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O Questionário de Sentido de Vida (Meaning in Life Questionnaire - MLQ) avalia dois construtos relacionados, porém distintos: Presença de Sentido na vida e Busca de Sentido. No artigo original, “sentido de vida” é definido como o sentido e a significação percebidos a respeito da própria existência; a construção do instrumento dialoga com tradições humanistas, existenciais e eudaimônicas, mas adota uma formulação relativamente aberta, permitindo que cada pessoa use seus próprios critérios de sentido. O objetivo explícito dos autores foi produzir uma medida breve, psicometricamente mais “limpa”, com menos sobreposição de conteúdo com sofrimento psíquico e outras medidas de bem-estar.
Tempo médio de aplicação:
5 minutos
População-alvo:
Adultos da população geral
Usos recomendados:
Triagem ampliada do funcionamento existencial, apoio à formulação de caso, investigação transdiagnóstica de bem-estar/propósito, monitoramento clínico ao longo da psicoterapia e pesquisa em bem-estar.
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 10 itens
Tipo de resposta: Escala Likert de 4 pontos (1 = Totalmente falsa; 7 = Totalmente verdadeira)
Organização: Duas subescalas (Presença de sentido e Busca por sentido)
2. Descrição das subescalas, dimensões ou fatores:
Presença de sentido
Mede o grau em que a pessoa percebe a vida como coerente, significativa e orientada por propósito.
Busca por sentido
Mede a intensidade com que a pessoa está procurando, construindo ou aprofundando propósito e significado para a vida.
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
Método de cálculo: soma dos 5 itens de cada subescala, com inversão do item 9 na subescala Presença.
Pontos de corte clínico: O estudo não apresenta pontos de corte validados.
Normas clínicas: o estudo brasileiro traz médias por grupos sociodemográficos, mas não percentis nem faixas interpretativas clínicas. Entre brasileiros, pessoas solteiras mostraram, em média, menor Presença e maior Busca do que casados e pessoas em relacionamento estável.
4. Mudança clínica e sensibilidade:
O artigo original mostra estabilidade temporal em 1 mês (Presença=.70; Busca=.73), o que apoia uso longitudinal.
Os autores também sugerem utilidade em avaliação de resultados terapêuticos e em intervenções voltadas ao bem-estar.
O estudo não apresenta dados sobre sensibilidade à mudança clínica.
O estudo não apresenta RCI nem MCID.
O estudo não estabelece frequência ótima de reaplicação. Clinicamente, isso significa que a reaplicação pode ser feita em marcos do tratamento, mas a interpretação de mudança deve ser conservadora.
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
O QSV não deve ser usado isoladamente para concluir diagnóstico, gravidade psicopatológica ou risco clínico; essa é uma inferência técnica prudente, alinhada ao fato de que o instrumento mede um domínio existencial/subjetivo e foi validado majoritariamente em amostras não clínicas.
A base empírica dos artigos é predominantemente de estudantes/universitários e amostras comunitárias; portanto, a extrapolação para populações clínicas complexas exige cautela.
Na validação brasileira, a subescala Busca manteve RMSEA elevado quando analisada separadamente, e os autores discutem possível redundância semântica entre itens; por isso, escores altos em Busca devem ser sempre contextualizados por entrevista clínica e outros indicadores.
6. Sugestões para análise clínica:
Presença baixa + sintomas depressivos/baixa satisfação de vida: fortalece a hipótese de prejuízo existencial associado a sofrimento clínico; o próprio padrão correlacional do instrumento apoia essa leitura.
Busca alta + Presença baixa: pode sinalizar reorganização existencial, crise de sentido ou tentativa ativa de reconstrução de propósito; é um perfil que merece exploração narrativa e funcional. Isso é compatível com a discussão dos autores e com as correlações de Busca com sofrimento.
Busca alta + Presença alta: pode refletir aprofundamento, expansão ou refinamento do sentido já encontrado, e não necessariamente sofrimento. O artigo original discute explicitamente essa possibilidade.
Instrumentos que combinam bem com o QSV, com base nos próprios estudos: medidas de satisfação com a vida, felicidade subjetiva, otimismo/pessimismo, autoestima e sintomas depressivos. Uma leitura integrada é especialmente útil para diferenciar:
sofrimento emocional com perda de sentido,
busca existencial adaptativa,
busca de sentido associada a maior negatividade afetiva.
Tire um momento para pensar sobre os elementos que fazem sua vida parecer importante para você. Responda às afirmações a seguir da forma mais sincera e precisa que puder. Lembre-se que são questões muito pessoais e que não existem respostas certas ou erradas.
Steger, M. F., Frazier, P., Oishi, S., & Kaler, M. (2006). The Meaning in Life Questionnaire: Assessing the presence of and search for meaning in life. Journal of Counseling Psychology, 53(1), 80-93. https://doi.org/10.1037/0022-0167.53.1.80
Damásio, B. F., & Koller, S. H. (2015). Meaning in Life Questionnaire: Adaptation process and psychometric properties of the Brazilian version. Revista Latinoamericana de Psicología, 47(3), 185-195. https://doi.org/10.1016/j.rlp.2015.06.004