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A Escala de Sonolência de Epworth (ESE; ESS no original) é um questionário autoaplicável, breve, desenvolvido para medir a propensão geral a cochilar/adormecer durante o dia em situações cotidianas, distinguindo sonolência de “apenas cansaço”. O foco do instrumento é a sonolência diurna excessiva (SDE), especialmente em contextos de medicina do sono. Na formulação original, a escala foi construída a partir da observação de que pessoas com maior sonolência tendem a adormecer inadvertidamente em situações de baixa estimulação, relativa imobilidade e relaxamento.
Tempo médio de aplicação:
05 minutos
População-alvo:
Adultos
Usos recomendados:
Triagem de sonolência diurna, apoio à avaliação de pacientes com suspeita de transtornos do sono, comparação entre grupos clínicos, acompanhamento clínico complementar e pesquisa. O instrumento é útil como medida subjetiva breve, mas não deve ser usado isoladamente para diagnóstico etiológico.
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 8 itens
Tipo de resposta: Escala Likert de 4 pontos (0 = nunca cochilaria a 3 = grande probabilidade.)
Organização: Unidimensional
2. Descrição das subescalas, dimensões ou fatores:
Trata-se de uma única dimensão: propensão habitual a adormecer em contextos de baixa, média ou até relativa alta demanda de vigilância. Não há variância explicada por fator, porque o artigo brasileiro não realizou análise fatorial.
Itens da versão da ESE-BR:
Sentado e lendo
Assistindo TV
Sentado, quieto, em lugar público (ex.: teatro, reunião, palestra)
Andando de carro por uma hora sem parar, como passageiro
Ao deitar-se à tarde para descansar, quando possível
Sentado conversando com alguém
Sentado quieto após o almoço sem bebida de álcool
Em um carro parado no trânsito por alguns minutos
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
- O método de cálculo é a soma bruta dos 8 itens.
- Mínimo = 0; máximo = 24.
O estudo brasileiro não apresenta pontos de corte validados nem análise de acurácia diagnóstica para a população brasileira.
4. Mudança clínica e sensibilidade:
O estudo brasileiro não apresenta dados sobre sensibilidade à mudança clínica, RCI ou MCID. Também não informa frequência ideal de reaplicação para monitoramento longitudinal. Portanto, embora a escala seja breve e reaplicável na prática, o uso seriado deve ser entendido como monitoramento descritivo complementar, sem critérios validados no artigo para definir “mudança confiável” ou “mudança clinicamente importante”.
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
A ESE-BR não deve ser utilizada isoladamente para fechar diagnóstico.
O estudo original é explícito ao afirmar que escores altos, por si sós, não são diagnósticos de um transtorno específico; outras investigações, inclusive polissonografia, podem ser necessárias para esclarecer a etiologia da sonolência.
Na validação brasileira, os autores também alertam para limitações amostrais e para a possibilidade de menor generalização para outras regiões do país.
O estudo brasileiro não apresenta análise fatorial exploratória ou confirmatória, nem índices como CFI, TLI ou RMSEA. Portanto, a validade fatorial da versão brasileira não foi testada nesse artigo. Também não há normatização brasileira populacional, pontos de corte locais derivados por ROC, sensibilidade/especificidade, RCI ou MCID. Os próprios autores destacam limitações de generalização: amostra pequena, centro único, sul do Brasil, e heterogeneidade sociocultural do país.
6. Sugestões para análise clínica:
Clinicamente, o escore total da ESE-BR pode apoiar hipóteses sobre o impacto funcional da sonolência e priorizar investigação de risco ocupacional e de direção veicular. Escores mais altos em itens passivos podem indicar aumento global de propensão ao sono; escores altos em itens socialmente ativos ou de trânsito sugerem maior gravidade funcional. Na integração de dados, o instrumento deve ser lido em conjunto com entrevista clínica, história de sono e medicações, e, quando indicado, com medidas objetivas citadas no artigo, como polissonografia, MSLT e MWT.
Qual a probabilidade de você cochilar ou dormir, e não apenas se sentir cansado, nas seguintes situações? Considere o modo de vida que você tem levado recentemente. Mesmo que você não tenha feito algumas destas coisas recentemente, tente imaginar como elas o afetariam.
Johns, M. W. (1991). A new method for measuring daytime sleepiness: the Epworth sleepiness scale. Sleep, 14(6), 540-545. https://doi.org/10.1093/sleep/14.6.540
Bertolazi, A. N., Fagondes, S. C., Hoff, L. S., Pedro, V. D., Menna Barreto, S. S., & Johns, M. W. (2009). Validação da escala de sonolência de Epworth em português para uso no Brasil. Jornal brasileiro de pneumologia, 35, 877-883. https://www.scielo.br/j/jbpneu/a/rTpHBbQf6Jbz4QwZNsQDYnh/?format=pdf&lang=pt