ou pontos de corte clínico.
6. Sugestões para análise clínica:
Clinicamente, o SSEIT tende a ser mais útil como instrumento de formulação de caso do que como ferramenta classificatória. Escores globalmente baixos podem sustentar hipóteses de dificuldades em consciência emocional, autorregulação, empatia ou integração emoção-cognição, especialmente quando convergem com queixas de impulsividade, conflitos interpessoais, baixa tolerância ao estresse ou dificuldade em nomear sentimentos. Isso é coerente com as correlações do estudo original com alexitimia, reparação do humor, depressão e impulsividade.
Leia atentamente cada afirmação e indique o quanto ela descreve você no momento, em uma escala de 1 a 5, que varia de “discordo totalmente” a “concordo totalmente”. Não existem respostas certas ou erradas; responda de forma sincera, com base em como você geralmente percebe, compreende e lida com as emoções.
Schutte, N. S., Malouff, J. M., Hall, L. E., Haggerty, D. J., Cooper, J. T., Golden, C. J., & Dornheim, L. (1998). Development and validation of a measure of emotional intelligence. Personality and individual differences, 25(2), 167-177. https://doi.org/10.1016/S0191-8869(98)00001-4
Toledo Júnior, A., Duca, J. G. M., & Coury, M. I. F. (2018). Tradução e adaptação transcultural da versão brasileira do Schutte Self-Report Emotional Intelligence Test. Revista Brasileira de Educação Médica, 42, 109-114. https://doi.org/10.1590/1981-52712015v42n4RB20180102